Cultura

Pesquisadores internacionais interessados na música angolana

A música angolana, em especial, e as demais manifestações artístico-culturais, além de artistas, têm atraído o interesse de pesquisadores internacionais.

Fotografia: EDIÇÕES NOVEMBRO

Nina Baratti é uma estudante de Etnomusicologia italiana que esteve recentemente em Luanda para uma pesquisa exploratória sobre a música angolana.
Em declarações ao Caderno de Fim-de-Semana, afirmou que cresce a busca de conhecimento não apenas sobre a música, mas a cultura angolana no geral. Reconheceu que o interesse e a mediatização da kizomba e do kuduro favoreceram, em parte, essa tendência, "mas o que tem acontecido nos últimos tempos é a pesquisa em torno do que foi produzido no passado."
Lamentou a fraca produção de trabalhos académicos por angolanos e a dificuldade de sistematização das práticas musicais. A jovem aproveitou ao máximo os 21 dias que esteve em Angola, entrevistando artistas, jornalistas, pesquisadores e outras fontes para o primeiro contacto que considerou "real" com a cena musical angolana.
Algumas das constatações que fez, disse, foram a ausência de espaços populares para apresentação dos artistas, visto que os ingressos não são acessíveis.
Participou numa das edições do Muzonguê da Tradição e no programa da RNA Poeira no Quintal. Numa apresentação de Isaías Afonso, que substituiu Sebastião Lino, o programa contou com a presença dos músicos Dikambú, Manuelito, Xabanú, Tó Lemos, Sassa, Nelo Vieira, Cirineu Bastos, Dulce Trindade e Horácio Dá Mesquita. Durante hora e meia, os angolanos presentearam a pesquisadora com um panorama da evolução da música luandense, das Turmas ao formato de Conjuntos.
Horácio Dá Mesquita fez a entrega de uma  pesquisa, que resultou de um aturado trabalho de anos e que consistiu em conversas com guitarristas como Zé Keno e Marito e na elaboração de pautas de malhas desses instrumentistas.   O multifacetado artista, vencedor do Prémio Nacional de Cultura e Artes em 2017, na categoria de Artes Plásticas, contou, nesta empreitada, com o apoio de Zeca Tirilene. Uma das consequências da pesquisa de Dá Mesquita foi deixar cair o mito da afinação de Zé Keno.
Nina Baratti está na linha de pesquisadores como a americana Marissa Mormann, os brasileiros Mateus Berger, Ricardo Vilas Boas e Amanda Alves, a alemã Stef Meaow, o espanhol Tony Grova e a italiana Federica Toldo, dentre outros estrangeiros.
Apesar de pouco divulgados e sem apoios institucionais, angolanos nas várias áreas do saber, como por exemplo João Miguel das Chagas, Gilberto Júnior, Carlos Lamartine, Dionísio Rocha, Nguxi dos Santos, Luís Kandjimbo, Jomo Fortunato, Filipe Zau, Adriano Mixinge, Cláudio Tomás e outros, por via dos trabalhos de licenciatura nas universidades do país, também têm dado o seu contributo.
A investigadora italiana pretende regressar a Angola no próximo ano, para dar seguimento à sua pesquisa, já com uma área específica, e para estabelecer parcerias além de interceder para que pesquisadores angolanos possam beneficiar de projectos internacionais.

Tempo

Multimédia