Guitarrista quer transmitir legado

Manuel Albano|
5 de Agosto, 2014

Fotografia: João Gomes

O guitarristas Marito, antigo intrigante dos Kiezos e um dos homenageados do Muzongué da Tradição realizado no domingo, no Centro Cultural e Recreativo Kilamba, em Luanda, disse pretender dar aulas de guitarra à nova geração de músicos, como forma de transmitir o seu legado.

O artista, que está afastado do mundo da música há mais de dez anos por motivos de saúde, explicou ao Jornal de Angola que tem passado o seu testemunho aos jovens dispostos a aprender com a sua experiência de mais que 40 anos.
Marito referiu que tem pedido apoios aos empresários e agentes culturais para abrir uma escola específica para ensinar a tocar guitarra. “Precisamos que os empresários sejam mais flexíveis e ajudem os artistas, em especial os consagrados, a concretizarem os seus projectos, para promover e incentivar o surgimento de novos criadores”, disse.
O guitarrista agradeceu ainda à organização a homenagem e disse esperar que a nova geração de músicos consiga dar continuidade aos géneros musicais angolanos, com particular destaque para o semba.
O outro homenageado, Zé Keno, dos Jovens do Prenda, disse que, apesar da homenagem ser tardia, está satisfeito pelo Centro Kilamba ser uma das poucas casas culturais no país a reconhecer o contributo que os músicos consagrados deram para o desenvolvimento da música angolana urbana e popular, no país e no estrangeiro.
O músico aconselhou os artistas da nova geração a apostarem um pouco mais nos vários géneros musicais, com particular destaque para o semba, que é hoje o estilo nacional de maior referência. “Sinto-me feliz por ver a nova geração cada vez mais a inclinar-se e ajudar a promover e preservar os estilos musicais angolanos, mostrando que apesar da introdução de novas tendências continuam a valorizar as suas raízes”, disse.

A festa do Muzongué


Num ambiente festivo, os fãs de Zé Keno e Marito, considerados dois dos maiores guitarristas angolanos, viram também o talento de Boto Trindade, que interpretou “Obrigado meu amigo”, “Benguela libertada”, “Memórias de Lamartine”, “Semba Henda” e “Angola”, da autoria do homenageado Marito. Por sua vez, o guitarrista Zé Mualeputo, convidado a interpretar alguns instrumentais dos Jovens do Prenda de Zé Keno, conseguiu conquistar o público. Com mestria, o artista interpretou “Pôr-do-sol”, “Parte pé”, “Floresta” e “Farra da madrugada”, que fizeram sucesso nas décadas de 70 e 80.
O público aplaudiu de pé quando Zé Keno subiu ao palco para interpretar “Mama vuadiami”, “Hope zé ucaté” e “Ei uaxixima”.
Além destes músicos, actuaram ainda Dom Caetano, Chico Montenegro, Tony do Fumo Filho e Augusto Chacaia, que encerrou esta edição com os temas “Angélica”, “Kuçabula”, “Mocamé”, “Sandra” e “Samba samba”.
A direcção do Kilamba criou um novo projecto para dar mais espaço aos músicos nacionais, através da comercialização de discos em cada uma das edições do Muzongué da Tradição.
No domingo, a organização pôs à venda os disco de Zé Keno “Patos foras”, os volumes 3 e 4 de instrumentais de músicas angolanas dos anos 70 e 80, assim como as colecções de Mamukueno e Chico Monte Negro do “Poeira do Quintal”, da Rádio Nacional de Angola.
Os discos “Ritmos e Melodia”, de Puto Português, “Kandengue atrevido”, do músico Yuri da Cunha, “Crescida mais ao meu jeito”, de Ary, e a colectânea “As Gingas dos Maculusso 30 anos” também estiveram à venda.

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