Cultura

Músico defende a criação de fábrica de discos no país

O músico e instrumentista Brando Cunha afirmou quarta-feira, em Luanda, ser necessário a criação de uma fábrica de discos no país, para que o mercado musical atinja um patamar mais elevado e deixa de depender do exterior.

Guitarrista garante que a promoção da música angolana passa pela criação de uma fábrica de CD
Fotografia: Paulino Damião | Edições Novembro

Em declarações à Angop, sobre o estado actual da música em Angola, o guitarrista afirmou que os artistas nacionais estão a produzir muitas e boas obras discográficas, mas é necessária a abertura de uma fábrica de discos para se elevar a qualidade.
“Precisamos de uma indústria musical como tal, porque registamos muitas dificuldades por falta de apoio financeiro”, ressaltou Brando Cunha.
O instrumentista exemplificou que uma música acústica, na qual intervêm vários instrumentos como guitarras, teclado e precursão, pode orçar em cerca de cinco a dez mil dólares, contando com o pagamento do produtor, músicos e estúdio de gravação.
Segundo Brando Cunha, os cantores do segmento da música acústica, fundamentalmente os veteranos, são os que mais dificuldades encontram no exercício das suas carreiras para gravação de obras fonográficas, porque os custos de gravação são muitos onerosos.
“Quando o país tiver uma fábrica de discos com equipamentos de ponta, a música angolana poderá evoluir ainda mais porque já estamos bem servidos em termos de estúdios de gravação, e, por outro lado, a concorrência será maior e os discos poderão ser vendidos a preços mais baixo, com tiragens que cobririam todo o país”, perspectivou Brando Cunha. O guitarrista salientou que os artistas angolanos recorrem sempre ao estrangeiro para a feitura dos CD, mas para tal é necessário divisas, que estão escassas, daí a razão da redução de lançamentos de discos nos últimos anos no país.
Brando Cunha advogou maior valorização dos músicos da sua geração (anos 1970, 1980 e 1990), cujas carreiras encontram-se estagnadas e não conseguem viver da sua arte.
Outra questão abordada pelo músico tem a ver com a necessidade do surgimento de mais produtoras e promotoras culturais visto que muitas delas desapareceram devido a situação económica que o país atravessa.
“É necessário criar incentivos para que algumas produtoras retornem ao mercado, assim como aquelas que pretendem enveredar no ramo”, disse Brando Cunha que considerou desigual o actual momento musical angolano por existir cantores e grupos que actuam regularmente, enquanto outros, principalmente os veteranos, exibem-se esporadicamente o que não abona para as suas carreiras.
Brando Cunha sugeriu ao sector da Cultura estimular o ressurgimento dos centro recreativos e culturais nos municípios e exigi-los a trabalhar com músicos nacionais, para garantir que os artistas, principalmente os da velha geração, não desistam das carreiras e que a música popular angolana não perca as suas principais referências.
Hidebrando de Jesus Cunha, conhecido nas lides artísticas como Brando Cunha, é o actual responsável e guitarra solo do emblemático conjunto Os Kiezos.

Reestruturação da Endipu


A Empresa Nacional do Disco e Publicações (Endipu), cujos custos de modernização em Novembro de 2000 estavam calculados em 600 mil dólares, é um gigante da indústria cultural adormecido que precisa de uma intervenção urgente para reconquistar o seu lugar no mercado.
O investimento público feita há 17 anos devia garantir uma capacidade de produção  de 500 discos compactos por dia. Com o investimento feito nos estúdios da Endipu acreditava-se em dias melhores para os artistas angolanos, com  a possibilidades de poder editar as suas obras discográficas localmente e com custos menores, sendo a produção de uma edição avaliada em sete mil dólares.
A Endipu, para além de editar os discos compactos, perspectiva também colaborar com outros estúdios de gravação na masterização e produção em série de CD e cassetes dos artistas nacionais.
Actualmente a funcionar com uma comissão de gestão urge reestruturar e modernizar a instituição para melhor servir o público, garantindo maior esperanças aos músicos que pretendem publicar os seus trabalhos, mas que encontram serias dificuldades devida a escassez de divisas. Para isso, é necessário a cooptação de investimentos públicos e privados, com vista a tirar a empresa do marasmo em que se encontra actualmente.

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