Cultura

Estética musical com Coréon Dú

Jomo Fortunato|

A resposta laudativa da crítica especializada e da opinião pública credível, depois do soberbo concerto do Coréon Dú, realizado por ocasião da IV edição do “Luanda Internacional Jazz Festival” em 2012 quebrou o cepticismo criado à volta do perfil artístico do cantor e compositor, que se impõe, de forma natural e vertiginosa, junto dos sectores mais exigentes do mercado musical angolano e internacional.

Coréon Dú revela preocupação com a qualidade das canções que interpreta ao nível da flexão vocal e pertinência dos temas
Fotografia: DR

Quando Coréon Dú apresentou, no dia 19 de Agosto de 2010, o maxi single do CD “The Coréon Experiment”, em concerto promocional no restaurante Miami Beach, estavam lançadas as bases do início de uma fulgurante carreira musical.
Uma avaliação imanente do conjunto da obra e do talento de Coréon Dú revela-nos um cantor preocupado com a qualidade da sua prestação artística, ao nível da flexão vocal, lirismo na construção textual, pertinência na selecção dos temas que aborda, aliada a uma preocupação em estilizar o cancioneiro tradicional, socorrendo-se, pontualmente, do contributo de compositores consagrados da Música Popular Angolana.
A musicalidade de Coréon Dú, concretizada no seu primeiro CD, “The Coréon Experiment”, traduz a personalidade de um artista versátil, aberto ao mundo, sem fronteiras estilísticas e claramente inclusivo na concepção e absorção de múltiplas tipologias musicais.
Coréon Dú nasceu em Luanda no dia 28 de Setembro de 1984. Embora seja herdeiro de uma genealogia musical proveniente do sector mais representativo da história da canção política, por parte do seu pai que foi compositor, cantor e guitarrista do histórico agrupamento “Nzaji”, e pelo refinado gosto musical e interesse pelas artes, da parte da mãe, Coréon Dú descobriu a sua propensão para o canto aos 13 anos de idade, tendo participado no coral universitário como segundo tenor da “Loyola University New Orleans”, durante a frequência do seu curso de Comunicação Social e Gestão, nos Estados Unidos.

Momentos importantes

Três grandes momentos consagraram, em Angola, a fase inicial da trajectória artística de Coréon Dú, configurando a intenção, resoluta, de prossecução de uma carreira musical: a virtuosa interpretação da canção, “Kambuta, do cantor e compositor Tanga, no dia 11 de Novembro de 2011, com a Orquestra Clássica da Madeira, dirigida pelo Maestro Rui Massena, no Concerto Sinfónico Clássicos da Música Angolana, no Centro de Conferências de Belas, por ocasião das comemorações da independência de Angola, a participação na IV edição do “Luanda Internacional Jazz Festival”, em Julho de 2012, ao lado de grandes nomes do Jazz  angolano e internacional como  Concha Buika, Boyz II Men, Marcus Miller, Totó e  Sara Tavares, e  a participação na “Noite Angola edição 2011”, no prestigiado Centro Cultural e Recreativo Kilamba, tendo dividido o palco com : Patricia Faria, Edy Tussa e C4 Pedro.
 
Formação académica

   
Formado em Ciências da Comunicação e Gestão de Empresas pela “Loyola University New Orleans”, em 2006, Coréon Dú fundou a Semba Comunicação, como produtor e director criativo de inúmeros projectos. Em 2010 concluiu o “Masters of Art in Dance Theatre: The Body in Performance”, na prestigiada “Trinity Laban Academy of Music and Dance”. 

Realizações culturais


Enquanto promotor e director criativo, Coréon Dú dedica-se profissionalmente no domínio da cultura em Angola, desde 2001, com a Z|E Designs, mais tarde designada Z|E Produções, em projectos ligados à moda e à produção de eventos que o levaram, de forma automática, para o trabalho com a música, teatro, televisão e dança.  No conjunto das suas realizações, destacamos “Bounce”, concurso de dança do segundo canal da Televisão Pública de Angola, Teatro, produção e criação de figurinos da peça “Jacto de Sangue” (2003) e organização do projecto “Mergulho no Teatro”, seminário de formação de cerca de 200 actores, criação do “Festival Internacional I Love Kuduro” e, no domínio da moda, o “Elite Model Look Angola” (2010).
O cinema e a televisão estão no foco das atenções de Coréon Dú. É assim que surgiu o “Eu na TV” (2007), um projecto que visa descobrir jovens talentos anónimos. “Momentos de Glória” (2009), curta-metragem experimental, que retrata vários momentos caricatos do quotidiano e do imaginário angolano, indicado para o prémio de melhor curta-metragem experimental, no Festival de Cinema Independente de Oaxaca, filme que participou igualmente no Wildsound Festival e Cannes Shortfilm Corner. A Semba Comunicação realizou recentemente a película “Rainha Njinga”, um filme que reconstitui a história da grande heroína angolana.

Solidariedade social


Artista solidário, Coréon Dú esteve directamente ligado ao projecto “Droga, diga não”, em 2005, uma iniciativa social que envolveu músicos, profissionais da saúde e a media angolana, num debate aberto sobre a toxicodependência, que teve continuidade com a iniciativa “Delinquência, Estou Fora”, que abordou a delinquência juvenil em Luanda e o consumo excessivo de álcool.

Discografia do autor


Coréon Dú lançou em 2010 o seu CD de estreia, “The Coréon Experiment”, que teve participação dos cantores e compositores André Mingas, a dupla Filipe Mukenga e Filipe Zau, DJ Manya, Matias Damásio, Simmons Massini, Wyza, Heavy C e Jeff Brown. “The Coréon Experiment” desdobra-se pela Pop Music, Semba, Jazz, Pop, Funk, Bossa-Nova, Rock, Afro-Beat, Lounge e ritmos latinos.
Coréon Dú foi o responsável em 2011 pela direcção criativa, selecção do reportório e produção executiva do CD “Marcas de Angola, Angolan Sound Experience”. Neste CD, Coréon Dú interpreta as canções “Kibolobolo” e “Felicidade”, a última um clássico do Kuduro, da autoria de Sebem, inaugurando, de forma revolucionária, um processo de introdução de harmonias, típicas do Jazz, num género musical essencialmente rítmico, o Kuduro. Em “Kaputo muá ngolê”, Coréon Du revive a época das canções da guerrilha, durante o processo da luta anti-colonial.
Em 2013 lançou o EP, “The We DÚ Experiment”, remixes do “The Coréon Experiment”, com canções inéditas, altura em que deu a conhecer a logomarca “Wedú-Comunidade Criativa”. “The We DÚ Experiment” teve as participações de Phil Asher, Jerry Charbonier, Simmons Massini, Elias & Devina, Dj Satelite, Daniel Haaskman, Lenni Sez, Dj Mania, Dj Spooky e Luiz Brasil.

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