Obras de Mozart regressam aos palcos de Londres


2 de Janeiro, 2015

Fotografia: Divulgação

A Classical Opera, companhia que o maestro Ian Page fundou em 1997 para celebrar o génio inultrapassável do grande compositor austríaco Mozart, realiza este ano e até 2041vários espectáculos pela Europa em memória do artista.

Os espectáculos, informou o maestro, começam em Londres, cidade onde Mozart compôs a sua primeira sinfonia e acontecem durante 27 anos. “Sim, algumas pessoas já me disseram que eu posso morrer antes desta missão acabar”, confessou ao jornal “The Guardian” Ian Page, reconhecendo tratar-se de “um projecto extraordinariamente longo e ambicioso”.
O projecto, denominado “Mozart 250” tem partida em 1765, o ano em que Wolfgang Amadeus Mozart, de apenas oito anos, desembarca em Londres, acompanhado pelo pai, que decidiu exibir a sua criança prodígio à capital britânica, e a chegada em 2041, o ano em que morre prematuramente depois de compor aquela que foi a sua ópera mais representada em espectáculos, “A Flauta Mágica”.
A ideia, disse, é mostrar toda a carreira musical de Mozart, incluindo capítulos particularmente desconhecidos como a etapa londrina, que foi decisiva para uma criança já então extraordinariamente dotada para a música e se viu numa cidade fervilhante, onde assistiu a uma obra que nunca mais esqueceu, “Adriano in Síria”, de Bach.
“É em Londres, onde vive entre Charing Cross Road e Frith Street, que Mozart compõe a sua primeira sinfonia. Tinha acabado de se mudar para Chelsea, então uma zona rural, e de se ver proibido de tocar os seus instrumentos para não fazer demasiado barulho”, contou.
Ian Page adiantou ainda que a “Sinfonia nº 1” é um dos grandes destaques do programa de 2015. O maestro acrescentou que a partitura original é fascinante: “A música é tão boa quanto a que os compositores adultos estavam a fazer na altura e mostra já uma voz individual. É um pouco como Shakespeare: há peças melhores e peças piores, mas todas têm coisas que não teriam ocorrido a absolutamente mais ninguém”, explicou o maestro Ian Page.

Momentos irrepetíveis

Até 2041, reforçou, a Classical Opera vai executar as grandes obras de Mozart por ordem cronológica, incluindo todas as óperas, oratórias e árias de concerto, a maioria das sinfonias e dos concertos, grande parte das peças de câmara e das composições instrumentais, dadas a ouvir exactamente 250 anos após a sua estreia absoluta ou do momento irrepetível em que foram compostos os temas.
“Espero que este programa permita dar a conhecer os altos e baixos de Wolfgang Amadeus Mozart, revelando os momentos em que estava em forma, aqueles em que estava em dificuldades, as obras que compôs apenas para ganhar dinheiro e as que criou obedecendo ao seu instinto artístico mais puro”, destacou o maestro.

Adriano na Síria

“Mozart 250” passa também, já a 22 de Janeiro, no Wigmore Hall, por uma reconstituição do ambiente que se vivia em Londres na segunda metade do século XVIII e da música que lá se ouvia, incluindo a primeira produção moderna do espectáculo “Adriano in Síria”. Em Fevereiro, o espectáculo muda de cidade e é exibido no Milton Court, com mudanças na história, agora a explorar os episódios da estada do compositor na capital britânica, com uma agenda de concertos e conferências a cargo da British Library. “Durante o projecto vão existir anos mais intensos do que outros, a começar por 2017, aquele em que Mozart, então com 11 anos, deu início à sua produção artística”.
Além de convocar explicitamente os admiradores do compositor, “Mozart 250” destina-se também aos públicos menos familiarizados com a música clássica: “Ficava deprimido se não tivéssemos connosco pessoas que querem saber mais sobre Mozart. Há muita gente que pode gostar de ópera em particular e de música clássica em geral, mas que se sente demasiado assustada ou intimidada pelo elitismo do meio”, lamenta Page, que acolheu todas as sugestões para tornar mais rico o espectáculo sobre a vida e a obra do compositor austríaco.

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