Presidente na história da canção política


2 de Julho, 2015

Fotografia: Lourenço Silva | Cabo Verde

No âmbito das comemorações dos 40 anos da independência de Angola, o sector cultural da Embaixada de Angola em São Tomé e Príncipe realizou uma conferência subordinada ao tema “O Papel da Música de Intervenção no Processo da independência Nacional de Angola”.

Na ocasião, o palestrante, Jomo Fortunato, Professor da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, e um dos mais conhecidos investigadores da História da Música Popular Angolana, realçou a importância e contribuição do Presidente da República,  José Eduardo dos Santos, na história da canção política angolana, enquanto fundador do conjunto “Nzaji”: “O conjunto “Nzaji”, formação musical criada na cidade de Moscovo, em 1964, sustentou o lado romântico da clandestinidade e da guerrilha, durante o processo de luta anti-colonial, com canções que veiculavam mensagens explícitas e mobilizadoras, difundidas no programa radiofónico “Angola Combatente”, um período que acabou por marcar o início da formação da música de intervenção, na linha de continuidade do período acústico da Música Popular Angolana”.
A formação do conjunto “Nzaji”, argumentou Jomo Fortunato, resultou da tomada de consciência cultural dos nacionalistas angolanos, em situação colonial, que teve como consequência o posterior pragmatismo político, que culminou com a celebração da independência de Angola. Na época da formação do conjunto “Nzaji”, o jovem José Eduardo dos Santos, tinha então vinte e dois anos, tendo fundado e orientado a estétia do Conjunto Nzaji, formação que primeiro se designou os “De repente”, uma emanação e degenerescência do conjunto “Kimbambas do Ritmo”, criado em 1959, grupo que, à época, já acusava uma assinalável solidez estrutural e criativa.
Constituído por José Eduardo dos Santos (composição, voz e viola), Pedro de Castro Van-Dúnem “Loy” (voz e composição), Brito Sozinho (voz e composição), Ana Wilson (voz, coros ), Maria Mambo Café (voz, coros ), Amélia Mingas (voz, coros), Mário Santiago (viola), Faísca (viola), Biguá (voz), Fernando Assis (piano e composição),  e Fernando Castro Paiva ( ngoma), o conjunto “Nzaji” veio a tornar-se o paradigma musical da época da guerrilha. 
O orador referiu igualmente a importância do agrupamento“Kissanguela” na história da música de intervenção, nos seguintes termos:  “O período Kissanguela foi, inquestionavelmente, uma das fases mais criativas da Música Popular Angolana. Neste célebre período, o agrupamento “Kissanguela” congregou, num só grito, várias vozes que cantaram a eclosão da liberdade do povo angolano. Foi a resposta revolucionária e artística, à asfixia dos direitos fundamentais dos angolanos na “longa noite colonial”.
Jomo Fortunato considerou que nesta época a designada “música engagé, revolucionária, de intervenção ou, simplesmente, canção política, ficou na memória colectiva a marca de uma música romântica, nos seus motivos melódicos, e verdadeiramente eficaz, nos seus propósitos textuais”.
O orador cita o cantor e compositor, Domingos Pereira dos Santos Júnior, ou simplesmente, Santos Júnior: O “Kissanguela” conseguiu salvar o barco artístico que se havia afundado depois do “Período de Silêncio” em 1975.
De facto, acrescenta Jomo Fortunato, esta formação, que surge imediatamente antes da independência, congregou vários, cantores,  compositores e instrumentistas que se encontravam dispersos: José Agostinho, Filipe Mukenga, Artur Adriano, Mário Silva, Urbano de Castro, El Belo, Fató, Avózinho, Tonito, David Zé, Artur Nunes, Belmiro Carlos, Santos Júnior, Mário Silva, Candinho, Calabeto, Artur Adriano, e Raúl Tolingas.Tudo começou no interior da J.M.P.L.A, a organização juvenil do maior partido político de Angola. Jomo Fortunado lembrou ainda a contribuição de outras vozes, entre elas as de Bonga, Santocas, Carlos Lamartine, Taborda Guedes, Manuel Faria e Elias Diá Kimuezu. O evento, bastante concorrido e aplaudido, decorreu no espaço C.A.C.A.U, a Casa de Arte, Cultura, Ambiente e Utopias, no último sábado, na capital são-tomense, e juntou músicos, pintores, escultores, escritores, académicos, políticos e figuras de diferentes áreas do saber da sociedade são-tomense.

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