Catete chora ao som do hungo no adeus a Mestre Kamosso

Manuel Albano |
4 de Maio, 2017

Fotografia: M. Machangongo | Edições Novembro

Ao som do hungo, instrumento tradicional da região de Icolo e Bengo, e da dança cabecinha, originária da mesma região, foram a enterrar ontem à tarde, no Cemitério Municipal de Icolo e Bengo, em Catete, os restos mortais do Mestre Kamosso, falecido no sábado, na sua terra natal, por doença.

Num ambiente de dor, luto e consternação, o administrador de Icolo e Bengo, Adriano Mendes de Carvalho, familiares, colegas de profissão e amigos acompanharam Mestre Kamosso até à sua última morada. Lágrimas de tristeza marcaram o momento em que a urna, contendo os restos mortais do Mestre Kamosso, desceu a sepultura.
Se em 61 todo o mundo morreu e só restou Kamosso e Mendes de Carvalho, como cantou o próprio malogrado, agora, os dois também já não fazem parte do mundo dos vivos.
O administrador de Icolo e Bengo, Adriano Mendes de Carvalho, disse que vai apresentar um projecto de acordo com a toponímia da região para distinguir a figura do malogrado, atribuindo o nome do mestre do hungo a uma das ruas ou instituição da circunscrição, por forma a homenageá-lo. Os feitos do mestre do hungo, que inspirou muitos tocadores deste instrumento tradicional com destaque para Kituxi e Tony do Hungo, foram igualmente realçados nas mensagens apresentadas pelas autoridades tradicionais de Icolo e Bengo  e pela direcção do grupo Abadá Capoeira, que em 2016 homenageou o Mestre Kamosso, numa cerimónia muito concorrida, realizada em Luanda,  que contou com a presença de várias personalidades ligadas à cultura e à capoeira.
As duas mensagens foram unânimes em realçar que, com a morte do mestre do hungo, as regiões de Icolo e Bengo e de Luanda perderam uma figura incontornável da música folclórica nacional, chefe de família e defensor das suas próprias raízes culturais.
Kamosso, de nome próprio Miguel Adão Banga morreu aos 90 anos. Em 2016, o seu estado de saúde agravou-se em consequência do reumatismo que sofria. De voz trémula e inconfundível, Mestre Kamosso era um cantor e instrumentista popular que animava festas, cerimónias tradicionais, encontros familiares e diversas actividades culturais, quer em zonas rurais quer urbanas. Muitas vezes, exibia os seus dotes artísticos percorrendo ruas e ruelas dos bairros suburbanos de Luanda, a partir de peregrinações que arrastavam multidões.

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