Morreu o emblemático cantor Chico Coio

Roque Silva |
9 de Maio, 2016

Fotografia: Jaimagens

Chico Coio, figura emblemática da Música Popular Angolana, falecido sexta-feira, no hospital Josina Machel, em Luanda, aos 61 anos, vítima de doença, é enterrado amanhã, às 10h00, no cemitério da Santa Ana, em Luanda.

Isabel Coio, filha do músico, disse ao Jornal de Angola que o seu pai, que era diabético, não resistiu a uma série de crises de pressão desde a passada segunda-feira. Chico Coio sentiu-se mal e foi encaminhado para uma clínica onde foi assistido por uma equipa de médicos, tendo os exames indicado que estava com paludismo.
Segundo a filha, depois do tratamento à base de soro, devido à sua condição de diabético, Chico Coio teve uma semana difícil com várias subidas de pressão, embora os resultados das consultas tenham dito que estava tudo bem. “O meu pai fez um TAC, no Hospital Américo Boavida e uma consulta de Neurologia, no Hospital Josina Machel, na quinta-feira, e acabou por falecer no dia seguinte à noite”, disse.
O músico tinha sofrido um AVC há três anos, tendo sido então evacuado para Cuba, onde recebeu tratamento. Apesar de não ter recuperado totalmente os movimentos, o seu estado de saúde era considerado estável. Figura emblemática do Bairro Marçal, baterista e exímio executante da dicanza (reco-reco), Chico Coio lançou em 2004 o disco “30 anos Depois”, com vários temas do seu rico repertório, em que se destacam “Kimpenze”, “Kamba Diami”, “Belita”, “Ndalatando”, “Nguxi” e “Ngana”.
Foi o responsável por vários espectáculos de sucesso nos clubes da cidade de Luanda, nos quais dividiu o palco com cantores como Elias Dya Kimuezo, Prado Paim, Dionísio Rocha, Lulas da Paixão, Pitra Neto e Brando.
O artista manteve os primeiros 10 anos do início de carreira em segredo dos seus familiares porque os padrinhos e pais, na altura, não admitiam ter um filho cantor. Iniciou a sua trajectória artística no Bairro Operário na década de 1960 por influência dos amigos, Kinito e Floriano, que o integraram no conjunto musical Anapaz. Passou ainda pelos agrupamentos Zebano, Angolenses, África Ritmo, Dimbangola e Os Kiezos. O músico decidiu seguir carreira individual na década de 80.
Chico Coio foi membro da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC), instituição de utilidade púbica que o remunerava através do seu Fundo de Pensões, e está ligado à Associação Voz do Artista, cujo objectivo visa apoiar os artistas angolanos desfavorecidos. Francisco Manuel Coio “Chico Coio” nasceu em 1955, no Casuno, Cidade Alta, em Luanda.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA