Cultura

Robertinho "adoça" ementa do convívio

Ferraz Neto

Nasceu na região do Quéssua, conhecida como um dos berços do Metodismo em Angola, na histórica província de Malanje. Dono de um talento artístico invejável, está registado com o nome Fernando Lucas da Silva, mas por ser um fã confesso do músico Roberto Carlos ganhou o pseudónimo Robertão.

Robertinho é um dos destaques na homenagem a Nick
Fotografia: Eduardo Pedro|Edições Novembro

Daí que o Fernando Lucas da Silva “desapareceu”, nem em casa lhe chamavam mais por este nome. Contudo, é o seu nome de registo!
Senhor de um rico e vasto acervo musical em que despontam composições como “Joana Mu Kua di Fuba”, “Samba-samba”, “Desespero”, “Kalamaxinde” e “Sanguito”, nasceu em Julho de 1958. Como um peixe na água, na música Robertinho já exerceu vários papéis. Foi instrumentista, corista, vocalista e baterista. Começou a carreira aos 18 anos no grupo “Ébanos”, como instrumentista e corista, a convite de um amigo.
Realizou a sua primeira digressão no exterior com o agrupamento FAPLA-Povo, em Cuba, representando Angola no Festival Mundial da Juventude, numa altura em que cumpria o serviço militar. Neste grupo, Robertinho assumia os papéis de instrumentista e corista, juntamente com o cantor Proletário. Poucos anos depois, os dois passam a  vocalistas principais.
O FAPLA-Povo teve vida efémera e Robertinho, com a intenção resoluta de investir na prossecução da sua carreira musical, juntou-se ao agrupamento Diamantes Negros, em 1983, com músicos como Santocas (Voz), Betinho Feijó (guitarra ritmo) e Massikoka (teclados). Mais tarde, ainda na década de 80, decide enveredar pela carreira a solo, lançando a sua primeira música, intitulada “Nguma”, com a banda Os Kiezos, no programa “Bom fim-de-semana”, que procurava novos talentos, sob a égide do Ministério da Cultura. O seu primeiro single, que inclui o tema “Saudades de voltar a Cuba”  foi gravado em 1978.
Já a primeira obra discográfica, “Joana”, sai a público em 1992, com seis temas, destacando-se “Joana”, “Samba-samba”, “”Desespero”, “Kalamaxinde” e “Sanguito”.
Aos 59 anos, Robertinho é dos poucos músicos da velha geração que dispensa parte do seu tempo em trabalhos com os mais jovens. Da sua caminha constam trabalhos com as duas gerações: entre os jovens constam os nomes de Livongue, Persília Calei e DJ Mania. Do seu repertório traz uma versão de “Ka Kinhento”, de Yuri da Cunha.
 
Recordar Nick no Muzongué
A última edição do Muzongué da Tradição, vulgo Caldo dos Kotas, que acontece no próximo dia 10 de Dezembro, promete, a julgar pelo luxuoso elenco artístico: Robertinho, Dom Caetano e Suzanito, que irão recordar o músico Manuel Constantino “Nick”, natural de Icolo e Bengo (Luanda).
No dia 17 de Setembro de 1997 “Nick” foi distinguido pela Administração Municipal do Kilamba Kiaxi como “Rei da Música Tradicional”, dado o seu empenho em prol da música e da cultura no município do Kilamba Kiaxi.
Nick faleceu no dia 19 de Janeiro de 2015, no Hospital Josina Machel, em Luanda.

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