Cultura

Super Star busca novos palcos

Domingos Mucuta | Caconda

Melhorar e inovar são os lemas da banda musical Super Star, que, nos últimos anos, tem provado ser uma referência da música nacional, com potencial para sair da sua terra de origem, a Huíla, e conquistar o país e o mundo.

Banda criada há três anos é uma aposta no music hall nacional
Fotografia: Domingos Mucuta | Edições Novembro

A banda musical, criada pelo comissário da Polícia Nacional na Huíla, José Carlos Inácio da Piedade, há três anos, tem despontado nos palcos das casas e recintos de espectáculos na Huíla, Namibe, Benguela e Luanda.
Além das próprias criações, a banda tem-se imposto no mercado também pela interpretação de temas de outros autores nacionais, assim como no seu acompanhamento. As críticas positivas têm ajudado o grupo a expandir-se para outros mercados e, apesar de ser composto, maioritariamente, por jovens, muitos dos seus ouvintes vêem-nos como artistas experientes.
O agrupamento tem surpreendido até hoje o público pela mestria dos jovens artistas, entre guitarristas, bateristas e pianistas, que, com mérito, aceitaram e estão a vencer o desafio de “encantar” com acordes rítmicos.
Com Freddy Tiago (vocalista e baterista), Mona (baterista), Seruque (baixista), Man Kassi (tecladista), Nando (viola solo) e Samy (guitarra), a banda provou este mês o seu talento no acto provincial das comemorações do Dia do Herói Nacional na Huíla, comemorado no passado dia 17, no município de Caconda.

Versáteis


Quando o desafio é tocar, a banda tem conseguido impor-se em diversos estilos musicais, com maior predominância para o bolero, semba e kizomba. Dia 17, durante os festejos do Dia do Herói Nacional, o conjunto conseguiu conquistar mais público. O vocalista do grupo recebeu várias ovações, em especial ao interpretar temas de Matias Damásio.
Em poucos minutos, a banda tocou temas de artistas nacionais e estrangeiros, com destaque para Yuri da Cunha, Matias Damásio, Eddy Tussa, Maya Cool, Justino Handanga, Beto Dias, Caló Pascoal, Jovens do Prenda, Ngola Ritmo, Kassav e Beto Dias. A versatilidade da banda, explicou Freddy Tiago, tem sido o “cartão postal” do conjunto, assim como é também a referência para estes acompanharem os cantores nos espectáculos. O vocalista adiantou ainda que têm várias músicas prontas para o seu primeiro CD, ainda sem um título ou data de lançamento. “Esperamos ter tudo pronto o mais rápido possível.” Actualmente, conta, têm oito temas prontos. A aposta, acrescenta, está na diversidade. “Por ser uma banda, temos feito uma forte aposta na versatilidade, de forma a poder apresentar um leque maior de escolhas temáticas ao público, assim como atingir várias faixas etárias.”
Entre os temas já finalizados, constam “Mãe Querida”, “Desculpa Mamã”, “Queria Tanto Filha”, “Amor Proibido”, “Malambas da Vida”, “Olha Só O Que Passei” e “Vim Devolver”. Para o vocalista, até o próximo ano, o público já vai poder ouvir os temas do conjunto.

Digressão


Chegar a todos os municípios do país é o sonho do conjunto, que iniciou já uma digressão pela Huíla, para mostrar, em quase todas as localidades da província, o seu potencial. Com passagem pelo Lubango, Matala e Caconda, o grupo tem tido uma boa recepção do público.
No momento, disse Freddy Tiago, a banda precisa de mais oportunidades e de patrocínios para investir numa aparelhagem de alta potência. Hoje, realça, a música feita na Huíla tem espaço e público, por isso, os artistas locais têm de adaptar-se às novas tendências e seguir os desafios da modernidade da música. “É preciso que os jovens talentos também tenham oportunidade para mostrar o seu potencial e, um dia, com esforço e dedicação, conquistarem o país.”

Desafios


Com diversos projectos em carteira, o conjunto espera criar ideias inovadoras, capazes de o tornarem numa referência da música nacional e uma das bandas conceituadas. O criador do conjunto, José Carlos Inácio da Piedade, espera conquistar o mercado com muito trabalho e dedicação. “Não queremos ser comparados com outras bandas. A meta dos Super Star é obter o reconhecimento de todos e só se pode atingir esse objectivo com boas actuações.”
Quanto aos apoios financeiros, José Carlos Inácio da Piedade acredita que podem chegar a qualquer momento, devido ao talento dos membros do conjunto. “Cada vez mais as pessoas têm admirado o trabalho feito pelo conjunto. Não acredito que o mérito não seja reconhecido. Portanto, depois de verem os espectáculos, vão surgir empresários dispostos a apostarem na banda”, defende.
Para ele, o mais importante é mostrar qualidade em cada uma das actuações. Para isso, incentiva os jovens a continuarem a primar pela excelência, mas sem descurar as suas raízes.

Entre o futuro e os desafios da formação

Para o criador da banda, José Carlos Inácio da Piedade, a arte deve ser acompanhada de uma formação adequada, por isso encorajou os jovens talentos a apostarem mais neste sector.
“É preciso preparar o país para os novos desafios e a formação é um deles, pois só assim poderemos garantir um produto de qualidade cada vez mais alta”, disse o comissário da Polícia Nacional, que também tem demonstrado nas actuações da banda os seus dotes nas artes e foi muito aplaudido no espectáculo realizado no dia 17, em Caconda, presenciado, entre outros, pelo vice-governador da Huíla para o sector Económico, Sérgio da Cunha Velho, e também pela administradora daquele município, Marina Soma.
Com base na sua experiência de vida, José Carlos Inácio da Piedade acredita que o papel do músico na sociedade ainda é pouco valorizado. “São formadores de opinião, com um poder de influenciar milhões, mas muitos, em especial os jovens, têm feito pouco para moldar a nova geração”, lamenta, acrescentando que é preciso os artistas verem a música como uma profissão e não um passatempo.
Quadro do Ministério do Interior, onde exerce a função de conselheiro do comandante-geral da Polícia Nacional na Huíla, o criador do grupo tem procurado tirar um tempo da sua agenda de trabalho para ajudar e motivar os jovens da banda Super Star.
“É importante saber o legado que estamos a deixar para a geração mais nova, assim como os ajudar, da melhor forma possível, a descobrirem o seu potencial. É uma forma de todos contribuirmos para no futuro termos um país melhor.”

 

 

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