''Cachimbo da Paz'' faz público vibrar

Francisco Pedro |
7 de Março, 2016

Fotografia: Dombele Bernardo

“Cachimbo da Paz”, “Racismo é burrice” e “Lavagem Cerebral” foram as músicas de Gabriel o Pensador, que mais emocionaram o público na quarta edição do concerto Sons do Atlântico, realizado sábado na baía de Luanda, em que o rapper brasileiro foi o mais esperado e aplaudido entre as 20h00 e 21h00.

Para encerrar a sua actuação, Gabriel o Pensador interpretou “Sem Parar”, uma música que não fazia parte do alinhamento e que cantou em homenagem a um dos fãs angolanos que, na anterior estadia a Luanda, implorou ao músico para não se deitar ao chão, enquanto ele cantava, pensando que o rapper estava à beira da morte.
“Não irmão… força irmão”, recordou Gabriel o Pensador a frase pronunciada pelo fã. “Daí que não me deitei, e nunca desisti de cantar”, essa foi a análise simbólica feita pelo músico, razão pela qual encorajou também o povo angolano a continuar com os seus sonhos.
Nessa edição, o músico não tentou deitar-se no palco, mas desceu e ficou alguns minutos a interagir com a plateia mais próxima. Cantou ainda as canções “Até Quando”, “Resto do Mundo”, “Cacimba de Mágoa”, “Pra Onde Vai?”, “2345 meia 78”, “Linhas tortas”, “Retrato de um Playboy”, “Astronauta”, “Estudo errado”, entre outras mais conhecidas, acompanhado por instrumentistas da nova geração, parte deles pela primeira vez em Angola, enquanto Gabriel o Pensador vem pela quarta vez ao país. A actuação de C4 Pedro seguiu-se à de Gabriel o Pensador, e para encerrar a noite o cantor, compositor e DJ Craig David, um dos mais proeminentes músicos britânicos da nova geração, tomou conta do palco para interpretar “Walking Away”, “Twesday”, “I'm Ready”, “Rewind”, “Woman Trouble” e outras canções. A música angolana também teve bons momentos, quer com C4 Pedro, quer com Kyaku Kyadaff e os O2, que actuaram nas primeiras horas. Noite e Dia, que diversificou com kuduro, e os humoristas do Tuneza deram outro colorido. Ritmos sul-africanos, com o DJ Maphorisa, não faltaram para diversificar o programa, que teve início às 18h00.
Mesmo assim não faltaram as críticas e sugestões do público, em relação à selecção dos artistas. Manuel Lisboa Terramoto reprovou o facto de os cantores se perderem ao interagirem com o público, “não acabavam de cantar, ficavam mais pelos improvisos”. Sugeriu que a cultura musical “axiluanda” devia estar mais presente, neste caso o semba. “Sons do Atlântico, realizado no litoral de Luanda, uma cidade com traços culturais bem identificados, é motivo para que o semba estivesse mais presente”. Por outro lado, disse ter gostado da inclusão de Kyaku Kyadaff, opinião corroborada por Dilkarina Gonzaga, uma das fãs de Gabriel o Pensador, e que espera melhor actuação dos cantores angolanos.
Organizado pela Showbiz, empresa angolana de eventos e espectáculos, o festival anual Sons do Atlântico teve dois palcos, com actuações intercaladas.

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