Cultura

Proletário lança este ano o CD

Manuel Albano |

Proletário, que se estreou no mercado discográfico em Dezembro de 2009 com o CD “Caminhada”, está a produzir o segundo álbum de originais intitulado “Carolina do Ebo”, que chega ao mercado em Outubro deste ano.

Cantor está satisfeito com o surgimento de artistas jovens por apresentarem inovações
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

O CD vai ser lançado em sessão de venda e assinatura de autógrafos na Praça da Independência, em Luanda.
Em declarações, ontem, ao Jornal de Angola, o cantor precisou que neste momento está a concluir a primeira fase do disco, cuja produção decorrer nos Estúdios Sonarte, ex- Marimba, em Luanda.
Não obstante  algumas dificuldades financeiras, o cantor disse que pretende viajar em Setembro para Portugal, para concluir o disco composto por 12 temas musicais nos estilos semba, boleiro, kizomba, kuassa e kilata, esse último ritmo da região de Calulo, província do Cuanza-Sul.
O disco tem o suporte da banda Xamavo, que integra os artistas António Paulino (director-geral e conselheiro), Robertinho (director para área técnica) e o próprio (director cultural e marketing).
No disco constam temas como “Canote”, “Lemba”, “Minga”, “Zembele”, “Serenata”, “Margarida”, “Ngana Salinine” e “Scânia 140”, uma versão do “Scânia 111”, tema que fez bastante sucesso na década de 70 e 80.
Proletário disse estar satisfeito com o surgimento de novos cantores, o que está a possibilitar trazer no mercado novas propostas musicais. “Estamos a preparar um disco que possa alcançar outros mercados, principalmente o internacional, por forma a continuar a mostrar a diversidade cultural dos angolanos”, disse Man Prole, como é também conhecido nas lides artísticas.

Cartão de visitas

Nascido em 1957, no Cuanza-Sul, Jaime Palana Kingungo começou a carreira em 1970, ainda na sua terra natal, mas tornou-se conhecido por volta de 1972/73 no bairro Kaputo, município do Rangel, em Luanda, onde fazia actuações esporádicas no Centro Recreativo Maria das Crequenhas, actual Centro Recreativo e Cultural Kilamba.
Em 1977, período em que o país perdeu vozes de referência como David Zé e Urbano de Castro, Joine Jaime, como era conhecido na época Proletário, integrou os Surpresa 103, com o qual prosseguiu as suas actuações.   Na altura, Proletário cantava, como outros artistas da época, música revolucionária, fazendo soar a sua sagacidade vocal em várias regiões de Luanda até a década 80, altura em que foi obrigado a cumprir serviço militar. O cantor integrou ainda o agrupamento FAPLA Povo e a banda Semba Tropical, sendo a sua música intitulada “Scânia 111” uma das mais conhecidas. No seu palmarés constam actuações no Congo Brazzaville, na República Democrática do Congo (ex-Zaíre), Líbia, São Tomé e Príncipe e Portugal.

Qualidade musical

O cantor e compositor  considerou satisfatória a qualidade da produção discográfica actual, fruto da aposta dos empresários e produtores nacionais em colocar à disposição do público obras trabalhadas com rigor.
Na sua óptica, esta qualidade é sinónimo de uma entrega e valorização da música angolana , com o intuito de preservação das raízes culturais angolanas.
De acordo o autor de “Scânia 111”,  a música, embora esteja a evoluir em termos de qualidade, “é necessário uma participação mais activa de todos os agentes culturais, para ampliar a divulgação no exterior”.
Segundo Proletário, os compositores, cantores e instrumentistas  devem, igualmente, apostar na investigação das raízes culturais no domínio da música tradicional, dos contos e dos provérbios, como forma de projectar a matriz cultural angolana “muito rica, em todas as regiões do nosso país”.

Tempo

Multimédia