Músico Elias dya Kimuezu contra a pirataria

Roque Silva |
2 de Janeiro, 2016

Fotografia: Paulo Mulaza

O “rei” da música angolana mostrou-se ontem preocupado com os permanentes casos de reprodução e apropriação indevida de obras originais sem o conhecimento do seu autor  ou criador.

Elias dya Kimuezu considerou a pirataria como um dos principais obstáculos que atenta contra o crescimento da música angolana, pois causa danos irreparáveis.
O músico assumiu, ao Jornal de Angola, em Luanda, ter sido alvo de falsificação e defendeu a importância de se tomar medidas eficazes e inteligentes para identificar e punir os prevaricadores e regular o mercado da música.
Elias dya Kimuezu aconselhou ainda os artistas angolanos a se filiarem em instituições capazes de defenderem os seus direitos, de modo a serem ressarcidos caso a obra seja usurpada.
“A música angolana está a caminhar bem”, disse o artista, que lamentou o facto de a pirataria ser “um vírus que obriga o artista a dividir e perder os seus lucros”. Para Elias dya Kimuezu, “os artistas sofrem para criar e não é correcto que terceiros fazem, usufruindo de rendimentos sem o consentimento destes”.

Novo disco

Elias Dya Kimuezu apresenta hoje, às 08h00, na Praça da Independência, em Luanda, o álbum “O semba passa por Aqui”.
O disco, gravado há dez anos na Maianga Produções, tem 12 temas, nos géneros semba e bolero, entre inéditos e êxitos, no qual se destaca “Muxima”, uma homenagem a Nossa Senhora da Conceição.
O CD, editado pela Majocal, tem participações de Pirikas Duia (viola ritmo), Teddy Nsingui (viola solo), Dulce Trindade (baixo) e Chico Santos (congas). Elias Dya Kimuezu informou que o CD é um presente inesperado, pois “ficou dez anos no esquecimento na produtora Maianga por motivos alheios à sua vontade”.
O músico, com 62 anos de carreira, afirmou que tem recebido pouca atenção dos promotores, motivo pelo qual é pouco convidado em espectáculos e dificilmente é encontrado em projectos. Aconselhou por outro lado os artistas da nova geração a apostar em temas que ajudem a divulgar a identidade e a cultura nacional.

“Rei da música”

Elias dya Kimuezo sempre pertenceu a movimentos de intervenção e preservação das músicas e tradições angolanas, marginalizadas pela dominação colonialista, em bairros e musseques de Luanda, como Rangel, Marçal, Sambizanga e Bairro Operário. Os músicos, nacionalistas, transmitiam mensagens para a importância da conquista da independência, criando um estilo cantado em línguas nacionais, para divulgar os usos e costumes da linguagem e cultura angolana.
O músico despertou vocação artística aos 15 anos, quando tocava e dançava ao ritmo do kinganje. O seu primeiro sucesso popular foi a música “Zum - Zum”. Depois integrou aos agrupamentos Turma do Margoso, como vocalista e executor de bate-bate, Os Makezos, Os Kizombas, e o Grupo Ginásio, em que faziam parte José Eduardo dos Santos, como guitarrista e compositor, Pedro de Castro Van-Dúnem (Loy), Brito Sozinho, Mário Santiago, Faísca e Buanga.
Elias dya Kimuezu foi considerado “rei da música”, nos anos 60, pelo Centro de Informação e Turismo de Angola (CITA), pela qualidade e a constância do seu desempenho na conservação da música nacional.
Na altura, o artista granjeava sucesso, num single em que constavam os êxitos “Ressurreição”, “Mualunga”, “Muenhu Ua Muto” e “Zum- Zum”, com as participações de Barceló de Carvalho (Bonga), Rui Mingas e Teta Lando. Em 1972, foi premiado entre os “11 mais da cidade de Luanda”, menção que distinguia as 11 figuras mais destacadas nas diversas áreas profissionais e sociais de Luanda.

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