DVD “Quintal do semba” exibido na Academia BAI

Jomo Fortunato|
29 de Setembro, 2014

Fotografia: Kindala Manuel

O debate sobre temas culturais, cinema, promoção da leitura e divulgação do livro, têm sido os tópicos principais da agenda cultural da Academia BAI, inseridos num projecto de divulgação da  cultura angolana e internacional, em sessões dirigidas aos formandos da Academia e público em geral.

O passado dia 26 de Setembro esteve reservado à exibição do documentário, “Quintal do semba”, protagonizado pelo cantor e compositor, Paulo Flores, no âmbito do espaço “Grandes obras, grandes filmes”.
Segundo a  Coordenadora da Biblioteca da Academia BAI, Kâmia Madeira, “as sessões enquadram-se num amplo projecto de dinamização da cultural. Para o efeito, foram criadas três actividades mensais, gratuitas, que decorrem sempre ao fim do dia. Nas sessões do “À Conversa com”, por exemplo, convidamos um orador que vem dissertar sobre um tema pertinente, dispondo de trinta a  quarenta e cinco minutos para o fazer, dando depois espaço ao debate. 
No “livro da minha vida” o orador selecciona um livro que o tenha marcado, e instaura o debate à volta do conteúdo da sua referência literária.  Temos também as sessões de “Grandes obras grandes filmes”, que consistem na  exibição de obras literárias que foram adaptadas ao cinema. Importa esclarecer que, em relação ao “Grandes obras grandes filmes”, mudamos ligeiramente o conceito, e, neste segundo semestre, vamos exibir filmes e documentários que abordam temas ligados à Música Popular Angolana. Neste sentido,  abrimos com o DVD “Quintal do semba”, do cantor e compositor, Paulo Flores. Na verdade, temos tido um público diversificado, maioritariamente jovens, alguns dos quais provenientes das províncias, que têm nestas sessões a oportunidade de fruição de diversos temas culturais”, concluiu a coordenadora.

Quintal


O quintal, enquanto espaço físico delimitado, surge com a noção de posse, inexistente nas sociedades rurais africanas, onde predominava a partilha e a  vivência comunitária.  Espaço de trabalho, convívio, tertúlia  e dança, o quintal angolano, sobretudo o dos “musseques”, reveste-se de assinalável  importância simbólica e cultural, sendo uma continuidade do espaço rural. As grandes “Kizombas”, aqui na acepção de farra, e não de género musical,   eram realizadas em quintais de ceú aberto e chão não asfaltado. A poeira que se levantava, em resultado dos passos frenéticos de dança significavam o auge e satisfação da festa.
Neste sentido o DVD “Quintal do semba” é também uma homenagem à dimensão simbólica dos quintais de festa, enquanto referência cultural, e aos cantores e compositores que têm lutado pela sobrevivência do semba, ao longo da história da Música Popular Angolana.
Produzido em  Luanda, o DVD “Quintal do semba” é o resultado dos  concertos do projeto “Quintal do Semba”, que teve a voz principal de  Paulo Flores.  A produção do DVD respondeu à preocupação de promover um diálogo entre a tradição e a contemporaneidade, de suma importância para a preservação e revitalização do semba. Com cento e trinta e três minutos de duração, o DVD foi gravado, substancialmente, na Rádio Nacional de Angola.
Participam no DVD o cantor e compositor, Paulo Flores, Carlitos Vieira Dias (voz e guitarra, João Ferreira e Dalú Rogée (percussão), Nanutu (saxofone), Mias Galheta (baixo), Tedy Nsingui (guitarra solo), e Ângela Mingas (participação especial em dueto com Paulo Flores, na canção “Nguxi”).
No DVD, gravado em 2003, Paulo Flores interpreta as seguintes canções: “Kappopola Makongo”, de Cirus Cordeiro da Mata, Rapsódia angolana , Velho Andjolo, de Filipe Zau e Filipe Mukenga,  Funge de Domingo,”Mufete”, de André Mingas,  Rapsódia brasileira: Maria das Mercedes, de Djavan, Um tom, Gostoso veneno, da Alcione, “Nguitabulé”, dos Kituxe e seus acompanhantes, “Palamé”, Lemba, “Luandei”, “Nzala”, Consciente, Serenata Angola, “Isua ioso”,  Nguxi, e  Poema do Semba.

Conversas


As sessões designadas, “À conversa com”, foram iniciadas em 2013 com o poeta José Luís Mendonça, que apresentou o tema “Risoterapia”, no dia 22 de Abril. Seguiu-se depois o debate com Ana Edith Abreu que falaou sobre os condomínios na cidade de Luanda,  no dia 20 de Junho. Por sua vez José Óctavio Van-Dúnem falou de Ética, no dia 26 de Setembro, e o tema “Cultura arquitetónica em Angola” esteve a cargo da arquitecta,  Ângela Mingas, no dia 17 de Oututro.
Em 2014 a escritora Kanguimbo Ananaz falou da  “Importância e gosto pela leitura, no dia 27 de Fevereiro. Por sua vez, a escritora Alexandra Simeão falou do seu livro “Kalucinga”, no dia 19 de Junho. O escritor “Uanhenga Xitu” foi recordado por Carlos Ferreira, no dia 18 de Setembro, tendo sido reservado o dia 28 de Agosto a Honório Vaz, que falou da “Sustentabilidade ambiental em Angola”. Por último, Fernando Faria fez uma  homenagem ao António Agostinho Neto, no dia 19 de Setembro, no âmbito da semana do herói nacional.

Literatura

As sessões do espaço designado “Livro da minha vida” iniciaram em 2013,  com o investigador   António Tomás,  que no dia 24 de Maio falou da obra, “ Vou lá visitar pastores” de Ruy Duarte de Carvalho. Por sua vez a radialista e deputada, Paula Simons falou da sua relação com o livro,  “Parábola do Cágado Velho”, de Pepetela, no dia 20 de Julho. O dia 29 de Novembro esteve reservado a Alexandre Morgado que partilhou com o público a obra, “Rosinha minha canoa”, um livro do escritor brasileiro José Mauro de Vasconcelos. No dia 28 de Março de 2014, Lindomar Sousa falou do livro, “ A irmã do inocente”, e o jornalista e escritor, Luís Fernando, em sessão realizada no dia 23 de Maio do mesmo ano, falou do realismo fantástico, e da  sua relação com o livro “Cem anos de solidão”, do escritor colombiano, Gabriel Garcia Marquez.

Cinema

Em 2013, no espaço designado,  “Grandes obras, grandes filmes”,  foi exibido o filme “O fiel jardineiro”, a 20 de Setembro. Seguiram depois os filmes: “Uma mente brilhante”, 25 de Outubro, e o “Diabo veste Prada”, a 22 de Novembro.  Em 2014 já foram exibidos os filmes: “Invictus”, 31 de Janeiro, “O Crime do Padre Amaro”, 28 de Fevereiro, o “Código da Vinci”, 21 de Março, “Os três mosqueteiros”, 30 de Abril, “O Carteiro” de Pablo Neruda, 6 de Junho, “Tropa de elite, 31 de Julho, e  “O corpo da mentira”, do realizador Ridley Scott, a 27 de Junho. No dia 9 de Agosto, o divulgador e crítico de Jazz,   Jerónimo Belo, falou do percurso do saxofonista, Charlie Parker, inspirado no filme “Bird”, de 1988, dirigido por Clint Eastwod, com roteiro de Joel Oliansky. Por último o documentário, “Quintal do Semba”, da Maianga Produções, foi exibido no dia 26 de Setembro.

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