Gustavo Dudamel compõe para o cinema


1 de Agosto, 2014

Fotografia: DR

Gustavo Dudamel, director da orquestra Filarmónica de Los Angeles, estreia-se como compositor de música para cinema com “The Liberator”, um passo na sua carreira, que chegou de forma natural graças à “relação fraternal” que mantém com o realizador do filme, o seu compatriota Alberto Arvelo.

A sua chegada à Filarmónica da cidade californiana em 2009 fazia pressagiar que em algum momento ia tentar a sua sorte na sétima arte, mas longe de embarcar numa grande produção de Hollywood, decantou-se com uma co-produção hispânico-venezuelana sobre a histórica figura de Simón Bolívar, porque entre os seus comandantes se encontrava Arvelo, alguém que Dudamel considera como um irmão.
“Tive propostas antes”, confessou. “Isto, simplesmente, chegou. Não foi algo que procurasse. Eu sou director. As pessoas, de certo modo, entendem que também posso ser compositor. Mas eu a todos lhes digo que dirijo, não componho. Quando era criança fazia-o. Escrevia muitas coisas. Algumas interessantes, outras muito más. Era uma prática. Espero que toda essa música esteja perdida, honestamente”, acrescentou.
Arvelo e Dudamel possuem uma ligação especial. Trabalharam previamente no documentário “Dudamel: o som das crianças”, embora Arvelo já tenha fixado a sua atenção no Sistema Nacional de Orquestras Juvenis e Infantis da Venezuela (conhecido como “O Sistema”), do qual fez parte, na obra “Tocar e lutar”.
“Beto queria que fosse o assessor musical do filme. Comecei assim. Costumamos reunir-nos em sua casa na montanha para desligar, falar, ler... Somos amantes de Borges. Ele introduziu-me no seu mundo. À minha mulher também, embora ela seja mais dos mexicanos como Octavio Paz ou Jaime Sabines. Essa relação intelectual e artística foi muito importante para mim”, declarou.
Também colaboraram no Festival “Americas & Americans”, onde no Hollywood Bowl, Arvelo partilhou palco com Dudamel e com o argentino Gustavo Santaolalla.
Ali o público escutou pela primeira vez uma parte da banda sonora de “The Liberator”, que vai chegar às salas americanas a 3 de Outubro.
“Não houve uma razão profissional para fazê-lo. Beto passou anos a investigar sobre a vida de Bolívar, portanto trocámos muitas ideias. Lembro-me de que a minha esposa estava grávida, nasceu o meu filho e cancelei muitas coisas. Estando em minha casa, pus-me ao piano com o guião do filme e comecei a escrever. A imagem que tive foi tudo o que necessitei”, declarou.

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