Rei da Morna hoje lembrado


13 de Julho, 2014

Fotografia: DR

O “Rei da Morna", Adriano Gonçalves, mais conhecido por ‘Bana’, morreu faz hoje um ano, aos 81 anos, no Hospital de Loures, Portugal, vítima de doença prolongada. As suas cinzas foram depositadas no cemitério de São Vicente, no Mindelo, a 25 de Julho de 2013, depois de cremado a 16 do mesmo mês no cemitério do Alto de São João, em Lisboa.

“Bana", conhecido pela sua interpretação de mornas e coladeiras, nasceu no Mindelo, no dia 5 de Março de 1932 mas só foi registado a 11 de Março. Começou a sua carreira no Senegal e tocou pela primeira vez em 1969, a convite da Comissão Instaladora da Casa de Cabo Verde.
Bana começou a sua carreira quando Cabo Verde era ainda colónia portuguesa. Na época trabalhava como guarda-costas e moço de recados do compositor e intérprete B. Leza.
Juntando-se ao coro dos diferentes cantores que contavam e cantavam as mornas, os amadores dos violões, das violas e dos cavaquinhos apercebem-se rapidamente da voz invulgar, admitindo-o entre os grandes de então. Um deles ficou particularmente encantado com a voz de Bana: nem mais nem menos do que o célebre compositor e poeta B. Leza, que o apresentou, em 1959, numa digressão que a Tuna Académica de Coimbra efectuou por São Vicente. Entre os responsáveis pela Tuna figuravam o escritor, romancista e jornalista Fernando Assis Pacheco e o poeta e político Manuel Alegre, que tentaram levá-lo a Portugal para actuar. Em Dacar, Senegal, Bana gravou o seu primeiro disco e deu os primeiros espectáculos. De Dacar, seguiu para Paris, onde permaneceu até 1968 e gravou mais dois LP. Depois foi para a Holanda, publicando mais dois “long-play” e seis discos EP, muito em voga na altura. No ano seguinte, 1969, surgiu o convite para se deslocar a Portugal. Foi na inauguração do Restaurante “Monte Cara”, em Lisboa, na companhia de dois dos seus amigos, Luís Morais e Morgadinho, com quem formou,em 1966, o conjunto Voz de Cabo Verde, ainda com Toy da Bibia.
Ao longo de uma carreira de mais de 60 anos, Bana fez inúmeros concertos e cantou em vários países da Europa, África e América. Em 1974, mudou-se para Lisboa e começou a revelar vários talentos cabo-verdianos, entre eles o cantor Tito Paris.
O ‘Rei da Morna’ lançou mais de 50 LP e EP e participou em quatro filmes, dois franceses, um alemão e um luso-cabo-verdiano.
“Embaixador” da música cabo-verdiana, por ser pioneiro em levá-la aos quatro cantos da Europa e África, Bana foi reconhecido com várias condecorações e homenagens, em Cabo Verde e no estrangeiro.
Bana, que esteve várias vezes em Angola, tem no seu repertório vária músicas dedicadas ao nosso país. Realizou nos dias 9 e 10 de Janeiro de 2006 dois espectáculos no Centro Recreativo Kilamba, onde fez o lançamento do seu trabalho “Mosteiro Nha Tentação”.

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