Cultura

Tchiema e Maria Gadú em ritmos contagiantes

Manuel Albano |

Canções harmónicas e ritmos contagiantes que exaltam o amor, saudades, tradições, frustrações e conquistas ouviram-se na quinta-feira durante o primeiro dos dois espectáculos da segunda edição do projecto “Serenatas à Kianda”, entre as 21h00 e as 23h00, no palco da Casa 70, onde teve como protagonistas o angolano Gabriel Tchiema e a brasileira Maria Gadú.

Os protagonistas da noite proporcionaram momentos agradáveis aos espectadores
Fotografia: José Soares | Edições Novembro

O primeiro concerto protagonizou momentos únicos e quase indescritíveis, apesar de não ter havido tempo para um dueto entre os artistas em cartaz, à semelhança do que aconteceu na primeira edição com Filipe Mukenga e Jorge Vercillo.
Como anfitrião, Gabriel Tchiema foi o primeiro a subir em palco por volta das 21h00. Autêntico representante de ritmos tradicionais, Tchiema que nasceu na província da Lunda Sul, fez os apreciadores da boa música alternativa viajarem pelos seus maiores sucessos.
Autor do tema “Azwlula”, o músico foi muito aplaudido e esteve sempre bem acompanhado pela sua banda. Sobre o que preparou para a sua performance, o artista interpretou canções dos seus três discos, incluindo o primeiro, que comporta mais temas em zouk, além da música internacional africana, de Richard Bona e Lokua Kanza.
Quem esteve na Casa 70, no primeiro espectáculo e seguramente no segundo, realizado ontem, sentiu de certa forma alguma vontade de que os mesmos devem ter continuidade, por oferecerem liberdade e uma oportunidade de mostrar o que muitas vezes os músicos “alternativos” não conseguem exteriorizar.
Com a casa cheia, aliás, o mesmo cenário registado na edição passada, Gabriel Tchiema tentou chegar à performance de Lokua Kanza, quando se propôs interpretar o tema “Meu amor”, que lhe valeu muitos aplausos pelo brilhante dueto com a corista Sandra.
O projecto, que visa o intercâmbio entre países lusófonos, tem o objectivo de celebrar e homenagear os 442 anos da cidade de Luanda, proporcionou outros momentos num cenário romântico.
Gabriel Tchiema mostrou ter uma fácil capacidade para compor e interpretar temas que abordam os conflitos familiares, a maldade dos homens como é o caso do tema “Luinda”. O tema “Leque-leque” foi outra canção dedicada ao comportamento dos maridos, que muitas das vezes se encontram em condições embaraçosas e conflituosas.

A voz da autora de “Guelã”

A cantora brasileira Maria Gadú, que também está a aproveitar fazer uma digressão de promoção do disco “Guelã”, apresentou durante a sua actuação no projecto “Serenatas à Kianda”, uma iniciativa da Zona Jovem Produções, o resultado dos seus anos dedicados à música.
As suas canções, que estiveram em trilhas sonoras de telenovelas brasileiras, e os seus melhores sucessos, com destaque para “Shimbalaiê”, foram fortemente aplaudidas por um público dividido entre angolanos e brasileiros.
Maria Gadú, com a sua voz forte e cativante, viajou por um percurso onde privilegiou temas como “Suspiro”, “Bela flor”, “Paracuti”, “Escudos”, “Altar particular, “Lounge” e “Tudo diferente”. Com sete disco lançados, na sua terceira apresentação no país, procurou explorar sonoridades novas do disco “Guelã” e músicas mais antigas.
A primeira temporada do projecto reuniu na Casa 70 o brasileiro Jorge Vercillo e o veterano artista Filipe Mukenga, que celebrou a possibilidade de reencontrar Vercillo. Os dois  conheceram-se no Rio de Janeiro e Mukenga contribuiu com a canção “Quando eu crescer”, de autoria de Vercillo. Nasceu a parceria, resgatada pelo Serenatas a Kianda e muito aplaudida pelo público que os prestigiou na Casa 70.

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