Factor de unidade entre os criadores

Manuel Albano|
22 de Agosto, 2014

Fotografia: Dombele Bernardo

O músico e compositor Sabino Henda disse ontem ao Jornal de Angola que o Festival Nacional de Cultura (FENACULT) vai servir de “bilhete-postal” e como factor de unidade e promoção dos artistas nacionais.

Para isso, Sabino Henda defende a realização de um festival inclusivo e abrangente, capaz de aproximar as culturas e populações das várias regiões do país. “Temos muitos músicos no interior com boas produções musicais, mas precisam de mais espaço para interagir e o festival pode ser a uma porta para esse propósito”, disse.
O compositor espera que a iniciativa possa ser um meio de mobilização dos agentes culturais, empresários e do público. “Devemos estar todos empenhados em que o festival atinja o seu propósito e promova bastante as artes e os seus criadores”, realçou o músico, natural do Bié.
Por envolver centenas de artistas das mais variadas disciplinas artísticas, considerou que o festival vai servir, ainda, como uma fonte de pesquisa para os artistas, o que pode ajudar a promover, preservar e conhecer outras culturas. “O festival não deve ser visto apenas na vertente comercial, mas também como uma fonte boa de pesquisa, capaz de dar mais e novas bases para os criadores explorarem o seu potencial através de outras culturas”, salientou.
O autor de “Embrião”, que está a trabalhar na recolha de alguns aspectos do folclore nacional para incluir no seu próximo disco, disse que já é visível o envolvimento da sociedade no festival. “Apesar de estarmos apenas à espera da divulgação do programa das actividades, todos os artistas devem assumir já o compromisso de dar o seu máximo contributo para o êxito do festival”, destacou.
Sabino Henda foi, no começo dos anos 80, uma referência da música infantil. Estreou-se em 1980, no Bié. É autor dos CD “Sobrevivo só”, de 1995, “Poeira velha”, 1999, “Hamiulo”, 2000 e “De lá para cá”, 2004.
O músico conquistou o Top dos Mais Queridos em 2004, com a música “Embrião”, do disco “Hamiulo”. Depois saiu da ribalta, mas nunca se desligou. Venceu vários concursos, com destaque para o Festival da Canção de Luanda, em 2000, o Variante, em 2002, o Top Rádio Luanda, em 2003, e o Top dos Mais Queridos, em 2004.

Novos talentos


O músico Bessa Teixeira considerou que o FENACULT deve servir, principalmente, de base para maior mobilização dos agentes culturais do Huambo e como razão para uma aposta mais forte na diversificação das actividades artísticas.
Além disso, defendeu a criação de mais espaços de carácter cultural, que permitam a promoção e divulgação das danças tradicionais. “Temos também de motivar a criação de grupos de dança tradicionais, através de festivais regionais, para permitir a outros géneros artístico ganhar espaço”, disse.
Quanto à realização do II FENACULT, o músico, que canta sungura, semba e kipalanga, considera o festival como uma oportunidade especial para todos os artistas, devido à sua abrangência, que precisa apenas da participação e empenho de todos para ser uma actividade de referência em África, como o Festival Panafricano de Música (FESPAM), que se realiza em Brazzaville. “Participei nesta actividade no ano passado com a cantora Bela Chicola e a Banda Acapaná e descobri que o FESPAM tem ajudado a promover a troca de experiências e é um exemplo de união entre os africanos”, destacou.
O músico adiantou ainda que tem estado a realizar, no Huambo, um trabalho para a descoberta e promoção de novos talentos, particularmente os da região centro e sul de Angola, como forma de passar o seu legado.
Entre os jovens que tem estado a acompanhar destacou a banda Geração Nova, composta por Kito (bateria), Hernane (percussão e vocalista), Tio Hossy (teclas), Artur (baixo) e Hander (guitarra).
Nascido no bairro São Bartolomeu, no Huambo, em 1964, Bessa Teixeira liderou o projecto “Vozes do Planalto”, uma colectânea que incluiu vários músicos da região centro do país, produzida em 2002.
Notabilizou-se no mundo da música com os temas “Okassipi Ove a Mãy” (“Aonde estás querida mãe”) e “Ndilissunlulã” (“Vou me despir”), com o qual conquistou a segunda posição do Top dos Mais Queridos 2003. Em 2012, Bessa Teixeira lançou o disco “Não me olhe assim”.

Maior abertura


O artista Justino Handanga disse que o FENACULT vai ajudar a promover a música da região, que tem tido um crescimento acentuado nos últimos anos. “O festival vai ajudar a dar uma maior visibilidade as actividades artísticas realizadas no interior e abrir uma porta para poderem vingar no mercado”, justificou.
O músico recordou que a primeira edição do FENACULT, realizada em 1989, serviu como uma “porta aberta” para divulgar e promover os artistas com talento, que ainda se encontravam no anonimato.
De acordo com o artista, apesar das vantagens, o festival deve primar pela diversidade, aproveitando o momento para “criar mais espaços de diálogo, onde cada um possa ser um agente activo”, disse.
Natural do Bailundo, Justino Handanga começou a sua carreira nas ex-FAPLA. Em 1990, gravou o primeiro tema, “Tchilo tchasulila” (“Agora terminou”), no programa “Angola Combatente”, da Rádio Nacional de Angola. Participou ainda no projecto Vozes do Planalto, com os temas “Lonamba”, “Ndu mbalundo” e “Tenho Saudades”, que o tornaram conhecido. Foi o vencedor da categoria de Música da última edição do Prémio Nacional de Cultura e Arte, em 2013, pelo contributo das suas obras e preservação do folclore angolano.

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