Cultura

Banho de música e distinções

Roque Silva |

Homenagens e distinções a cantoras e antigos profissionais e programas da Rádio Nacional de Angola marcaram a gala de comemoração de mais um aniversário da estação radiofónica, realizada quinta-feira, em Luanda.

Yola Semedo animou a noite
Fotografia: Edições Novembro

O ministro da Comunicação Social, João Melo, e o Governador de Luanda, Adriano Mendes de Carvalho, prestigiaram a gala que decorreu no espaço Clube dos Caçadores, num jantar marcado por vários momentos.
O Top dos Mais Queridos, edição 2017, foi adicionado à festa, e num formato diferente prestou homenagem às vozes femininas que participaram na fase final do concurso musical e às cantoras consagradas e pioneiras da música angolana.
Ary, Yola Semedo, Ângela Ferrão, Noite e Dia, Bruna Tatiana, Celma Ribas e Anna Joyce animaram a noite e receberam troféus e diplomas como reconhecimento da sua presença entre os colossos da música angolana, no evento anual, e visa prestigiar os músicos angolanos que, por meio do voto popular, destacaram-se ao longo do ano.
Sob aplausos Yola, vencedora  em 2010, interpretou “Distino di Belita”, Ângela “Céu Azul”, Bruna “Meu Tudo”, Celma “Paola”, Anna Joyce “Te amar”, Noite e Dia “Abre a livro”.
Mas coube a Ary, vencedora em 2014 e 2016, o encerramento gala, que entre palmas e assobios, cantou e encantou a plateia ao interpretar “Tá Amarrado”, “Mambo Bom”, “Comadre”, “Despedida do lar” e “Papá Fugiu”. Nessa última, a voz feminina mais premiada do Top dos Mas Queridos abandonou o palco para fazer a festa entre os convidados. A cantora desfilou glamour e sensualidade num vestido cinza, com pedras brilhantes.
Patrícia Faria (vencedora em 2003), Margareth do Rosário, Yola Araújo, Pérola e Nsoki foram as grandes ausentes.
O espectáculo teve o suporte instrumental da Banda Movimento, que recordou, em gesto de homenagem, e nas vozes de Dorgan Nogueira e Beth Tavira, a musicalidade de Belita Palma, em “Manazinha”, Lourdes Van-Dúnem (“Ngongo ua Biluka”), Dina Santos (“Onela”), Zizi Mirandela (“Ngue nhami tata”), Clara Monteiro (“Angola Tropical”) e Nany, com “Merengue”, por serem as pioneiras, as vozes femininas nacionais que mais se destacaram e por terem influenciado as últimas gerações de cantoras.

Programas e profissionais

Cinco dos vários programas que persistem ao tempo com a mesma denominação e indicativo mereceram reconhecimento da organização. “Passuka”, transmitido a partir do Huambo, “Dia Novo”, “Azimute”, “Antologia” e “Boa Noite Angola” mereceram representação de teatro do grupo Horizonte Njinga Mbandi, ao som do indicativo de cada programa interpretado pela Banda Movimento. A voz de Mister Kim e os acordes de Teddy Nsingui transmitiram nostalgia aos profissionais da RNA que ouviram soar temas como “Minha Cidade”, “Kialumingo” e “Passarinho Piô”.
As homenagens estenderam-se aos sete gestores que exerceram o cargo de directores-gerais da Rádio Nacional de Angola, desde a abertura, em 1975, até 2005, e a 30 profissionais pioneiros. Foram distinguidos com medalhas e troféus José Matoso, César Barbosa, Adelino de Almeida, Guilherme Mogas, Manuel Rebelais (ausente), Rui de Carvalho e Agostinho Vieira Lopes (ambos a título póstumo).
Entre os primeiros jornalistas, locutores, operadores e editores constam Luísa Fançony, Paula Simons, Arlindo Macedo, Ladislau Silva, Miguel Brás, Felipe Diakezua, António Fonseca, Ferreira Marques, Artur Arriscado, António Brito, Carlos Ferreira “Cassé”, António Alves, Mateus Gonçalves, José Saraiva e Humberto Jorge (ambos a título póstumo).

Galeria dos vencedores


O Top dos Mais Queridos uma vez não teve carácter competitivo, como é habitual, por ser um ano de eleições, pelo que a organização entende alterar o formato para não confundir os eleitores e o público votante. O concurso musical é promovido desde 1982, tendo registado um interregno de oito anos (1992 a 2000) devido ao recrudescimento do conflito armado pós-eleitoral, que terminou em 2002 com a assinatura dos Acordos de Paz, a 4 de Abril.
O músico Pedrito continua a ser o recordista do Top dos Mais Queridos, com três edições ganhas, em 1982, 1984 e 1986. É seguido dos Jovens do Prenda (82 e 83), Os Kiezos (84 e 85), Jacinto Tchipa (88 e 89), Yuri da Cunha (2009 e 2015), Matias Damásio (2013 e 2007), Ary (2014 e 2016). Tem um troféu cada Proletário, José Kafala, José Machado “Mamborró”, Os Pacíficos, Moniz de Almeida, Jovem Leão, Euclides da Lomba, Patrícia Faria, Sabina Henda, Bangão, Mig, Maya Cool, Yola Semedo e Paulo Flores.
De 1992 a 2000 o mesmo não se realizou devido ao conflito armado e em 2012 foram homenageados vencedores de todas as edições.
A Rádio Nacional de Angola fundada a 5 de Outubro de 1977, com primeira visita do então Presidente António Agostinho Neto emite as 18 províncias nas 14 línguas nacionais.

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