Martinho da Vila na terra do semba

Manuel Albano |
6 de Setembro, 2015

Fotografia: DR

A realização de espectáculos entre músicos de vários países da lusofonia é um passo importante no reforço da união entre estas culturas irmãs, defendeu sexta-feira em Luanda o músico brasileiro Martinho da Vila.

O cantor brasileiro, que está no país como um dos convidados da II edição do projecto “Kalunga”, prometeu interpretar quarta-feira, no Espaço Lookal, os melhores êxitos da sua carreira.
A figura de cartaz do projecto “Kalunga II” considerou uma alegria e um acto marcante para a sua carreira ter sido convidado para voltar a actuar no país, num projecto do Instituto de Desenvolvimento Educacional em Angola (IDEIA), em parceria com a Embaixada do Brasil em Angola.
A cantora brasileira e produtora do espectáculo, Olívia Hime, considerou uma honra regressar ao país, num concerto que considera um passo fundamental no reforço da cooperação artística e cultural entre ambos os países. “É um encontro para maior união de Angola e Brasil.”
Olívia Hime adiantou que é importante existir uma maior cooperação neste sector, com especial destaque para a área da música, que é usada como veículo de aproximação entre povos. “É também essencial existir uma maior troca de experiências no domínio da formação artística”, defendeu.
Pela terceira vez no país, a cantora Elba Ramalho prometeu “brindar” os angolanos com o melhor repertório da sua carreira. “Espero poder contribuir, com as minhas canções, a criar um espectáculo interactivo, capaz de, num só espaço, unir a cultura angolana e brasileira”, disse.
O compositor e músico Nei Lopes, com mais de 400 canções gravadas ao longo da sua carreira, reconheceu a qualidade artística dos músicos angolanos, com destaque para o músico Paulo Flores, que já interpretou uma das sua canções. “Sou culturalmente um filho de Angola, pelos laços históricos que envolvem os dois países”, reforçou.
Mariene de Castro, a cantora brasileira que abre o espectáculo, disse estar feliz por se encontrar pela primeira vez em Angola, principalmente pelas similitudes culturais entre os dois países. “Este é um momento de reencontro com a minha ancestralidade e também de saber um pouco mais sobre raízes africanas”, referiu.
O director artístico do espectáculo e músico Francis Hime informou que criou uma actividade com um elenco artístico diversificado e temas especiais. “Queremos fazer algo muito original que possa ficar na memória de cada um dos espectadores.”
A cantora Miúcha, outra das artistas brasileiras convidadas, disse que é uma honra poder comemorar os seus 40 anos de carreira em Angola e prometeu apresentar um repertório diversificado. “Esse espectáculo é, além do reforço da irmandade musical entre os dois países, uma união espiritual”, destacou a artista.
Por sua vez, a cantora Mart’Nalia disse que se sente em casa pela boa relação existente entre os músicos angolanos e brasileiros, fortificada ao longo dos anos.

Experiência positiva

A cantora Yola Semedo, a única artista angolana convidada para o espectáculo de quarta-feira, considerou a sua participação uma experiência positiva, pelo facto de poder compartilhar o palco com algumas das principais estrelas, de várias gerações, da música brasileira.
O embaixador brasileiro acreditado em Angola, Norton de Andrade Mello Rapesta, lamentou o facto de o projecto ser realizado, desta vez, apenas na capital angolana, por questões financeiras. “Mas faremos de tudo para a próxima edição ser mais abrangente.”
O espectáculo da II edição do projecto, com a duração de duas horas, conta com a participação de Elba Ramalho, Francis e Olívia Hime, Geraldo Azevedo, Mart’Nalia, Miúcha, Mariene de Castro, Nei Lopes, Yamandu Costa e Yola Semedo.
O projecto “Kalunga II”, uma iniciativa de natureza cultural e focado sobretudo na música, tem como objectivo reforçar as relações artísticas entre Angola e o Brasil.
Além do espectáculo de música, o projecto, que teve um hiato de 35 anos, inclui ainda demonstrações de talentos, exposições, uma mostra de culinária brasileira e um Fórum Económico da Associação dos Empresários e Executivos Brasileiros em Angola.
A primeira edição do projecto ocorreu em 1980, nas províncias de Luanda e Benguela, envolvendo artistas, produtores e técnicos, liderados pelo músico e compositor Chico Buarque e o produtor Fernando Faro.
Na altura o projecto servia para marcar a aproximação musical e política entre os dois países. Deste encontro musico resultou o sucesso “Morena de Angola”, interpretado em Benguela por Chico Buarque e Marieta Severo. Na mesma actividade participaram ainda os artistas angolanos Felipe Mukenga, Rui Mingas e Valdemar Bastos.

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