Ícones do Semba foram distinguidos

Manuel Albano |
13 de Julho, 2016

Fotografia: Rogério Tuti

O percurso artístico de quatro décadas de Nito Nunes e de Quim dos Santos é recordado durante um espectáculo, neste domingo, a partir das 12h00, no complexo  Muximangola, no Camama.

Nito Nunes e Quim dos Santos foram dois pioneiros e precursores da música popular angolana, razão pela qual, a gerência daquele espaço cultural decidiu homenagear essas duas figuras da cultura nacional no programa “Roda do Semba.”
O conjunto Gloriosos do Prenda vai acompanhar instrumentalmente os artistas convidados para animar a actividade, nomeadamente Lulas da Paixão, Guilhermino e Eddy Tussa, num espectáculo promovido pela Organização dos Amigos da Kissama (Unakissama) e pelo Movimento Nacional Espontâneo (MNE).
O facto de Quim dos Santos ter falecido ainda muito jovem, numa altura em que estava no auge da sua carreira artística “interrompeu um percurso brilhante de um dos principais defensores do semba”, afirmou o promotor da iniciativa.
António Fiel Didi disse que, apesar de Nito Nunes viver mais tempo e ter falecido em 2012, aos 71 anos, os seus feitos também precisam de uma maior divulgação, por forma ajudar a juventude a perceber melhor a história musical angolana e dos seus intérpretes.
Natural da província do Bengo, onde nasceu em 1941, Inácio Luís Carlos “Nito Nunes” começou a dar os primeiros passos no mundo da música aos 14 anos, na localidade de Catete, integrado na Turma da Rotunda de Catete, um conjunto que tinha nas suas fileiras os já falecidos Mandriz, Maneco, Torló e Domingos Capacaça.
Depois de cumprir o serviço militar, em 1968, Nito Nunes trava conhecimento com os integrantes do agrupamento Dimba Ngola, o que o estimulou a gravar o seu primeiro LP, com o acompanhamento instrumental do mesmo grupo.
O segundo LP do artista sai em 1969, com o acompanhamento do Ngoma Jazz. Em 1973, grava quatro LP com o suporte dos Águias Reais e nos anos seguintes fá-lo com os Merengues.
Durante a sua carreira, Nito Nunes actuou em kotonocas, centros recreativos e culturais, aguarelas angolanas e realizou espectáculos em diversas províncias do país. O referido músico foi também autor da obra denominada “Kassele Cuca”, com a qual homenageou Ngola Kiluanji. A UNAC considera a mesma obra “uma verdadeira relíquia”. Nos anos 70, essa obra foi reinterpretada pela Orquestra Sinfónica da República Democrática da Coreia.
Nito Nunes é autor do disco “Ngueza”, que comporta dez temas de semba e de rumba, com a participação dos músicos da nova geração Yeyé, Sacerdote, Livongh, Presilha, Alex Samba, Texas, Mayó, Inácio do Fumo, Lutuima e Meu.
Quando se fala de Quim dos Santos na historia da música angolana, não se trata de um elemento estranho, pelo menos, para a geração considerada de “ouro” das décadas de 50, 60 e 70. Sabe-se pouco dele, mas foi um músico que deixou um bom número de músicas e registos em discos de vinil como: “Jóia”, “Ngenji”, “Kisueia”, “Ambula” e “Ngizeka” temas muito conhecidos e tocados em rádios.

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