Festival de música do Sumbe faz interregno

Víctor Pedro e Casimiro José | Sumbe
23 de Setembro, 2014

Fotografia: Fernando Camilo

O governador do Cuanza Sul, Eusébio de Brito Teixeira, anunciou, ontem, que devido as diversas obras de requalificação da cidade do Sumbe, a próxima edição do Festival Internacional de Música do Sumbe (FestiSumbe) vai ser adiada para 2016.

O dirigente disse que a decisão, tomada de comum acordo entre os organizadores, vai ajudar a identificar um espaço mais condigno para os espectáculos, que aproxime mais  munícipes e visitantes dos artistas convidados.
O governador felicitou ainda todos os organismos, que directa e indirectamente participaram na organização e realização do festival, por terem respondido às ansiedades do público. “O civismo e a convivência harmoniosa durante os dois dias do FestiSumbe são qualidades que enchem a todos, organização e participantes, de orgulho. Esperamos que seja assim também nas futuras realizações”, disse.
O responsável, que assistiu o festival durante os dois dias, enalteceu o valor do evento para a província, nas vertentes cultural e socioeconómica, assim como destacou a importância do mesmo na criação de pequenos negócios e na troca de experiência entre artistas da velha e nova geração.
A 14ª edição do FestiSumbe, que foi aberta na sexta-feira e encerrou domingo, no antigo Complexo Hoteleiro da Catermar, mobilizou milhares de pessoas do Cuanza-Sul e vindas também das vizinhas províncias de Benguela, Huambo, Bié e Luanda.
Pelo número de admiradores, a organização, o Governo Provincial do Cuanza Sul e a Casa 70 fizeram um balanço positivo da actividade, não só pela abrangência e a abertura que dá aos artistas nacionais, mas também por permitir um maior intercâmbio com vários músicos estrangeiros convidados. O festival, que acontece todos os anos, em alusão às festas da província, que começam no dia 15, foi realizado este ano, pela primeira vez, no Ex-Complexo Hoteleiro da Catermar, localizado também a beira-mar como o antigo palco,na Avenida Marginal do Sumbe.
A mudança de local deveu-se as obras de requalificação da Avenida Marginal.

Os espectáculos

Com um elenco artístico ao gosto de todas as idades e diferentes estilos, o primeiro dia do festival internacional de música do Sumbe foi antecedido de lançamento de fogo de artifício, às 21h30.
As honras da casa foram feitas pelo governador da província, que enalteceu a dimensão do festival internacional, particularmente para os artistas locais, por terem mais possibilidade de ganharem protagonismo e adquirir experiência. A abertura do espectáculo foi feita às 21h58 pelo grupo de dança moderna Nova Geração, do Sumbe. Depois a Banda Sagrada Esperança da Boa Entrada, também do Cuanza Sul, fez a sua estreia, assim como os músicos Xilei e Cagíbua.
Minutos depois foram anunciadas as actuações do músico do Sumbe Tio Cardoso, Banda Maravilha, que acompanhou os Boy G Mendes, os músicos Kristo, Euclides da Lomba e Bangão.
Nas primeiras horas de sábado, foram as vozes de Nsoki, Beni e Yannick (Afromen) que animaram o público. A Banda TII Swing Guadalupe foi outro dos convidados estrangeiros que deram outro fôlego ao espectáculo, com o apoio dos artistas Alex Alex, Thierry Chan e Yves Honore do Experience 7.
Após a festa do Zouk, proporcionada por artistas das Antilhas e de Guadalupe, foi a vez dos músicos nacionais voltarem ao palco, com Arsénio Morais, os kuduristas Detroia. Yuri da Cunha, um dos artistas tradicionais do FestiSumbe, “assaltou” no seu jeito peculiar o palco com o melhor do seu reportório discográfico.
No sábado, segundo e último dia do festival, o espectáculo começou às 23h00, com o grupo de percussão Celamar, de Luanda. Depois cantou o cabo-verdiano Leonel Almeida e a sua banda.
Quando faltavam dois minutos para a meia noite, Kyaku Kyadaf, artista revelação do momento subiu ao palco. Momentos depois foi a vez de Tânia, da Venezuela, e a sua banda actuarem durante 30 minutos.
Os músicos do Cuanza Sul voltaram a ser os protagonistas da festa com Teresa Godinho, a quem sucedeu a banda Voga, que acompanhou também os músicos Fedy, Sabino Henda, Bessa Teixeira, Man Sembila e João Bernardo.
Às 2h15 de domingo, o espectáculo tomou novo “furor” com a actuação de Anselmo Ralph e a sua banda. A expectativa do público aumentou ainda mais com o músico seguinte, Puto Português. O encerramento do festival ficou a cargo da kudurista Noite e Dia.

A organização

O FestiSumbe deste ano, informou a organização, no seu balanço, registou uma afluência muito baixa de público no primeiro, devido a mudança de palco. Quanto a estrutura do próprio festival, a organização deu nota positiva a Casa 70.
A organização realçou ainda que um dos melhores aspectos do primeiro dia foi a qualidade técnica, como o som e iluminação, colocada à disposição do público pela empresa Sector Sete.
Alguns músicos participantes no festival enalteceram igualmente a organização pela sua estrutura e elenco que primou, essencialmente, ppor músicos angolanos. Euclides da Lomba, um dos artistas convidados, disse ao Jornal de Angola que o FestiSumbe é uma mais valia para a classe por dar mais oportunidades aos artistas, consagrados ou da nova geração, de mostrarem o seu talento.
“É a melhor forma de galvanizar a carreira dos músicos angolanos e, ao mesmo tempo, dar mais possibilidades destes estabelecerem novas parcerias”, adiantou.
Para a cantora Nsoki, participar no festival representou mais um passo na evolução da sua carreira. “A experiência que se obtém ao dividir o palco ou ao ouvir os cotas, recebendo um ou outro conselho, sobre a dicção, melodia ou a composição, já é um ganho para qualquer jovem músico”, destacou.
O cabo-verdiano Leonel de Almeida, que também esteve entre os convidados, mostrou-se satisfeito por participar no festival, o qual considerou ser uma oportunidade única. “Tive uma recepção acolhedora. Acredito que o crescimento e a abertura do mercado discográfico é um sinal positivo no engrandecimento da própria arte, assim como uma luz verde para os artistas de outros países dispostos a investir em Angola”, disse.

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