O melhor da canção infantil no Centro de Convenções

Honorato Silva |
17 de Junho, 2016

Fotografia: ANGOP

As crianças e os adolescentes das primeiras duas décadas de Angola como país independente voltam a reunir-se amanhã a partir das 20h00, no Centro de Conferêcias  de Belas (CCB), em Luanda, para mais uma sessão do contagiante Show Piô organizado pela Nova Energia.

Depois do sucesso o ano passado do Show Piô, no projecto Show do Mês realizado de forma regular no palco intimista do Royal Plaza Hotel, em Talatona, e do Show Piô Bis no CCB, os cantores infantis, hoje pais de família, reencontram os seus fãs também já adultos, quase todos na casa dos 40 anos, para um espectáculo que visa saudar os dias Internacional (1 de Junho) e da Criança Africana, ontem celebrado em memória dos meninos massacrados em 1975, no bairro sul-africano do Soweto.
A organização colocou à venda 2.500 bilhetes,  que esgotaram. Yuri Simão, da Nova Energia, aplaude a adesão do público: “É bonito constatar esse interesse pelo espectáculo, sobretudo por ser o terceiro no espaço de um ano. Isso quer dizer que a criança em nós nunca morreu. Logo, somos bons e puros.”
O rosto do projecto desafia os fãs a transmitirem os bons ensinamentos extraídos do período de ouro da música infantil para as gerações mais novas: “Queremos com isso passar a todas aquelas crianças, hoje homens feitos, a responsabilidade de encaminharem os seus filhos, de modo a não terem apenas o Panda e Os Caricas como referências. Criadores como Filipe Zau, Rosa Roque e Alice Berenguel continuam vivos. Aprendemos geografia e fauna ouvindo essas músicas, quando do estrangeiro vinha muita coisa, com destaque para o Trem da Alegria e Balão Mágico do Brasil, mas preferíamos a produção nacional, porque éramos bem orientados.”
Com o suporte instrumental da banda do Show do Mês, reforçada por Chico Santos, nas congas, e uma secção de metais, novidade na canção infantil, os músicos prometem um espectáculo novo e intenso, “bem na linha do que já habituaram os seus fãs”.
Faustino Segunda, uma das ausências muito cobrada nas duas sessões anteriores, leva ao palco o seu grande sucesso: “Madalena me mandou esperar/numa noite sem luar/... eu esperava Madalena/até à noite que quisesse chegar... Oh, Madalena/Oh Madalena...”
Dilson e Dinamene, representada por Elizabeth Martins, trazem a canção escrita por Fernando Nogueira. “Quero ter um sonho longo e tão feliz/perseguir nas chanas a lebre e a perdiz.../ e sentir que os animais são livres como eu/ crianças como eu/ sem medo como eu...”
Ângelo Boss volta a ser Ramos e Maya Cool reencarna Lucas de Brito, numa viagem que recupera memórias de Mamborrô e João Assunção, cantores já falecidos. Joseca, muitos quilos mais velho, vem dizer no seu “Carro Azul”, que nasceu com alguma coisa para dizer, mas nunca foi capaz de dizer para o mundo, enquanto Martins Cristóvão, o “Pipi Adora” do grande público, denuncia a Zuka que lhe “arranjou dois homens”.
Octaviano Correia, primeiro editor do programa Piô da Rádio Nacional de Angola, é homenageado pelos seus antigos pupilos, designadamente António Campos “Titilá”, Jorge Antunes e Leopoldo Baio, numa noite de distinção da produtora e apresentadora de programas infantis Alice Berenguel, pela carreira. A escola Obra Bela vai recriar o coral da Academia de Música de Luanda.
A diáspora angolana pode seguir o espectáculo via internet, pela conta do Show do Mês no Youtube. A TV Zimbo retransmitiu no Natal o Show Piô Bis, o primeiro realizado no CCB, no dia 17 de Outubro.

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