Cancioneiro local está a ser cuidado

Venâncio Victor | Malanje, André Brandão | Ndalatando,José Rufino | Luena,Casimiro José| Sumbe e Afonso Costa | Namibe
10 de Janeiro, 2015

Fotografia: Eduardo Cunha

O vice-governador provincial de Malanje, Manuel Campo, anunciou, na abertura da Feira do Livro, o resgate do cancioneiro nacional e a reactivação do fabrico da marimba.   

Um projecto que visa a promoção e resgate do cancioneiro nacional e outro de reactivação do fabrico da marimba constam das prioridades definidas pelo Governo de Malanje com o objectivo de contribuir para o desenvolvimento da cultura.
A informação foi prestada pelo vice-governador provincial de Malanje para o Sector Politico e Social, Manuel Campo, durante a abertura da Feira do Livro, denominado “Kitanda de Letras Conhecimento ao Seu Alcance”, inseridas nas festividades  do Dia da Cultura Nacional.
O vice-governador lembrou que o cancioneiro nacional está ligado a casamentos, óbitos e pedidos de noivado. Para não desaparecerem, o Governo decidiu fazer uma recolha oral destes elementos para serem publicados e servirem de testemunho às gerações vindouras.
A par do cancioneiro nacional, Manuel Campo disse que está igualmente na forja o projecto de relançamento do fabrico da Marimba e o Quissange, instrumentos musicais tradicionais em vias de extinção.
O 8 de Janeiro, frisou, é uma data memorável e serve de homenagem a todos os criadores de arte e da cultura angolana e outras figuras que têm contribuído para a manutenção da identidade cultural.
Manuel Campo apelou aos jovens para a necessidade do resgate e preservação do património e identidade cultural dos angolanos. A divulgação da cultura nacional passa também pela promoção de actividades turísticas para que outros povos possam conhecer melhor os traços típicos e as raízes culturais do país.
Além da feira do livro que está patente no Jardim Municipal de Malanje, com mil obras de escritores angolanos, maioritariamente infantis, também estão expostas peças de artesanato, olaria, marimba, entre outros utensílios que retratam os valores, hábitos e costumes da região.
A data foi marcada igualmente pela realização de uma mesa redonda sobre o “Contexto Jurídico-legal da Política Cultural Angolana”.
O director provincial da Cultura, José da Costa Gaspar, ressaltou a importância do tema escolhido para a mesa redonda, tendo em conta que ainda há um certo desconhecimento e domínio da legislação cultural por parte dos diversos actores, como músicos, artistas, compositores, actores e promotores culturais.
Ainda por ocasião do 8 de Janeiro foi lançada a obra literária do escritor Luís Neto, subordinado ao tema “O Lugar do Nome”  na Emissora Provincial de Malanje da Rádio Nacional de Angola.

Património é classificado

O director da Cultura no Cuanza Norte, David Buba,  aconselhou, no município de Quiculungo, as Administrações Municipais a preservarem e registarem os locais de interesse histórico e cultural para impedir que sejam vandalizados. David Buba, que fez este apelou durante o acto provincial do Dia da Cultura Nacional, acrescentou que  o Governo Provincial do  Cuanza Norte, Ministério da Cultura e a Odebrecht assinaram um protocolo para preservação e conservação da fortaleza de Massangano (Cambambe).
As populações de Quiculungo, Banga e Bolongongo são detentoras de ricas tradições culturais, com destaque para as danças dibungo, caboquele, mutongo e xamba, que devem ser preservadas pela juventude para não correrem o risco de desaparecerem.
A província do Cuanza Norte tem 73 monumentos históricos não classificados, e 11 classificados pelo Ministério da Cultura, dez dos quais localizados no município de Cambambe e um no do Cazengo.
A Direcção Provincial da Cultura ofereceu 107 livros à Biblioteca do Centro Recreativo e Desportivo de Quiculungo e livros infantis à Pediatria do Hospital Municipal de Quicunlungo.
A população do município defende a classificação das antigas instalações da PIDE-DGS, a Vala Comum e a primeira casa construída nesta localidade como património cultural.

