Nova autobiografia de Roberto Carlos


19 de Agosto, 2014

Fotografia: Reuters

O cantor Roberto Carlos revelou ontem no México que está a escrever a sua autobiografia, a ser publicada, pelo menos, em dois livros, com o intuito de evitar mais especulações sobre a sua vida.

“Quero revelar e falar sobre tudo, mas principalmente as coisas boas. Quero contar como aconteceu, como está a acontecer e como quero que continue a acontecer”, disse Roberto Carlos numa conferência de imprensa, realizada pela Sony Music para celebrar os 12 milhões de discos vendidos ao longo da carreira do “rei” no México.
Sobre a data do lançamento do livro, Roberto Carlos revelou que vai ser “quando estiver pronto”, mas adiantou que já escreveu 30 por cento do “primeiro volume”. “Quero dizer que não vai caber tudo em apenas um livro, acredito que vão ser dois volumes”, completou.

Projecto de aposentação


Durante a entrevista no México, Roberto Carlos também comentou a possibilidade de uma aposentadoria. “Há um momento em que se pensa: ‘é a altura de parar’. Ainda não pensei nisto, porque tenho a esperança que nunca vai acontecer. Vejo-me sempre a cantar”, declarou o cantor.
O músico brasileiro disse que a estratégia para se manter no activo tanto tempo é querer “sempre fazer uma canção de amor melhor que a anterior”. O outro segredo, revelou, é a sua preocupação com a saúde. “Cuido-me, não posso negar, faço exercícios e sou adepto da medicina ultra-molecular”, reforçou.
No México, o músico aproveitou o convite para apresentar o seu disco  de orinais “Este tipo soy yo”. “Faço canções de amor porque é um sentimento eterno e está sempre presente ao longo do tempo”, afirmou.

"O réu e o rei"


Em 2007, uma biografia não autorizada, intitulada “Roberto Carlos em detalhes”, de Paulo César de Araújo, foi tirada de circulação depois de uma disputa judicial. No passado mês de Maio, o mesmo autor brasileiro lançou um novo livro, “O réu e o rei: Minha história com Roberto Carlos, em detalhes”, com a chancela da Companhia das Letras, que fala sobre a proibição do trabalho anterior.
“O réu e o rei” saiu duas semanas depois de a Câmara dos Deputados ter aprovado o projecto de lei que autoriza a venda de biografias não autorizadas pelos biografados ou por suas famílias, em caso de morte. O texto precisa ainda de passar pelo Senado antes de ir à sanção presidencial.
O Supremo Tribunal Federal também pretende analisar a acção que pede a autorização da publicação. O caso é decidido pelo Supremo durante o julgamento de acção proposta pela Associação Nacional dos Editores de Livros.
No processo, a associação afirma que a actual restrição imposta aos editores é incompatível com a liberdade de expressão e de informação. Os autores da acção pedem que o Supremo declare que não é necessário o consentimento do biografado para o livro ser publicado.
No mesmo dia em que “O réu e o rei” chegou às livrarias, o editor da Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, escreveu no blog da editora brasileira um comentário a favor da liberdade da publicação de biografias não autorizadas.
“Serve como testemunho das dificuldades para escrever biografias independentes no Brasil. Com ‘O réu e o rei’ a Companhia das Letras procura contribuir activamente para a consolidação do direito do cidadão brasileiro ao conhecimento de factos relevantes da vida das figuras públicas.”

Procure Saber


A liberdade de publicação de biografias ganhou mais destaque a partir do início de 2013, quando o grupo Procure Saber, composto por Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Roberto Carlos, Djavan e presidido pela ex-mulher de Caetano, Paula Lavigne, passou a defender a proibição de obras não autorizadas.
Os artistas diziam defender o direito à privacidade e destacavam as dificuldades para depois conseguir reparar, mesmo através de acções judiciais, os danos posteriores à publicação.
Os biógrafos, contudo, avaliam que a necessidade de autorização é censura prévia e fere a liberdade de expressão. Dizem que a necessidade de autorização defendida pelos artistas impedia a publicação de obras sobre personagens históricos, citando como exemplo a impossibilidade de se escrever sem interferências um texto sobre generais da ditadura ou sobre políticos.
O Código Civil brasileiro, em vigor desde 2003, diz que “a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, exposição ou utilização da imagem de uma pessoa podem ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indemnização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se forem para fins comerciais”.
Apenas devido a essa regra é que Roberto Carlos rejeitou, em Abril de 2007, a biografia escrita por Paulo César de Araújo, “Roberto Carlos em detalhes”, publicada pela editora brasileira Planeta, em Dezembro de 2006. O livro teve a sua produção e comercialização interrompidas após um acordo judicial entre a editora e o cantor.
O Artigo 5º da Constituição Federal, entretanto, diz que “é livre a expressão da actividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura” e atesta que “são invioláveis a intimidade, vida privada, honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indemnização pelo dano material ou moral decorrente da sua violação”.

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