Cultura

Nostalgia na festa dos "Jovitos"

Roque Silva |

Os 40 anos de carreira do agrupamento musical Jovens do Prenda foi comemorado num ambiente de nostalgia, no Centro Recreativo e Cultural Kilamba, no Distrito Urbano do Rangel.

Palco do Centro Recreativo Kilamba no distrito do Rangel acolheu mais uma edição do “Muzongué da Tradição”
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

O mítico palco da antiga Maria das Escrequenhas suportou e viu desfilar três agrupamentos de referência obrigatória na história da Música Popular Angolana: Jovens do Prenda, Kiezos e Kimbamdas do Ritmo.
Além dos agrupamentos, três vozes consagradas, sendo duas da nova geração. Para os anfitriões, os Jovens do Prenda, os integrantes dos Kiezos animaram a festa com as vozes de Augusto Chacaya, Lulas da Paixão, Filho do Zua e Tony do Fumo Filho.
A cerimónia começou rigorosamente às 12h00. Os Kiezos suportaram a performance de Augusto Chacaya, que interpretou “Samba samba” “Divua diame” e “Ua xibila”, e apresentou dentre outros sucessos de carreira, as músicas “Comboio”, “Za boba”, “Muá pangu”, “Milhorró”, e a famosa canção “Mana Tita”, de Zecax, que "aqueceu" os convivas para seguirem à pista de dança.
O segundo momento, com Tony do Fumo Filho, serviu para recordar uma voz que deixa saudades e transporta as décadas de ouro da música angolana. Passou em revista a carreira do pai, falecido em 1991, ao som de “Malamba”, “Nginginda” e “Aka mukúa”.
Seguira-se os Kimbambas do Ritmo, com uma viagem ao cancioneiro angolano para interpretar músicas estrangeiras, com destaque para o género rumba e o bolero.
A banda acompanhou Lulas da Paixão e Filho do Zua, num casamento entre o semba e o kizomba.
Com a sua voz rouca e forte, o cantor e compositor foi bastante plaudido e, uma vez mais, convidou os espcatadores para a pista de dança, com “Nguami maka”, “Kamaka”, “Garan” e “Kaxikalo”.
Lulas da Paixão deu lugar ao Filho do Zua, que prendeu a atenção do público, ao interpretar “Ndoki” e “Saia dela”. Boto Trindade também fez parte do espectáculo, extraindo acordes e solos de guitarra.
Os Jovens do Prenda encerraram a cerimónia passando em revista a sua discografia, com canções que marcam o percurso que a tornaram uma banda emblemática. Acompanhada por instrumentistas cubanos, três saxofonistas, foi um casamento entre instrumentos tradicionais e clássicos.
António Paulino subiu ao palco, mas coube a Pira Kanda encerrar, dando voz a mais de 10 canções, entre as quais “Jienda já Luanda”, “Lamento de um filho”, “Papá”, “Isabel”, “Tété”, “Longa marcha”, “Sunga sunga”, “Ngana Maria”, “Tia” e “Nova cooperação”. Os Jovens do Prenda estiveram em palco com António Imperial “Baião” (viola ritmo), Zé Mueleputo (viola solo), Carlos Timóteo (viola baixo), Zé Abílio (contra solo), Esteves Bento (tambores), Chico Montenegro (bongós), Josué (teclado), Didi da Mãe Preta (dikanza) e Zé Manico (coro).
No final, fez-se um minuto de silêncio em memória de Zé Keno, um gesto aplaudido por todos os participantes. A homenagem serviu para motivar o agrupamento Jovens do Prenda, para continuar a  produzir música de qualidade e manter vivas as suas raízes, disse Chico Montenegro, à imprensa. Para o artista e fundador dos “Jovitos”, iniciativas do género regozijam os autores e criadores, e transmitem a sensação que não estão só.
Os Jovens do Prenda foi formado em 1968, com a designação de Jovens do Catambor. Estiveram na base dessa formação os artistas Chico Montenegro e Didi da Mãe Preta.

Histórico da banda

Os Jovens do Prenda surgiu em 1968, com a designação Jovens do Catambor, passando ainda nesse mesmo ano a chamarem-se Jovens da Maianga e, finalmente em 1969, passam a ter a designação actual.
O empresário Manguxi, do Sambizanga, foi quem sugeriu o nome, naquela altura era proprietário do Salão Braguês e alugava aparelhagens, que havia sugerido o seguinte: “O certo é denominar o grupo com o nome do bairro de onde vocês são provenientes”, daí o nome Os Jovens do Prenda, já que o grupo era originário deste histórico bairro Luanda.
A formação de Os Jovens do Catambor já possuía um leque impressionante de cantores e instrumentistas, onde se destacavam Manuelito Maventa, (viola solo), Zeca Kaquarta, (tambor), Napoleão, (Pwita) e Juca, (dikanza).
José Keno, o guitarrista emblemático dos Jovens do Prenda, entrou para o grupo, vindo dos Sembas. Com a sua entrada ficou completa, em 1969, a primeira formação de Os Jovens do Prenda, com José Keno (viola solo), Zé Gama (baixo), Luís Neto (voz), Kangongo (tambor baixo) e Chico Montenegro (tambor solo). O grupo sofreu muitas cisões e abandonos, até à fase actual.

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