As batidas do Mali em disco angolano

Manuel Albano |
27 de Outubro, 2015

Fotografia: Paulino Damião

A cantora Vivalda Dula está a gravar um single promocional que pretende apresentar em Janeiro de 2016, na cidade de Houston, nos Estados Unidos, onde vive há seis anos.

Em declarações, ontem, ao Jornal de Angola, a cantora disse ter convidado o músico maliano Cheick Hamala Diabaté, mestre na execução de "Ngoni", um instrumento de cordas típico do Mali.
As gravações vão decorrer Washington, segundo Vivalda Dula. “Esta colaboração musical serve para criar uma aproximação e criar laços culturais, pois pretendemos fazer fusões de ritmos tradicionais de Angola e Mali”.
As músicas do disco promocional, adiantou, vão ser interpretadas em quimbundo, português e inglês, cujas mensagens são de apelo aos africanos para continuarem a preservar e a valorizar as suas culturas no exterior.
Vivalda Dula referiu que, o convite feito ao maliano Diabaté deve-se ao facto de ser um músico reconhecido internacionalmente e um dos poucos músicos africanos nomeados para os prémios Grammy.  
“O percurso artístico de Diabaté é interessante e inspirador, por isso espero poder explorar as suas potencialidades artísticas e a vasta experiência que tem sobre o mercado internacional”. Diabaté entrou no Instituto Nacional de Artes em Bamako, capital do Mali, onde estudou música, artes gráficas, cinema, literatura e teatro. Começou a carreira internacional viajando para a África do Sul, Europa, Ásia, Canadá e Estados Unidos.
Participou em projectos com Salif Keita, Bela Fleck, Bob Carlin, Corey Harris,Toumani Diabaté e Kandia Kanoute. Em 2007 colaborou com Bob Carlin e foi nomeado para os “Grammy”, pelo álbum “From Mali to America”.
Vivalda Dula disse ainda que vai fazer uma simbiose entre a música tradicional angolana e a do Mali, por formas a conquistar outros mercados com destaque para o latino-americano, oriental e africano.
Os instrumentistas que compõem a banda de Vivalda Dula são de vários países, Camarões, Argentina, Estados Unidos e Chile, além de angolanos. Também tem tido a colaboração do guitarrista MV-Robert, que assumi a produção dos seus espectáculos,  do compositor e pianista norte-americano Kris Becker, da pianista chinesa Shiwei Wei e do baixista norte-americano Eric Martin.
Vivalda Dula considerou de momento especial e importante para a sua carreira, por conseguir conquistar um mercado bastante exigente e competitivo, dos Estados Unidos. “Pretendo continuar a carreira nos Estados Unidos, por ser um mercado que valoriza muitos a criação artística dos estrangeiros”. Vivalda Dula é natural de Luanda e pretende ser uma das maiores vozes do “world music” . Vive nos Estados Unidos, abandonou a dança afro-contemporânea, em 2006, e iniciou-se no mundo da música com o espectáculo “MujíTu”.
Ao longo da carreira, Vivalda Dula fez a abertura de festivais “World Music”, de músicos reconhecidos a nível internacional, tais como Salif Keita, Allen Toussaint, Ruthie Foster e Cassandra Wilson.
Em 2014, Vivalda Dula fez a digressão “Vivalda Dula USA Tour 2014 - Henda Mua Ngola” pelas cidades norte-americanas de Washington, Chicago, Houston, Nova Iorque e Austin, para promover o primeiro trabalho discográfico, “Insanidade Mental”.
“África” é o título do segundo disco da cantora, que foi apresentado em 2015, nos Estados Unidos e no Elinga Teatro, em Luanda, onde realizou vários concertos para divulgação da sua carreira no país.
Vivalda Dula diz sentir-se feliz por ter sido indicada em duas categorias no “I Round dos Ballots”, do 58º “Grammy Awards”, sendo “África” nomeado para a categoria “Best World Music Album”, enquanto a canção “Mázui”, indicada  para a categoria “Best Arrangement, Instruments and Vocal”.
“África”, canção em que a cantora apela à preservação e valorização da cultura angolana, tem sido uma das mais ouvidas.

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