Edição de discos é actualmente mais difícil


15 de Abril, 2015

Fotografia: Reuters

Os críticos do jornal britânico “The Guardian” informaram ontem que planear a edição de discos está cada vez mais difícil, principalmente com o advento da Internet, que retirou uma parte do poder das editoras.

Antes, o lançamento de um CD podia ser preparado ao milímetro pelas editoras e constituía uma ocorrência vivida com ansiedade pelos fãs, mas actualmente em vez de um modelo para operar passaram a existir inúmeros. “Basta pensar em alguns dos lançamentos mais aguardados deste ano, como o de Madonna ou Björk que editaram digitalmente novos álbuns meses antes do previsto, depois de terem sido disponibilizados ilegalmente na Internet”, adiantaram.
“Madonna e Björk tentaram minimizar os estragos, lançando de imediato, legalmente, via digital, a música que tinham disponível. Obviamente que a estratégia foi posta em causa, com danos colaterais, porque já deviam ter acordos e contratos feitos com outras entidades, o que acaba por ser frustrante.”
O álbum do norte-americano Kendrick Lamar chegou ao iTunes e Spotify uma semana antes do anunciado e os ingleses Blur deram a conhecer na semana passada as canções de “The Magic Whip”, a serem lançadas dia 27, num concerto a ser transmitido no YouTube. A maneira como um disco é posto no mercado, informaram, passou a despertar tanta ou mais atenção do que o próprio CD. Um exemplo, apontaram, foram as acções cuidadas que rodearam as últimas edições dos álbuns de David Bowie, Beyoncé, Kanye West, ou dos U2.
O maior problema, defendem, é quando se concebe uma estratégia e ela nem chega a ser concretizada porque os discos foram disponibilizados ilegalmente na Internet meses antes da sua publicação oficial, obrigando artistas e editoras a reagir às circunstâncias, em vez de as planearem. Hoje a planificação é difícil de concretizar, sendo substituída pelo improviso e a navegação à vista. “É muito catastrófico quando uma equipa monta uma estratégia com meses de antecedência, como acontece com Madonna, que edita em simultâneo numa centena de países e acaba por ser um fracasso”, afirmam.
A disponibilização ilegal de discos na Internet não constitui uma novidade, principalmente os que são aguardados com expectativa pelo grande público. “O que é novo é o tempo de antecedência com que isso sucede. Em vez de dias ou semanas, estamos a falar de meses, colocando em causa qualquer estratégia comercial.”

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