Calabeto recebe distinção no Muzongué

Manuel Albano|
3 de Abril, 2015

Fotografia: Domingos Cadência

Calabeto é homenageado no domingo pelo programa Muzongué da Tradição, durante um espectáculo no Centro Cultural e Recreativo Kilamba, em Luanda, para comemorar os 70 anos do artista que se assinalam na sexta-feira.

Autor do sucesso “Ngolo Yami”, Calabeto disse estar a preparar um convívio à base da tradição angolana, para ajudar a manter vivas recordações de várias décadas da música popular angolanas nos bairros periféricos de Luanda.
O artista, que celebra 53 anos de carreira no dia 10 de Junho, informou estar a preparar um alinhamento com temas antigos e conhecidos dos admiradores: “Vai ser um momento muito emocionante, mais uma vez vou estar próximo  de amigos e colegas a dividir o mesmo espaço”.
Calabeto disse que trabalha para colocar mais um trabalho discográfico no mercado, mas a falta de patrocínio tem condicionado os seus projectos musicais: “Acredito especialmente nas pessoas pelo que tudo têm feito para o crescimento da cultura angolana, em geral e da música em particular”.
António Francisco “Calabeto” nasceu em Luanda no dia 3 de Abril de 1945 e começou a cantar no grupo coral da Missão Evangélica da capital.
Em 1958, fundou a Turma Rio de Janeiro. Com uma carreira iniciada na década de 1950, Calabeto possui um repertório no qual se destacam vários temas de sucesso, como “Nzambi”, “Ngolo Yami”, “Avante o Poder Popular”, “Tussocana Kiebi”, “Camarada Presidente” e “A Vitória é Certa”. Calabeto tem no mercado o CD  Kamba Dyami  e a participação no projecto discográfico “Geração do Semba (volumes um e dois)”.

Homenagem

Dom Caetano, um dos convidados para o espectáculo, disse que vai interpretar um tema do homenageado. O músico aproveita a oportunidade para apresentar alguns temas do seu mais recente disco Mateus:7.7. Além de músicas do novo disco, Dom Caetano  interpreta “Dyala Dya Hongo”, “Kanjila”, “Nova Cooperação”, “Sou Angolano”, “Adeus à hora da largada” e “Uejia kussokana”. Dom Caetano vê Calabeto como um dos poucos músicos que não perdeu a linhagem artística  e a sua forma de actuação: “Calabeto é daqueles músicos que faz parte da galeria dos grandes intérpretes angolanos, devido ao seu contributo para a valorização, divulgação e preservação da música angolana de raiz”. Dom Caetano explicou que Calabeto foi muito influenciado na sua carreira artística pelo seu irmão mais velho, Honorato Silva, mas que foi no agrupamento “Kissanguela” que muitos músicos na altura tiveram uma enorme influência política e musical, por ser considerada uma escola.
Para o músico Robertinho, outro dos convidados de Calabeto, a homenagem é merecida, por tudo que o música já fez em prol da preservação e divulgação das canções populares angolanas, mas há necessidade de se juntarem a essas iniciativas outras forças vivas do país.
Reconhece as qualidades do artista com homem, chefe de família e um exemplo a seguir para as novas gerações de artistas, em função da carreira brilhante que já leva mais de cinquenta anos: “As homenagens devem ter uma dimensão e distinção diferentes, de maneira a valorizar melhor aquilo que muitos fizeram pelo país”.
No espectáculo de sete horas actuam também os músicos Augusto Chacaia, Eddy Tussa e a Banda Movimento, que vai acompanhar os artistas.

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