Inó Gonçalves defende maior divulgação

Roque Silva |
21 de Abril, 2016

Fotografia: José Cola

O coordenador do Grupo Kituxi, Inó Gonçalves, defendeu ontem, em Luanda, uma maior promoção dos ritmos tradicionais por serem a matriz da música angolana.

O executante de tambor solo fez essa declaração ao Jornal de Angola, à margem de um acto de assinatura de autógrafos do disco “Kené Kimoxi”, na qual pediu uma intervenção de promotores e agentes culturais na divulgação dos ritmos e instrumentos tradicionais, em Angola e no exterior do país.
Inó Gonçalves disse que deve ser criado um plano eficaz, com a intervenção de historiadores, através do qual seja possível identificar como especialistas nacionais os diferentes géneros de música característicos no Norte, Sul, Leste e Centro de Angola. O músico disse que os diferentes ritmos da música angolana, sobretudo os que são suportados pelos instrumentos tradicionais e de percussão, têm muita aceitação no exterior, motivo pelo qual se deve apostar na internacionalização do folclórico.
O coordenador do Grupo Kituxi disse que Angola é representada no exterior pela música moderna, quando o normal seria o tradicional, que conta a história de um povo, no qual os seus executantes se exibem com adornos típicos de várias regiões do país.
Os amantes da música nos outros países dão mais importância aos valores que as canções transmitem, disse Inó Gonçalves que afirmou “há inclusive artistas angolanos que são obrigados a interpretar temas de raiz e em línguas nacionais”.
O músico informou que o grupo criou um programa para divulgar e promover o CD “Kené Kimoxi” em alguns locais em Luanda e algumas províncias do interior do país. O projecto, disse, incluiu vendas e assinatura de autógrafos do CD e a realização de espectáculos.
Na capital, explicou o músico, o grupo aguarda respostas dos contactos feitos para que sejam realizadas actividades nas Centralidades do Kilamba e do Sequele, em Cacuaco. Inó Gonçalves elogiou a programação da terceira Trienal de Luanda, da Fundação Sindika Dokolo, por permitir a realização de actividades artísticas no Palácio de Ferro, em Luanda.
O músico considerou a iniciativa um projecto ambicioso que tem despertado os angolanos e estrangeiros residentes para a valorização da cultura angolana. O percussionista aproveitou a oportunidade para desmentir informações postas a circular, segundo as quais o disco “Kené Kimoxi” foi proibido de ser colocado a disposição do público por ter mensagens pejorativas. Por outro lado, afirmou que o estado de saúde do músico Kituxi é estável.
O álbum foi comercializado na Praça da Independência, um mês depois da data marcada para o lançamento, 5 de Março, por motivos de ordem técnica, tendo sido marcado por uma adesão considerável dos amantes da música angolana.
Inó Gonçalves disse ter ficado surpreendido com a presença de jovens e adolescentes, que a priori e pelo senso comum, “só escutam géneros de música electrónica e moderna”.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA