Cultura

Disco de Dom Caetano homenageia dois colegas

Manuel Albano

O guitarrista Zé Keno e o cantor Beto de Almeida foram homenageados a título póstumo com a inclusão das músicas “Nova Cooperação” e “Vizinho”  no terceiro disco, “Esperança Divina”, de Dom Caetano.

Venda e sessão de autógrafos decorreu no sábado na Praça da Independência, em Luanda
Fotografia: Jaimagens/Fotógrafo

O álbum foi lançado, sá-bado, na Praça da Independência, em Luanda, tendo o autor dito que faz um singelo reconhecimento dessas duas figuras da música angolana pelo contributo presta-do para o desenvolvimento desta arte.
De acordo com Dom Caetano, o exímio guitarrista Zé Keno, falecido em Agosto do ano passado, e Beto de Almeida, falecido em Outubro de 2013, na Namíbia, tinham ainda um legado a transmitir às novas gerações.
Embora quisesse prestar essa homenagem muito antes, lamentou o facto de ter obtido  patrocínio apenas este ano para a conclusão do disco. “Sempre quis render uma homenagem a essas figuras, pelo que fizeram pela divulgação, preservação e valorização da música angolana.”
No lançamento do disco, houve venda e sessão de autógrafos, o mesmo serviu para reencontrar amigos, colegas e aproximar-se dos admiradores. Num ambiente calmo, a Praça da Independência parecia mais uma daquelas manhãs de encontro familiar. A prioridade para a venda foi dada aos “kotas”, perfilados, deixando os mais jovens para o segundo plano.
Autor do sucesso “Nova Cooperação”, Dom Caetano disse sentir-se realizado, pelo que tem feito ao longo dos 45 anos de trabalho artístico. “Trabalhar com os jo-vens tem sido uma experiência positiva, pelo qual tem dado bons resultados, principalmente para troca de experiências.”
O disco “Esperança Divina” tem 11 temas e começou a ser produzido em Maio do ano passado, quando recebeu a confirmação do patrocinador de que seria produzido pela empresa Arca Velha. Rumba, bolero, semba  e ki-zomba são os estilos das músicas, interpretadas em português e kimbundo.

Longa carreira />Em 1972, com apenas 16 anos, Dom Caetano iniciava os primeiros passos como cantor. Juntou-se a um grupo de amigos e formou a banda “The Seven Boys”, no bairro Sambizanga.
Em Portugal, gravou a primeira obra discográfica “Adão e Eva”, um CD que teve grande aceitação do público e dos críticos. “Uegia Kusokana” e “Semba Dilema”, dois grandes sucessos deste CD. Em 1987, sagrou-se vencedor do Prémio Welwitchia, atribuído pela Rádio Nacional de Angola, como vocalista dos Jovens do Prenda, com a canção “Nova Cooperação” e, em 1991, ganhou o prémio da União Nacional dos Camponeses de Angola, com a canção “O Meu Chão Tem Tudo”.
Foi ainda vencedor do primeiro e único Prémio Sonangol da Canção, em 1996, com a música “O Pecado Carnal”. Ficou em sétimo lugar, num universo de 10 concorrentes, no primeiro Festival da Canção Política, organizada pela JMPLA, em 1982, na cidade do Huambo.
Subiu ao palco pela primeira vez em 1973, no Centro Cultural Os Anjos, no Sambizanga, e foi acompanhado pelo conjunto Astros. Nesse mesmo ano, em companhia de alguns amigos dos bairros Mota e Cabuite, formou o conjunto Os Sete Amigos.
Ainda em 1973, esteve ligado ao Surpresa 73, do Rangel, como guitarrista baixo. Passou, também, pelos Sete Incríveis, do Sambizanga. Entre 1976 e 1979, como vocalista actuou no “Combo Revolucion”, em Havana.
De 1985 a 1996, fez parte, como vocalista, de Os Jovens do Prenda, passando pelo Instrumental 1º de Maio. De 1999 a 2001, passou pela Banda Movimento, que na altura  pertencia ao Movimento Nacional Espontâneo. De 2003 até à presente data, está ligado à Banda Movimento da Rádio Nacional de Angola.

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