Semba fica mais pobre com a morte de Bangão

Victorino Joaquim |*
18 de Maio, 2015

Fotografia: Francisco Bernardo

Bangão, 52 anos, morreu ontem de madrugada num hospital de Pretória, África do Sul, vítima de doença. A ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, disse à Rádio Nacional que a música angolana perde um dos seus mais exímios representantes do semba.

Dom Caeteno, que partilhou durante muitos anos os palcos com Bangão, com quem realizou vários trabalhos de composição e gravação, alguns dos quais com a Banda Movimento da Rádio Nacional de Angola, também afirmou que a morte do amigo deixa um grande vazio na música e cultura angolana.
Bangão, referiu, foi o único que se manteve dez anos consecutivos no topo da música angolana.
Bangão, acentuou, tinha grande experiência de composição, interpretação, gravação e actuação em palco, era um gigante da música angolana, com características próprias, que lhe permitiram conquistar grande número de admiradores no país e no estrangeiro.

Longa carreira

Bangão foi dos músicos angolanos mais acarinhados pelo público, em grande medida devido aos dois últimos discos que gravou, “Sembele” e “Cuidado”.
Executante exímio de semba, com temas sobre o quotidiano angolano, cantou pela primeira vez em palco em 18 de Outubro de 1978, como elemento do grupo “Os Gingas Kakulo Kalunga”. Em 1974 passou a integrar o agrupamento “Tradição”, de que faziam parte, entre outros, Alaito (tumbas) e André Lua (voz).
De 1976 a 1977 foi vocalista do grupo Processo de África, com Guncha (tumbas), Artur Décimo (viola baixo), Alaito (bateria) e Abílio (viola ritmo).
Em 1996 venceu o prémio Liceu Vieira Dias, com o tema “Kibuikila” (Peste), acompanhado pela Banda Movimento. Três anos depois passou a fazer parte da Banda Movimento, sempre como vocalista. No mesmo ano, ganhou a primeira edição do concurso Semba de Ouro, com “Kangila” (pássaro agoirento) e afirmou-se como cantor e compositor de inequívocos créditos.
O ano 2003 consagrou Bangão como um dos maiores intérpretes da música popular angolana. No Top Rádio Luanda, conquistou os prémios da música do ano, com o tema “Fofucho”, e voz masculina do ano. Foi-lhe atribuído também o prémio preservação “pela  incessante defesa da música popular angolana”. Em 2005 venceu o Top dos Mais Queridos, da Rádio Nacional de Angola (RNA).
Bangão nasceu em 27 de Setembro de 1962 em Luanda, no Bairro Brás, actual distrito urbano do Sambizanga, onde iniciou a carreira. No estrangeiro, actuou em Portugal, Argentina, Namíbia e Brasil. Neste último país partilhou o palco com Gilberto Gil.

* Com Angop

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