Músicos do Huambo precisam de apoios


5 de Outubro, 2014

Fotografia: Casimiro José| Sumbe

Os músicos do Huambo têm tido inúmeras dificuldades para produzirem novos trabalhos discográficos, devido à falta de apoio financeiro, informou ontem o representante local da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC), Pascoal Pedro Nhanga.

A estagnação, adiantou, tanto afecta os músicos conceituados como os da nova geração, que reclamam, regularmente, pela falta de apoios do empresariado e da direcção local da Cultura.
A título de exemplo, disse, as estatísticas indicam que, nos últimos quatro anos, o número de discos produzidos não passou de cinco, de um total de 340 músicos inscritos na UNAC.
Pascoal Pedro Nhanga lamentou também o facto de os produtores de espectáculos da província não convidarem artistas locais para as actividades que realizam, situação que tem motivado o abandono da carreira musical prematuramente.
“Estamos mal em termos de música no Huambo. Há vontade, trabalho e qualidade dos músicos, mas faltam apoios financeiros para a gravação de discos”, realçou Pascoal Pedro Nhanga.
O representante da UNAC reconheceu, porém, que a música gospel tem conseguido afirmar-se, a avaliar pelo número de obras que anualmente são postas no mercado, contrariamente a outros géneros, principalmente os tradicionais.
Para ajudar os músicos em termos de promoção do seu trabalho, Pascoal Pedro Nhanga anunciou a criação, ainda este ano, de uma banda de música da UNAC, que tem a missão de realizar espectáculos e acompanhar os artistas.

Elemento forte

A música é um dos elementos mais fortes da cultura angolana e tem obtido, nos últimos anos, um protagonismo que permite aos seus criadores mostrarem um pouco do quotidiano e da cultura nacional, informou o responsável da UNAC no Cunene, Alberto Kamungando.
O representante considerou, na quarta-feira, Dia Mundial da Música, que o renascimento actual da arte, caracterizado pelo surgimento de muitos novos talentos, agrupamentos ou festivais, nacionais e internacionais, do género, após um período quase nulo, são um sinal positivo.
Em declarações à Angop, acrescentou que a música angolana tem tido cada vez mais peso no mundo. “É uma das artes que consegue aumentar o orgulho nacional e o valor social e humano nas suas mais variadas manifestações artísticas”, salientou.
Festivais como o FestiSumbe, o I Love Kuduro, ou o Road Show Blue, são, à semelhança de concursos musicais, como o Top dos Mais Queridos ou o Variante, uma prova do interesse do Executivo e dos empresários nacionais em desenvolver a arte.

Celebração

O Dia Mundial da Música comemora-se anualmente a 1 de Outubro. A data foi instituída em 1975 pelo International Music Council, instituição fundada em 1949 pela UNESCO, que integra vários organismos e individualidades do mundo da música.
A celebração do Dia Mundial da Música visa promover a arte musical em todos os sectores da sociedade, divulgar a diversidade musical, a aplicação dos ideais da UNESCO, como a paz e amizade entre as pessoas, evolução das culturas e a troca de experiências.
Nas últimas décadas da época colonial, a produção e gravação de música dos artistas nacionais teve o seu embrião com a criação dos Estúdios Valentim de Carvalho, em Luanda, que cessou a sua actividade em 1975.
O resultado foi o surgimento de uma “mini indústria” que, combinada com a perspectiva de liberdade, viu surgir excelentes músicos e diversos estilos originais, em meados dos anos 60 até à independência.
A música angolana foi moldada tanto por um leque abrangente de influências como pela história política do país. Luanda é o berço de diversos estilos, como o merengue, kazukuta, kilapanda e semba. Na Ilha de Luanda nasceu a rebita, estilo que tem por base o acordeão e a harmónica.
O semba é a outra música, de características urbanas, que surge em Luanda. Nos musseques da capital começaram a desenvolver novas tendências durante a transição entre o universo rural e a cidade.
A vivência quotidiana do musseque é a temática que predomina nas canções destas décadas: o filho desaparecido no mar, a garota de minissaia, o assédio sexual entre o patrão (branco) e a criada (negra), os conflitos conjugais, a infidelidade amorosa, a condição da lavadeira, o feitiço e o enfeitiçado, e o lamento da infância.
No musseque nasceram também as turmas, pequenas formações de músicos que tocavam ao fim das tardes. Na altura, os músicos faziam também parte dos grupos de Carnaval. Estas turmas são os embriões da grande maioria dos grupos angolanos que passaram a dominar musicalmente as cidades.

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