Acesso é livre e de todos


O director da Cultura no Moxico, Noel João Manuel, defendeu, no Luena, o acesso de todos os cidadãos sem discriminação, aos benefícios da cultura nacional, para preservá-la e a mantê-la mais viva no seio da população.
Falando no acto provincial do 8 de Janeiro, Dia da Cultura Nacional, Noel João Manuel destacou que a política cultural define vários objectivos a atingir, tendo destacado a preservação e valorização da identidade nacional em todas as suas formas, respeitando o pluralismo de expressão e especificidade.
De acordo com o director da Cultura no Moxico, a preservação, classificação e promoção do património cultural nacional tangíveis e intangível também fazem parte dos objectivos a atingir pela política cultural do país, além da promoção e a formação de conhecimentos nos diversos domínios e o prosseguimento do estudo científico das línguas africanas de Angola.
O desenvolvimento das artes e da cultura, da investigação científica, o associativismo cultural e a expressão do consumo cultural é importante para a criação de infra-estruturas culturais a todos os níveis no país, processo que deve envolver o Executivo e os seus parceiros económicos e sociais, além da sociedade civil.
O Governo Provincial do Moxico no quadro do plano de desenvolvimento, entre várias acções, projectou a construção de infra-estruturas culturais, como a Biblioteca Provincial, o Arquivo Histórico, o Museu e os monumentos dos heróis de Cangamba e do Luinhamege.

Revitalização dos sítios

A direcção da Cultura do Cuanza Sul pretende, este ano, dar mais ênfase ao valor histórico dos monumentos e sítios no quadro do programa de revitalização do sector.
 O facto foi anunciado pelo director provincial da Cultura, Manuel Rosa da Silva, durante um debate radiofónico, no quadro das comemorações do Dia da Cultura Nacional. Durante o debate em que participaram responsáveis locais do sector, artistas e convidados, o director da Cultura anunciou que, dentre as actividades de vulto este ano, constantes do programa da província, destacam-se a dinamização das salas de espectáculos nos municípios do Sumbe, Amboim e Cela, o que passa pela sua reabilitação e apetrechamento, conservação dos monumentos e sítios espalhados pela província, dinamização das associações culturais e apoio aos artistas.
Manuel Rosa da Silva fez uma avaliação positiva sobre o desempenho dos grupos de dança e teatro, mas considerou que ainda há um intenso trabalho a ser feito para desenvolver as potencialidades que a província ostenta no panorama nacional.
“Temos no Cuanza-Sul exímios artistas nas áreas do teatro, música, dança e outras artes, mas sentimos que temos de ser mais acutilantes para que as potencialidades culturais da província sejam bem exploradas”, frisou.
O director da Cultura disse ser importante que os artistas locais a se inscreverem na União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC), como ponto de partida para o seu apoio e protecção social.
No debate radiofónico foi também analisada a questão dos critérios de atribuição do prémio local de cultura e artes, que este ano pretende ser mais abrangente nas várias categorias culturais.

Governador promete apoio
 
O governador do Namibe prometeu continuar a apoiar os criadores de artes na província, que considerou os dinamizadores da cultura.
Rui Falcão afirmou que Governo Provincial cumpre o que lhe compete no desenvolvimento da cultura e que “face à dinâmica da sociedade do mundo contemporâneo há novos desafios”, o que “implica o envolvimento” dos vários intervenientes em todas as áreas do sector.
O governador, que falava na cerimónia comemorativa do 8 de Janeiro, realizada no Anfiteatro do Pólo Universitário, disse que os agentes culturais têm de trabalhar com rigor e dedicação com base na investigação para se fazer um inventário e ser possível recuperar elementos da cultura local.
O orador pediu maior divulgação dos valores culturais, que “constituem as diversidades das expressões da província, forjados ao longo de gerações”.
Angola, lembrou, vive um ambiente de paz, uma realidade política excelente e um desenvolvimento económico crescente, o que impõe, entre muitas outras coisas, a necessidade de sistematizar princípios, organizar acções e responder às exigências dos novos tempos.
Rui Falcão referiu que a província “apresenta particularidades ímpares no domínio da cultura”, pois os seus habitantes conservam hábitos e costumes.
A província, declarou, é detentora de um rico  património cultural,  herdado dos povos que habitaram ao longo dos tempos esta região,  representado pelas gravuras rupestres, furnas e arte funerária mbali.
Na cerimónia do 8 de Janeiro foram entregues certificados aos guias intérpretes do património histórico e cultural do Namibe, que foram formados em Dezembro.

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