Muzongué da Tradição reedita clássicos


4 de Julho, 2014

Fotografia: Eduardo Pedro

Os músicos Artur Nunes, David Zé, Urbano de Castro e Teta Lando vão ser recordados domingo, durante o Muzongué da Tradição do mês de Julho, a ter lugar no Centro Cultural e Recreativo Kilamba, em Luanda.

De acordo com o responsável do espaço, Estevão Costa, a intenção é levar o público amante da música angolana dos anos 60, 70 e 80 a recordar o que de melhor foi produzido nas décadas em referência. “É um quarteto de artistas que tem uma história no mercado da música angolana e cujas canções marcaram e continuam a marcar o mundo musical angolano”, explicou.
A casa, que se tem empenhado na preservação e valorização da música angolana, procura contribuir para a recuperação da memória colectiva do cancioneiro nacional, realçou.
Além de recordar estas quatro figuras, este Muzongué vai ainda homenagear António Paulino e contar com a participação de Augusto Chacaia.
A homenagem a António Paulino é, de acordo com Estevão Costa, uma forma de se promover o reconhecimento pelo seu contributo em prol da afirmação, divulgação e valorização do semba, dentro e fora de portas.
Na senda da sua agenda de promoção do nacional, a casa procura desta vez trazer a público um artista cuja carreira tem um registo marcado por sucessos. “Em cada edição, o Kilamba procura homenagear um artista e desta vez a escolha foi para o António Paulino, cujas músicas fizeram e continuam a fazer dançar muitos angolanos”, realçou.
Paulino António Domingos, autor do sucesso “Ponta pé”, nasceu em Malange, comuna do Quela, a 7 de Abril de 1954. Iniciou a sua carreira em 1971, quando foi convidado a participar numa das edições dos “Kutonocas”, onde gravou também o seu primeiro single, que incluía os temas “Joana” e “Balabina”. O seu grande sucesso, “Gi Henda dia Mamã” (saudades da mamã), um tema no qual o compositor lamenta, de forma melancólica, a morte inesperada da mãe, surge em 1973, com o conjunto Jovens do Prenda. O músico também passou, na década de 70, pelos Kiezos, com os quais actuou durante mais de dez anos.
António Paulino tem no mercado os discos “Hima”, “Balabina”, “Kangila” e “Mana Colela”.

Historial dos recordados

Artur Nunes foi um dos expoentes máximos da música urbana de Luanda, tendo-se notabilizado na década de 1970, com canções e letras que retratavam o quotidiano do país, músicas revolucionárias a favor da independência de Angola e sobre o amor. Tem no seu repertório temas como “Ku muxito”, “Zinha”, “Mana”, “Tia”, “Mukila uami”, “Kalumba kami”, “Dituzu”, “Kizua ki ngi fua” e “Njila ia kuaku”. Artur Nunes faleceu nos finais da década de 1970.

Urbano de Castro

Urbano de Castro foi um compositor que transformava em canção as mais singelas ocorrências do quotidiano, de forma inusitada e ocasional. Muitas da suas composições surgiram em encontros de amigos e ficaram para a história as tertúlias realizadas nas “casas gémeas”, no bairro Rangel, zona do México, propriedade do cantor e compositor Óscar Neves.
A sua música ficou marcada pelas influências dos géneros dançantes da América Latina, Congo Democrático e pelo cancioneiro luandense, com os quais teve um contacto muito próximo, perceptíveis pela análise do conjunto da sua obra musical.
Urbano de Castro gravou com os Kiezos, Jovens do Prenda, África Ritmos, África Show e Águias-reais, tendo deixado em singles várias canções.

David Zé

David Zé iniciou a sua carreira artística em 1966. “Kadica Zé" foi o seu primeiro disco. Gravou um total de 14 singles e um LP em 1975, intitulado “Mutudi Ua Ufolo” (“Viúva da Liberdade”).
Contemporâneo de Urbano de Castro, Artur Nunes e Dino Kapakupaku, outros três grandes da música nacional angolana, David Zé era professor e fundidor. Foi director musical do agrupamento FAPLA-Povo e foi incumbido pelo Presidente Agostinho Neto de participar nos festejos da Independência de Moçambique, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, onde interpretou a canção “Quem matou Amílcar Cabral".
“Lamento de Paiva", “Kadikazeca", “Merengue Santo António", “Namorada do Conjunto", “Kalumba Yó", entre outras, são canções que fazem parte do seu vasto repertório.

Teta Lando

Intérprete e compositor, Teta Lando viveu em Paris entre 1978 e 1989, onde se tornou um dos grandes defensores e impulsionador da música angolana.
Natural de Mbanza Congo, compôs a primeira canção em quimbundo, em 1964, intitulada “Kinguibanza”. Em 2006, Teta Lando assumiu a presidência da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC). Morreu em 2008, em Paris, vítima de doença.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA