Concerto de música popular

Jomo Fortunato |
1 de Fevereiro, 2016

Enquanto cantor e compositor, Maranax fez parte, em 1980, do período áureo dos cantores infantis da Rádio Nacional de Angola, época em que ficaram conhecidas as canções “Macaco roeu a corda” e “Aldina Kimónha”, dois sucessos intemporais que sobrevivem na memória das crianças do nosso tempo.

Maranax recordou, visivelmente nostálgico, o início prematuro da sua carreira, como cantor e compositor da Rádio Nacional de Angola, quando arrebatou o seu primeiro prémio: “Em Novembro de 1980, havia inscrições no cinema Tivoli para o programa, “Piô piô”, da Rádio Nacional de Angola, um concurso de procura de novos talentos, e, curiosamente, ganhei o primeiro lugar na categoria de música, com a canção “Ngangula”.
 Logo depois fui convidado pelo jornalista Ladislau Silva, um dos organizadores do concurso, para fazer a primeira gravação. No entanto, é justo recordar a figura do compositor Gilberto Baptista, um português que escreveu algumas letras que cantei “O sol”,  e “Futuro da nação”, para dois programas homónimos, “Pioneiro que vai à praia”, “O galo na capoeira”, e “Gordo, gordinho”. Recordo que, no mesmo ano, o radialista Adão Filipe, hoje Director da Rádio Nacional de Angola, em Benguela, ganhou o concurso de locução, com um relato de futebol, proposto igualmente pelo emblemático jornalista e locutor Ladislau Silva”.
De facto, a Rádio Nacional de Angola foi, nos anos oitenta, o principal viveiro, responsável pela formação de muitos cantores que atingiram a consagração na história da Música Popular Angolana. Deste período, destacaram-se os nomes de Ângelo Boss, Gersy Pegado, Maya Cool, Isidora Campos, Mamborrô, João de Assunção, o único cantor infantil que compunha músicas próprias, Yé-yé, que fez parte do Tropical Band e chegou a gravar com o Barceló de Carvalho (Bonga), e Yuri da Cunha, que aparece muito mais tarde como cantor infantil.
Filho de Alberto Manuel e de Maria Alberto,  André Alberto Manuel, Maranax, nasceu no dia 25 de Maio de 1967, em Malanje, contudo prefere ser considerado do Huambo, terra natal do seu pai.  Maranax  é membro fundador da UNAC, União Nacional dos Artistas e Compositores.

Percurso


Por razões de precisão histórica, revelamos que  Maranax teve o primeiro contacto com a música no Huambo, em 1977, quando integrava a banda infantil da Organização dos Pioneiros Angolanos (OPA), tendo subido ao palco, pela primeira vez, em 1983, quando venceu o concurso “Piô piô” da Rádio Nacional de Angola, quando contava apenas 13 anos de idade. Depois foi o convite do jornalista Ladislau Silva, para gravar nos estúdiosda CT1, da Rádio Nacional de Angola, as canções: “As crianças na escola”, “Macaco roeu a corda”, “O sol”, “Futuro da nação”, “Carrossel”, “Balão”, “Na capoeira”, “Cuidado com o mar, “Aldina Kimónha”, “Camponês pescador e operário”, e “A onda do mar”, temas que fizeram época nos programas infantis, da Rádio Nacional de Angola, tendo-se tornado o cantor do programa infantil “Futuro da Nação”. Maranaxformou depois, como guitarrista, um trio, com Daniel Arrobas, congas, e Marco Paulo, na dikanza, formação que participou activamente nos espectáculos promovidos pela sala piô, da mesma Rádio.
De 1985 a 1987, Maranax integrou, como vocalista e director artístico, o “Agrupamento Variante” da Escola Comandante Gika, com Chiley, guitarra solo, Mamborrô, vocal, Mias Galheta, viola baixo, Adão , viola ritmo, Garcia António, percussão, e Paulino António, na bateria, desenvolvendo, paralelamente, projectos de animação em hotéis, discotecas, cinemas e centros recreativos, tendo visitado, nesta condição, as províncias do Huambo, Cuando Cubango, Malanje, Benguela, Huíla, Namibe, Bengo, Cuanza Sul e Cuanza Norte, Bié e Moxico, contratado pela Direcção da Acção Cultural e Artes, Delegação de Cultura, União Nacional dos Artistas e Compositores. Maranax foi um dos orientadores de aprendizagem de violão, na Escola 4003, no Sambizanga, onde os estudantes venceram o Prémio Internacional Schoolnet, promovido pela petrolífera italiana ENI, que teve a participação de estudantes oriundos de vários países: Estados Unidos, Canadá, Itália, Noruega, Austrália, Indonésia, Paquistão, Tunísia, Egipto, e Timor-Leste.

Mobilização


Maranax foi mobilizado, em 1987, para cumprir formação militar na escola político-militar Comandante Gika, tendo concluído o curso médio de Ciências Políticas. Após esta formação, foi transferido para o Cuando Cubango e enquadrado no batalhão de defesa anti-aérea da oitava brigada,  das FAPLA.
 É desta época a sua integração na banda, “Quatro Vozes Sudoeste”, QVS, com Mamborrô, Nero Neco, e Jota Jota, vozes, Barrito, percussão, Maluka, bateria, Kituxi, viola baixo, Tchombé, viola ritmo, e Fuxi, na coordenação do grupo, que participou em quase todas as actividades recreativas e militares no Cuito Cuanavale, Ciúndo, Menongue, e Missombo, localidades que formavam a Sexta região militar do Cuando Cubango. Desmobilizado em 1992, Maranax regressou a Luanda, e ficou ligado a vários projectos musicais, com os cantores: Walter Ananás, Sabino Henda, Mamborrô, Nero Neco, e Jota Jota, apoiados pelos radialistas, Adão Filipe e Mateus Cristóvão, da Rádio Luanda.

Concerto

Maranax, viola ritmo e coros, apresentou-se na III Trienal de Luanda, sábado último, com a “Banda Ocasião” formada por Lucas Miguel, Shiley, voz e viola solo, Francisco Fernandes, Segura Show, voz, António Domingos, Tony, viola baixo e teclado, Armindo Santos, Boy Lancha, teclas, Isac Santos, Isac, bateria, e Luís Almeida, Pio Wi, percussão.   A “Banda Ocasião” interpretou canções de Artur Nunes, Artur Adriano, Tony do Fumo, Sofia Rosa, Óscar Neves, Calabeto, Zecax, Cesária Évora, Banda Movimento, Tito Paris, Carlos Burity, Shiley, Dom Caetano, Segura Show, Mig, Edurado Paim, Lulas da Paixão, Tabanca Djaz e Irmãos Almeida. 

Discografia


No período de 1987 a 1990, Maranax gravou nos estúdios da CT1 da RNA 10 músicas para registo em disco para o Instituto Nacional do Livro e do Disco (INALD), dirigido pelo então Director da ENDIPU, António Fonseca. Deste registo fazem parte as canções “Vai-te embora”, “Mamã Maria”, “Sonhar”, “Vavó”, “Carta de amor”, “Juliana”, “Boite”, “Mano” e “Macumbeira”. Em 1994 gravou o sucesso, “Amélia fofoqueira”,  tema que veio ser regravado, no CD “Marútcha”, editado em 2011, designação do disco,  inspirada na sonoridade do seu nome,  Maranax. Do CD “Marútcha”, fazem parte as canções “Titia Nginga”, “Estou cansado”, “Marútcha do Marana”, “Maldade há pra burro”, “A farra do assobio”, “Fofazuda”, “Pobre coração”, e “Optimista”.

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