Projecto abre as portas com vozes consagradas

Roque Silva |
25 de Julho, 2015

Fotografia: Paulo Mulaza

O “rei” da música angolana é o destaque de mais uma edição do projecto “Sábado das Recordações”, que começa às 12h00 e termina às 20h00, no espaço Requinte, no bairro Kifica, no distrito urbano do Benfica, em Luanda.

Elias Dia Kimuezu, cuja aparição em concertos é limitada muito por culpa dos poucos convites que recebe, garantiu ao Jornal de Angola que pretende participar na actividade, pese embora tenha enterrado recentemente um dos filhos.
O músico disse que decidiu abraçar o projecto para reforçar o seu sonho de divulgar mais a música angolana de raiz, em particular o semba. “Esse é mais um programa de que devemos ter orgulho, por ajudar a valorizar os precursores da música que estão no esquecimento”, referiu.
O “rei” da música angolana sempre pertenceu aos movimentos de intervenção e preservação das músicas e tradições angolanas, marginalizadas pela dominação colonialista, em bairros e musseques de Luanda, como Rangel, Marçal, Sambizanga e Bairro Operário. Na altura, conta, os músicos e nacionalistas transmitiam mensagens sobre a importância da conquista da independência, em temas interpretados nas línguas africanas de Angola, de forma a divulgar também os costumes e a cultura nacional.
O músico disse que despertou a sua vocação artística aos 15 anos, quando tocava e dançava ao ritmo do kinganje. O seu primeiro sucesso popular foi “Zum - Zum”. Depois integrou os agrupamentos Turma do Margoso, como vocalista e executor de bate-bate, Os Makezos, Os Kizombas, e aos 22 anos o Grupo Ginásio, de que faziam parte José Eduardo dos Santos, como guitarrista e compositor, Pedro de Castro Van-Dúnem (Loy), Brito Sozinho, Mário Santiago, Faísca e Buanga.
Massano Júnior, o outro músico convidado, prometeu, com acompanhamento da banda Movimento, que também actua com o “rei” Elias, interpretar os melhores sucessos dos seus mais de 40 anos de carreira, inclusive os da altura em que foi a voz principal do África Show, grupo que fundou em 1968, depois de sair dos Negoleiros do Ritmo.
Em 1969 gravou o primeiro “single”, um vinil que incluiu as canções “Mariana da Mbimbe” e “Minga”. Em 1972, o músico  foi convidado pelo Duo Ouro Negro a integrar o espectáculo “Blackground”, com quem fez uma digressão por Angola e Moçambique. Depois actuou com a Instrumental 1º de Maio.

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