Boto Trindade homenageado

Roque Silva |
21 de Abril, 2017

Fotografia: Paulino Damião | Edições Novembro

Boto Trindade é hoje homenageado na terceira edição da Trienal de Luanda, num concerto a ser realizado às 21 horas no Palácio de Ferro, localizado no distrito urbano da Ingombota.

A homenagem ao guitarrista com crédito firmado está inserida no quadro da valorização dos artistas que contribuíram e incansavelmente continuam a emprestar o seu saber para a divulgação da cultura angolana. A organização dá a conhecer ao público o álbum “Memórias de Boto Trindade”.
Para a interpretação dos temas que compõem o CD, uma  colectânea com alguns dos principais temas instrumentais do homenageado, considerado uma referência obrigatória em termos de execução, foi convidada a Banda Welwitchia.
Boto Trindade, com a sua guitarra a solo, conta com o suporte de um conjunto integrado pelo cantor Legalize, Joãzinho Morgado (tumbas), Carlos Timóteo (viola baixo), Zeca Tirilene (viola ritmo), João Diloba (bateria), Juju Lutoma (teclado), Zinha Almeida e Marinela Bragança (coros).
O disco “Memórias de Boto Trindade”, lançado em 2008, faz parte da colecção Poeira no Quintal, da Rádio Nacional de Angola. Com ritmos semba e bolero, o álbum tem no seu reportório os temas “Kamiscarra”, “Tapioca”, “Kazukuta”, “Pachanga Maria”, “Benguela libertada”, “Missanga na cabeça”, “Memória de Guy” e “Avô Mariana”.
José Martins Trindade “Boto Trindade” nasceu em Dezembro de 1951, na província de Benguela, província em que fundou o agrupamento “Bongos do Lobito”. Com o conjunto, Boto gravou vários singles de sucesso entre 1972 e 1975. Passou pelo grupo Os Kiezos, em 1976, e mais tarde pelo Fapla Povo, ao lado de David Zé, Urbano de Castro e Artur Nunes. Integrou o agrupamento Semba Tropical entre 1982 e 1983, com o qual fez inúmeras deslocações para o exterior do país, com destaque para o espectáculo realizado no Brasil no âmbito do projecto Canto Livre de Angola, que teve a co-produção do músico brasileiro Martinho da Vila.
Em bandas como Semba Tropical, Madisesa, Welwitchia e Tropicalíssimo, o solista actuou em vários países, entre os quais Cuba, Inglaterra, Burundi, Portugal, Zaire, Cabo Verde, e Moçambique. Boto Trindade trabalhou recentemente com músicos consagrados, como Elias dya Kimuezo, Waldemar Bastos, Carlos Burity e Paulo Flores, e com artistas da geração dos anos 80. O músico está vinculado à Banda da TPA e ao “Conjunto Angola 70”, formação que congrega instrumentistas que marcaram a música angolana.

Tradição e modernidade

Mito Gaspar regressa à III Trienal de Luanda, no Palácio de Ferro, para um espectáculo a realizar amanhã, às 20 horas, no Ngola, naquele que é considerado o casamento entre a tradição e a modernidade.
O cantor, compositor, pesquisador cultural e vencedor do Prémio Nacional de Cultura e Artes, edição 2016, Mito Gaspar apresenta um repertório assente na língua kimbundu, onde revisita temas da tradição oral que ouvia, traduzidos para um contexto moderno.
O cantor leva no terceiro concerto na Trienal, depois dos realizados nos dias 6 de Julho e 25 de Agosto de 2016, em que proporcionou momentos únicos e com diversidade de ritmos, a sua discografia, a designar “Man Polê”, lançado em 1980, “Mitos e tradições”, 1986 e “Phambu ya njila”, 2004, os dois últimos gravados e lançados em Paris e na África do Sul, respectivamente.
O concerto tem o suporte instrumental de Miqueias Ramiro (teclado), Isaú Baptista (viola solo), Moreira Filho (baixo), Marito Furtado (bateria), Miguel Correia (percussão), Djanira Mercedes e Bety Tavira (coro) que vão acompanhar o vencedor do Prémio Nacional da Cultura e Artes de 2016.
A tradução para kimbundu dos poemas “Havemos de voltar” e “Renúncia impossível” respectivamente “Hadia tu vutuka” e “Eme nzambi muenhu” marca outra faceta do artista.
José da Costa Gaspar, ou simplesmente Mito Gaspar, nasceu aos 5 de Outubro de 1957, em Malanje. Imigrou para a província da Huíla em 1978, após a conclusão do ensino médio (quinto ano do liceu), onde chefiou os departamentos de Cultura, Recreação e Desportos (DCRD) da JMPLA, iniciando a sua carreira activa no ramo artístico-cultural.

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