Cultura

Filipe Mukenga dá recital de música

Manuel Albano |

Emoção, serenidade e música de muito boa qualidade, foi o que se evidenciou durante o primeiro dos dois espectáculos apresentados por Filipe Mukenga e o brasileiro Jorge Vercillo, sábado à noite, na Casa 70, inserido no projecto Serenatas à Kianda.

Artista fez dueto com o brasileiro Vercillo
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

Filipe Mukenga tornou-se definitivamente, ao longo dos tempos, num músico inesgotável, quanto ao seu repertório artístico. De poucas palavras, mas sempre comunicativo com o seu público, Mukenga subiu ao palco para interpretar os seus melhores sucessos.
O cantor angolano esteve ao seu melhor nível acompanhado sempre com a sua banda, onde os admiradores foram brindados com os seus clássicos. Eram precisamente 21h10, quando o apresentador e mentor do projecto, Serenatas à Kianda,  Figueira Ginga, anunciava a entrada de Filipe Mukenga.
Com um cenário montado propositadamente para criar um ambiente mais acolhedor, entre a plateia, maioritariamente composta por angolanos e brasileiros, Filipe Mukenga começou a sua incursão a interpretar “Yalta”, seguindo-se “Quero o meu descanso” e “Mulheres do Golungo Alto”.
Pelas suas sugestões rítmicas e vocais com muita influência pelos estilos jazz, rock e Música Popular Brasileira, Filipe Mukenga mostrou, em palco, ser também resultado de estilos que percorrem o mosaico das canções populares.
Diante de uma plateia selectiva, participativa e emotiva, Mukenga conseguiu enriquecer culturalmente os seus admiradores com as sua canções, que procuram transmitir mensagens sobre os lugares e sítios, povos e culturas.  Arrancando sempre inúmeros aplausos e assobios, Mukenga faz os espectadores flutuar na sua imaginação, quando interpretou “Ji menina”, “Tembekekenu”, “Angola no coração”, “Blues pala Nguxe” e “Balabina”.

 Tributo à mãe  


O tema “Nvula” composto na década de 60, propositadamente para dedicar à sua mãe Isabel André, com 102 anos, foi um dos momentos mais emocionantes da actuação. “Quero dedicar uma vez mais esse canção a minha querida mãezinha”.
Dando seguimento ao guião Filipe Mukenga interpretou o tema “Minha terra, terra minha”, também conhecida como (Filho de Cabinda). Nesta altura do espectáculo e cumprida todas as formalidades dos comes e bebes, mais ninguém queria ficar sentado. Cada um procurava o melhor ângulo para poder registar o momento.  Seguiram -se os temas “Eu vi Luanda, “Vutuka, I love you”, “Ndilokewa” e juntou-se então no mesmo palco em dueto Filipe Mukenga e Jorge Vercillo para interpretarem o clássico “Humbiumbi”.
Jorge Vercillo, um dos grandes nomes da música popular brasileira (MPB), teve o seu momento para brilhar em palco. Acompanhado do inseparável percussionista Léo Mucuri, que durante o espectáculo conseguiu manter acordado os espectadores com a sua forma interactiva de manusear os instrumentos acústicos.
Jorge Vercillo, durante a actuação mergulhou no seu vasto repertório para interpretar “Leve”, “Em órbita”, “Invisível”, “Ela une todas as coisas”, “Melhor lugar”, “Encontro das águas”, “Quando eu crescer”, “Sensível demais”, “Ciclo”, “Monalisa” e “Reino das águas claras”.
  O brasileiro teve ainda tempo para cantar “Final feliz”, “Penso em Ti”, “Arco íris”, “Praia nua”. Outro dos momentos mágicos do concerto deu-se quando o músico brasileiro convida Filipe Mukenga para interpretarem um dos seus maiores êxitos, a canção “Que nem maré”.
Como  excelente melodista, fruto das suas lindas interpretações, Jorge Vercillo, cantou ainda o tema “Fênix” da trilha sonora da mini-série brasileira “A casa das 7 mulheres”.

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