Cultura

Mukenga e Jorge Vercillo dividem o palco em Junho

Filipe Mukenga e o brasileiro Jorge Vercillo são os músicos convidados para abrilhantar os dois primeiros espectáculos do projecto musical denominado “Serenatas à Kianda”, a serem realizados nos dias 3 e 4 de Junho, na Casa 70, em Luanda.

Cantor Filipe Mukenga actua na Casa 70 no próximo mês com o músico brasileiro Jorge Vercillo para abrilhantar a “Serenatas à Kianda”
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro| - DR

O brasileiro Jorge Vercillo tem uma relação estabelecida com Angola, tendo já actuado no país e tem boas recordações de uma parceria antiga com Filipe Mukenga.
Os dois músicos conheceram-se no Rio de Janeiro e o brasileiro entrou para a lista de parceiros de Mukenga. “Gosto muito do Jorge. Depois desse encontro no Brasil, nos vimos em Luanda quando contribuí com a composição ‘Quando eu crescer’, que traz trechos em quimbundo”, comenta Filipe Mukenga, que destaca a sensibilidade do colega brasileiro e garante que “vai ser uma honra poder partilhar o palco e cantar com Jorge Vercillo, um nome importante da chamada Música Popular Brasileira (MPB).”
Por sua vez, Jorge Vercillo está ansioso pelo regresso ao país, particularmente a Luanda, e pelo reencontro com uma sonoridade que tem tudo a ver como seu trabalho. “Estou muito feliz e animado em voltar à minha querida Luanda, terra irmã do Brasil e da Bahia, e encontrar com parceiros como Filipe Mukenga e Dodó Miranda.”
Espera-se que, nas duas apresentações no palco da Casa 70, os músicos consigam apresentar uma mistura de ritmos ainda mais ecléctica do que o próprio trabalho do artista brasileiro, já que faz uma conexão Brasil - África. “Vamos fazer um show levando um pouco dessa musicalidade que nasceu no Brasil, mas que vem de África, que é o planeta som, podemos dizer”, afirma Jorge Vercillo.
Os dois concertos marcam o reencontro dos dois artistas, nos quais vão privilegiar “encontros clássicos e intimistas, aproximando-se do conceito de uma serenata, com aposta em instrumentos acústicos, disse Figueira Ginga, director executivo da Zona Jovem Produções e mentor da iniciativa.
A ideia, explica, é tirar a juventude do seu local de “conforto musical e incutir outros estilos musicais de elevada qualidade”, permitindo criar mais espaços de lazer, interacção e conhecimento entre a cultura angolana e a brasileira, através da música. O director executivo da Zona Jovem realça que está a realizar um sonho e unir o útil ao agradável, ao mesmo tempo que faz uma homenagem à cidade capital, por ser um local, que inspira a criatividade pela sua beleza arquitectónica e contrastes, desde a década de 80 como criador e realizador.

Sons de Angola e Brasil

Para Figueira Ginga, mentor da iniciativa, a promessa é cantarem juntos algumas canções, além das apresentações individuais de sucessos das suas carreiras.
Gabriel Tchiema e a brasileira Maria Gadú são os convidados da segunda edição do projecto “Serenatas à Kianda” que se realiza no dia 28 de Julho, no mesmo local. Figueira Ginga, empreendedor e apreciador da música nacional, disse que a intenção é  mostrar às semelhanças e intersecções de ritmos que ligam a cultura dos dois povos.
Sobre esses momentos, inspirado no apelido de “Cidade da Kianda”, o projecto faz uma homenagem a Luanda, através do nome e das “serenatas” que proporciona aos admiradores da música, sustenta.
A capital, realça Figueira Ginga, é a inspiração para os shows clássicos do projecto, tendo como linha o estilo musical “trova”, aproximando-se assim do conceito de uma serenata, privilegiando o uso de instrumentos acústicos e, essencialmente, com voz, violão e percussão, criando um ambiente intimista e de grande proximidade com o público. Cada edição do projecto vai ter um artista angolano e um brasileiro a dividir os microfones.

Mentor do projecto

Figueira Ginga começou a fazer música em 1986, no colectivo Aviluppa Kuimbila, do qual faz parte o grupo musical “As Gingas do Maculusso”, como músico e coordenador geral, tendo participado na direcção executiva e musical dos quatro primeiros discos que fizeram sucesso a nível nacional. Dentro desse colectivo, participou da produção de vários espectáculos. Em 1999, foi para Portugal onde se licenciou em gestão de empresas e, como músico, fez vários espectáculos para a comunidade lusófona, além de produzir concertos para a Embaixada de Angola em Portugal e outras associações angolanas.
A ideia do projecto “Serenatas à Kianda” surgiu da vontade de homenagear culturalmente a cidade da Kianda (Luanda), por tudo o que representa para Angola. A ideia foi criar mais uma forma de dar visibilidade e palco a artistas angolanos que fazem estilos musicais que têm pouca visibilidade, mas que são de grande qualidade, tal como Filipe Mukenga e Gabriel Tchiema, que fazem parte do elenco da primeira temporada do “Serenatas à Kianda”.
A Zona Jovem Produções foi criada em 2009, na perspectiva de apresentar uma produção cultural diversa, diferente e ousada.
A promotora, realizou o primeiro grande show de stand up comedy em Luanda, o “Humor a três” que teve a participação dos humoristas angolanos Pedro Nzagi e Calado Show e, como convidado especial, o humorista português Fernando Rocha.

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