Canções populares têm regras próprias

Roque Silva |
7 de Janeiro, 2016

Fotografia: Paulo Mulaza

O Ministério da Cultura pretende criar normas para regular a utilização dos temas já identificados e registados como parte do cancioneiro popular ao Património Nacional Imaterial, disse terça-feira o director do Instituto de Línguas Nacionais, José Pedro.

A iniciativa foi feita para que os interessados possam utilizar as canções populares de maneira organizada e controlada, respeitando os preceitos estabelecidos pelo Ministério da Cultura.
As normas, sob responsabilidade do Instituto de Línguas Nacionais, servem para ajudar a prevenir o uso indevido, os erros sucessivos nas versões dos temas, em especial os interpretados em línguas nacionais.
O director do Instituto de Línguas Nacionais disse que nesse momento as canções angolanas consideradas populares são usadas pelos artistas, sem qualquer cuidados. “Portanto é urgente a identificação permanente, inventariação e classificação das obras, que depois devem ser colocadas a disposição dos interessados.”
José Pedro destacou ainda que alguns temas do cancioneiro são conhecidos pois têm sido constantemente “recuperados” por músicos nas suas nas composições, apesar dos seus autores serem ainda, na sua maioria, desconhecidos do público. O objectivo do projecto é promover a investigação, na classe estudantil, e salvaguardar e ajudar a organizar o património cultural, afirmou José Pedro, na apresentação do programa do Dia da Cultura Nacional.
 Um projecto permanente de recolha e pesquisa da tradição oral, informou, permitiu ao Instituto de Línguas Nacionais inscrever um total 28 canções, nas mais variadas línguas nacionais e em português, no cancioneiro popular angolano. Dentre os temas constam alguns conhecidos internacionalmente, em versões de vários artistas angolanos, como “Muxima”, dos Ngola Ritmos, “Mayé Mayé”, de Jacinto Tchipa, “Kiselengenya”, de Bonga, “Humbi Humbi”, de Filipe Mukenga, “Lalipo”, de Waldemar Bastos, “Mboyo”, de Duo Canhoto, e “Eme Pemba”, de Dionísio Rocha.
A investigação inclui  as músicas “Margarida Morena” (Vende a sua farinha), “Atirei o Pau ao Gato”, “Salalé três três”, “Olha o Lenço: deixa cair”, “Mariquinha Lalé”, “Maria Kandimba” e “Passarão”, todas em língua portuguesa. O lema deste ano do Dia da Cultura Nacional, cujo acto central se realiza no Huambo, é “Pela Preservação do nosso Património Imaterial Defendamos o Cancioneiro Popular”. Entre as actividades programadas consta a realização de uma palestra, com o mesmo título, a ser proferida por António Fonseca, concursos radiofónicos sobre a música angolana e debates sobre o valor do cancioneiro popular.

Ortografia

A uniformização da escrita das línguas nacionais, bantu e khoisan, são um desafio permanente do Instituto de Línguas Nacionais, informou, ontem, em Luanda, o seu director.
José Pedro informou que a intenção da instituição é fazer com que as línguas tenham um padrão de escrita, abandonando as várias ortografias paralelas, para regular e ensinar os falantes a escreverem correctamente a sua língua.
O Instituto de Línguas Nacionais, disse, tem feito um trabalho avançado ao nível das línguas bantu, que é apresentado durante as actividades do Dia da Cultura Nacional e incluem propostas para a criação de novas ferramentas para regularem a ortografia nas línguas nacionais.
A ideia, afirmou, é procurar estar em sintonia com os outros países africanos, uma vez que são línguas do mesmo grupo e família.

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