Cultura

Eddy Tussa encerra temporada em discoteca

Ferraz Neto

O músico Eddy Tussa é a figura de destaque do último espectáculo organizado pela Krystal, uma das principais casas nocturnas de música angolana a funcionar em Lisboa,   segundo informação disponibilizada pelo Dj Cubanito, um dos promotores do espectáculo.

Autor de “Kassembele” actua em Lisboa num espectáculo dedicado a Angola e Cabo Verde
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

Denominado “Noites Culturais ao Vivo com Eddy Tussa”, o autor de  “Muimbo Uami”, “Retrato”, “Diala Diame”, “Mama Koleno”, “Homenagem” e “Kassembele”, entre outros sucessos, é a figura de destaque do último espectáculo no dia 30 do corrente mês.
Segundo informação divulgada pelo Dj Cubanito, ao Jornal de Angola, a partir de Lisboa,  na noite reservada ao “Kassembele”, um dos seus pseudónimos, servirá também para a estreia no palco da Krystal do músico cabo-verdiano Leonel Almeida, uma das vozes de referência em Lisboa.
Nascido em 1952, na ilha de São Vicente,  Cabo Verde, Leonel Almeida começou a carreira artística aos 17 anos, enquanto membro do grupo Birds, ao lado do famoso guitarrista e produtor Paulino Vieira. Juntou-se mais tarde ao grupo Voz de Cabo Verde, onde trabalhou com o lendário saxofonista Luís Morais.
Juntou-se ao grupo na sua digressão pela Europa, Estados Unidos da América e África, tendo gravado alguns álbuns como vocalista principal.
No disco “Ninho Magoado”,  mostrou a “morabeza” das ilhas de Cabo Verde. Durante a actuação de Eddy Tussa, a noite será animada pelos Djs Cubanito, Mangalha Jr. e Chuchu.

Afecto pela música
Num pronunciamento recente, o cantor Eddy Tussa revelou que depois do álbum Kassembele não pretendia lançar mais obras discográficas e que abdicaria da música. Tudo porque a música já não representava uma prioridade total na sua vida e que pretendia reservar mais tempo a Deus.
O artista deixou bem claro que doravante terá outras prioridades para a sua existência para além da música, e a vida religiosa parece ser o caminho a seguir. No entanto, os pedidos dos fãs e o seu afecto pela música levaram com que Eddy Tussa recuasse da sua decisão.
Religioso das Testemunhas de Jeová, o músico tem estado a dividir a sua vivência entre Luanda e Lisboa.
Eddy Tussa surgiu no mercado musical como membro do grupo de rap Warrent B, ao lado de Kenny Bus, Meyv e Papetchulo. Tem no mercado, entre outros, “Grandes Mundos” , “Ezenu Um Tale” e “Kassembele”.
A escolha do título Kassembele, expressão na língua quimbundo que em português significa um bocado, segundo o autor, é dedicado as todas as mães, sobretudo angolanas, que têm sido abandonadas pelos filhos sem quaisquer assistência e amparo.
Segundo o autor, o disco conta ainda com as versões das músicas “Muimbu Uami”, da autoria do cantor  Elias dya Kimuezo, “do Pequenino”, letra do malogrado Mamukueno cantado por Kueno da Silva, e “Ambula Ngui Zeka”, de Kim dos Santos, como forma de continuar a  preservar a cultura e legado musical nacional.
O “Kassembele” tem as faixas “Muimbo Uami”, “Retrato”, “Diala Diame”, “Mama Koleno”, “Homenagem” e “Kassembele”, entre outras. O disco foi produzido pela Xicote Produções e conta com a participação exclusiva de voz do cantor angolanoYuri da Cunha.
Eddy Tussa é um dos defensores  da utilização das línguas nacionais nas músicas, principalmente no estilo semba, com o intuito de preservar e valorizar a cultura nacional. Para Eddy Tussa, os músicos devem ter a preocupação de aprender as línguas nacionais e saber utilizá-las, com o objectivo de valorizar cada vez mais a música nacional, embora não seja  contra com os que usam a língua portuguesa.

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