Génio do rei é recordado


17 de Maio, 2015

Fotografia: AFP

O legado de B.B. King, três dias após a sua morte, continua a ser recordado nas redes sociais e em entrevistas de vários músicos norte-americanos devido ao génio e a criatividade da sua arte.

“Muitos tocam milhares de notas e não dizem o que tu conseguias com uma”, escreveu Lenny Kravitz num tweet sobre o brilhantismo do rei dos blues. A magia, disse, estava na nota.
O célebre músico morreu na quinta-feira, aos 89 anos, em Las Vegas, EUA. No início de Abril, B.B. King, considerado o “rei dos blues” e que entrou para o Rock and Roll Hall of Fame em 1987, foi hospitalizado depois de sofrer uma desidratação causada pela diabetes de tipo 2 de que padecia há mais de 20 anos.
O Presidente dos EUA, Barack Obama, que em 2012 o recebeu na Casa Branca, também expressou os pêsames: “os blues perderam o seu rei, a América perdeu uma lenda.”
As reacções de pesa, provenientes de todos os quadrantes, rapidamente se avolumaram nas redes sociais nas horas a seguir ao anúncio da sua morte. De Ringo Starr a Snoop Dogg, de Bryan Adams ao vocalista dos Kiss Gene Simmon.
Ao longo da carreira, B.B. King, que foi distinguido com 15 prémios Grammy, criou um estilo único que o tornou num dos músicos mais respeitados e influentes do “blues”.
Ao “Los Angeles Times”, o músico Eric Clapton disse que “B.B. King era universal” e “toda a sua arte não podia ser confinado a um único género musical, pela grandeza e abrangência”. “É por isso que lhe chamo um músico global”, sublinhou.
B.B. King não conseguia tocar e cantar ao mesmo tempo, tendo sido essa a razão pela qual criou um estilo único, no qual ao verso cantado se seguia o solo de guitarra. Este elemento, surgido devido a uma incapacidade tornou-se crucial para o “blues”, assim como para o rock que tem raízes neste género musical.
Sempre acompanhado pela sua guitarra Lucille, nome de um dos seus maiores êxitos, o músico norte-americano tornou-se numa autêntica lenda em todo o mundo, fundindo os “blues com o jazz” nos acordes da sua Gibson ES-344.
Nos seus melhores anos, B.B. King chegou a dar em média 342 concertos por ano, lembra o “LA Times”.  Mesmo quando a saúde começou a falhar manteve um impressionante registo de actividade artística. A revista “Rolling Stone” colocou-o apenas atrás de Jimi Hendrix e Duane Allman na lista de melhores guitarristas de todos os tempos. Para a história ficam temas como “Three O’Clock Blues”, “The Thrill Is Gone” e “When Love Comes to Town”, em colaboração com os irlandeses U2.
Entre os clássicos daquele que é considerado dos maiores guitarristas da história destacam-se também temas como “Payin The Cost To Be The Boss”, “How Blue Can You Get”, “Everyday I Have The Blues” e “Why I Sing The Blues” e algumas \'jóias\' do início de carreira, como “You Don’t Know Me”, “Please Love Me” ou “You Upset Me Baby”.

Canto de Lucille


Mais do que a sua colecção de 15 Grammy, mais até do que os milhões de discos que vendeu em todo o mundo, B.B King deu um rosto popular aos blues. Para uns quantos, Howlin’ Wolf, Muddy Waters ou Robert Johnson são nomes mais emblemáticos desta música.
B.B. King alcançou um reconhecimento muito para além da sua origem musical, tendo trabalhado ao longo da carreira com alguns dos nomes mais importantes do rock como Eric Clapton, George Harrison, Rolling Stones, David Gilmour, U2 ou Joe Cocker.
Em parte, como salienta o crítico do “New York Times” Jon Pareles, pela sua infatigável vida na estrada, tocando por todo o mundo em toda as oportunidades que se lhe apresentassem. Era habitual fazer mais de 250 concertos por ano.
Riley B. King nasceu em 16 de Setembro de 1925 numa plantação de Itta Bena, Estado norte-americano do Mississípi. Ali começou a tocar, a troco de algumas moedas, na esquina da igreja com a Second Street, até 1947, quando rumou à cidade de Memphis para iniciar a carreira musical.
Memphis, uma comunidade musical que reunia todos os estilos de música afro-americana, era a “Meca” dos músicos do sul e King foi ajudado pelo primo Bukka White, dos maestros dos “blues” daquele período. O seu estilo inspirou muitos guitarristas de rock, como Mike Bloomfield, Albert Collins, Buddy Guy, Freddie King, Jimi Hendrix, Otis Rush, Johnny Winter, Albert King, Eric Clapton, George Harrison e Jeff Beck. O célebre artista norte-americnao deixa 14 filhos e mais de 50 netos.

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