Cultura

José Kafala o músico virtuoso

Matadi Makola

O sonho de Kafala é tão somente voltar ao adolescente que foi durante os anos que viveu no internato dos Bângalas, pertença da missão católica da Baixa de Cassanji.

Fotografia: PAULINO DAMIÃO

“Infelizmente, sou muito exigente”, revela José Kafala. No fundo, a sua fama de agitador surge exactamente por ser uma pessoa que pugna pelo respeito ao homem. Entretanto, ficou definitivamente sabido ser ele “O agitador” aquando de uma viagem à Argélia, onde foram cumprir mais uma agenda cultural nas terras do mediterrâneo.
O responsável argelino chama o seu homólogo angolano para, num expressivo gesto de gratidão, confiar-lhe a quantia do caché pelos bons dias de música. Não sendo músico, o angolano decide não aceitar. Vendo a situação e sentindo-se no dever de protestar, José Kafala não se fez tímido e toma a coragem de receber o dinheiro. À primeira, foi censurado pelos colegas por ter recebido os valores.
Não vendo erro nenhum na sua atitude, José decide reservar-se ao silêncio, trancando-se no seu quarto de hotel. É lá onde teve o palpite de que tarde ou cedo os colegas o procurariam.
Decidiu antecipar-se e fazer já a divisão dos valores monetários. Estava certíssimo.Não passou mais de meia hora quando toda a caravana de músicos bateu-lhe à porta, cada um reclamando a sua parte do caché. “Vocês não batem bem”, disse zombeteiramente José Kafala, enquanto entregava a parte que cabia a cada um. Desde então, a sua fama de “agitador” ficou vincada. 

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