Cultura

Carlos Lamartine actua hoje no Espaço Brasom

Analtino Santos

Carlos Lamartine é a proposta musical para o show intimista hoje, às 19 horas, no Espaço Brasom, no Miramar, uma produção de Ilídio Brás. “Pala ku nu abesa ó muxima”, “Cidrália”, “Guia Para a Libertação de África”, “Zuatenu Milele Ya Xikelela”, “Caravana para Delfina”, “Semba do Prenda”, “Kamuine”, entre outras, vão fazer parte do alinhamento que marca o regresso aos palcos de Carlos Lamartine, que nos últimos tempos teve poucas aparições públicas.

Carlos Lamartine regressa ao palco e inclui "Pala ku nu abesa ó muxima" na série das músicas a cantar
Fotografia: DR

Defensor do estilo semba, Carlos Lamartine tem como convidado Lulas da Paixão,  acompanhados pelos instrumentistas Kintino (viola-ritmo), Teddy Nsingui (viola-solo), Nini (teclado), Mias Galheta (viola-baixo), João Daloba (bateria), Raúl Tollingas (dikanza) e Bucho (tambores).

O Espaço Brasom é conhecido por ser um dos locais de ensaios de vários artistas e projectos musicais, na capital do país, como o “Show do Mês”, o “Duetos D Avenida” e “Os Jovens do Prenda”. A escolha de Carlos Lamartine, de acordo com Ilídio Brás, promotor e mentor da Brasom, surge na sequência de algumas iniciativas em prol do reconhecimento dos artistas nacionais, em que já foram distinguidos João Morgado, Dionísio Rocha, Teddy Nsingui, e em breve, Zé Fininho e Raúl Tollingas, esses dois últimos executantes de “dicanza”.

O último concerto no espaço foi uma proposta da Afrikkanitha, que juntou vozes femininas para cantar clássicos da música nacional com arranjos de jazz. Um outro espectáculo da Brasom foi a gravação do DVD de Joãozinho Morgado.

Carlos Lamartine, um dos compositores que marcou a época da canção revolucionária, gravou as seguintes obras: “Um single”, em 1970, com a etiqueta “Ngola”, onde constam as canções “Bazooka” e “Jesus dialá uá kidi”.Em 1974, gravou o LP “Angola nº I”, com o conjunto “Merengues”. O disco “Memórias” (1997), “Historias da Casa Velha”(2001), “Cidrália”(2001), “Frutos do Chão São Coisas Nossas” (2005) e “Caminhos Longos” (2007).

Carlos Lamartine nasceu em Benguela a 29 de Março de 1943, mas foi no Marçal onde deu os primeiros passos musicais. Foi adido cultural na República Federativa do Brasil e tem no prelo obras que retractam vários períodos da música angolana. Fez parte de algumas turmas, com destaque para os “Kissueias”, com  Barcelô de Carvalho (Bonga), Nelito Soares, Nando Kajibota e outros jovens do Marçal. Mais tarde teve passagem pelos Águias Reais, Os Merengues, “Kiezos”, entre outros conjuntos sonantes da música angolana. Teve várias distinções, como o Premio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Música, em 2017, e foi homenageado no Festival da Canção de Luanda, da LAC, em 2013, no qual os concorrentes interpretaram temas de sua autoria..

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