Jovens do Hungo valorizam o folclore

António Bequengue |
13 de Setembro, 2015

Fotografia: Paulino Damião

“Culturas Perdidas” é a designação da pesquisa sobre a música folclórica angolana que o grupo Os Jovens do Hungo desenvolveu nos últimos cinco anos e está preste a terminar com o lançamento de um disco.

O director artístico do grupo, Manuel Tavares “Nelo”, disse ao Jornal de Angola que o trabalho de pesquisa foi feito em Angola, Peru, Uruguai, Cuba e México.
“Foi feito um longo trabalho de pesquisa sobre a música folclórica angolana. É claro que Angola possui diversos grupos etnolinguísticos e diversos ritmos, mas fizemos um longo estudo desde o Landó, no Peru, ao Lady, na Martinica. Não ficámos só dentro de Angola. Fizemos também convites a alguns músicos para o enriquecimento do projecto”, revelou.
Actualmente, o grupo grava as oito faixas do disco em Portugal, onde está radicado há mais de 20 anos, com a participação de alguns músicos angolanos, com destaque para Bonga.
Manuel Tavares “Nelo” afirmou que o grupo pretende ainda contar com algumas vozes femininas. “O sonho do grupo é convidar a cantora Dina Santos, por ter sido uma das artistas que muito apoiou o grupo”, afirmou o músico.
O responsável lamentou ainda o facto de os intérpretes de música folclórica serem relegados hoje para segundo plano nos espectáculos. “Esperamos desta vez ser convidados a actuar nas actividades dos 40 anos de Independência Nacional”, admitiu. Quanto ao estado actual da música folclórica, Manuel Tavares “Nelo” disse que o estilo tem evoluído nos últimos anos e um dos exemplos é o aparecimento de novos grupos. “Apesar de vivermos fora de Angola há muito tempo, temos visto a evolução da música folclórica e o espaço que tem conquistado. Por isso, criamos o projecto ‘Culturas Perdidas”, adiantou. O grupo, considerado “embaixador” da música folclórica angolana, nasceu em Luanda com o intuito de explorar os ritmos tradicionais. Em 1994, o grupo radicou-se em Portugal, onde passou a ser o suporte em espectáculos do músico angolano Raul Ouro Negro.
Na época, o grupo ganhou protagonismo em vários palcos de Portugal. Um dos momentos altos da carreira foi a actuação com a Orquestra Metropolitana de Lisboa. Um ano depois, o grupo terminou a gravação do seu primeira CD, “Sembele”, seguindo-se os discos “Nós as crianças”, “Uenji Kitade” e “Kixikila”.
Os Jovens do Hungo já actuaram em salas famosas, como o Apolo Center, de Nova Iorque, e o Performing Arts Center, de Nova Jersey, com os Batoto-Yetu.
Além de Portugal e EUA já realizaram digressões em Cabo Verde, Brasil, África do Sul, França, Alemanha e México.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA