Cultura

Teddy Muana Teka reaparece nos grandes palcos de Luanda

Manuel Albano

Um dos poucos sobreviventes do agrupamento Super Coba de Cabinda, da década de 70, o cantor e compositor Samuel Teka, conhecido nas lides musicais por Teddy Muana Teka, disse ontem, em Luanda, que pretende regressar aos palcos e dar continuidade a carreira artística iniciada há quatro décadas.

Vocalista principal do agrupamento Super Coba de Cabinda quer integrar na capital do país uma banda e continuar a carreira artística
Fotografia: Contreiras Pipa| Edições Novembro

Em declarações, ontem, ao Jornal de Angola, o cantor recorda ter começado a sua carreira na República Democrática do Congo (RDC), nos finais da década de 60, como um dos vocalistas da banda “Grambi Kidy” na localidade de Matadi.
Embora esteja a participar em algumas actividades socioculturais em Luanda, onde reside actualmente, ainda assim, explica o cantor, a carreira não tem sido aquilo que deseja, motivo pela qual pretende fazer parte de uma banda na capital.
Mostrar todo o seu potencial, apesar dos altos e baixos é o grande objectivo do músico. “Estou com a mesma disposição de sempre e quero poder continuar a fazer música como nos tempos áureos quando fiz parte do Super Coba em 72”, relembra Teddy Muana Teka.
O cantor realça que o agrupamento era constituído por dez integrantes, onde teve bons momentos ao longo dos anos junto dos companheiros de profissão.
O cantor explica que depois de regressar ao país em 1972, para fixar residência vindo do Congo-Kinshasa, integra a banda Super Coba, formada em 1971 e que pertencia a um comerciante português em Cabinda.
Na altura, disse o músico, já tinha encontrado uma estrutura consolidada na banda, que carecia de um vocalista com alguma experiência. Na altura, o Super Coba, propriedade do comerciante Manuel da Eira, apresentava-se regularmente no Centro Recreativo Bar Yeyé.
Com uma experiência adquirida na escola musical congolesa, onde começou a sua carreira, conta que foi por intermédio do falecido Jorge Kinquela (viola solo), que o convida a fazer parte do Super Coba, composto por dez elementos.
Na época, foi o primeiro agrupamento que chegou a introduzir músicos que tocavam trompete e saxofone. O conjunto era composto por  Jorge Kinquela (viola solo), Djanga (viola ritmo), Domingos (viola baixo), Mabiala Kayu (baterista), Jack (voz), Frank (voz), Justino (ngoma), Luve (saxofone) e mais um trompetista.
Na época, Jorge Kinquela já conhecia o potencial artístico do músico porque residiam na RDC, onde começaram a dar os primeiros passos na música. “Quando o Kinquela regressa ao país em 1971, integra no Super Coba. Sentindo a necessidade de se ter um bom vocalista, propõe a minha entrada na banda, um ano depois, onde permaneci até o desaparecimento do agrupamento na década de 1980”, ressalta.
O sucesso do grupo reflectiu-se um pouco pelo país e nos dois vizinhos Congo, fundamentalmente, onde actuaram em vários festivais.
O Supor Coba, recorda Muana Teka, já actuou inúmeras vezes em actividades culturais ao lado de outros grandes agrupamentos na época como são os casos dos Jovens do Prenda, Kiezos, Ngoma Jazz e África Show, tendo por várias vezes dividido o palco com os músicos Teta Lando, David Zé, Urbano de Castro, Massano Júnior e Carlos Lamartine. As províncias do Zaire, Cuanza-Norte, Uige e Benguela foram algumas das localidade, onde a banda levou a sua música na época. O grupo fez ainda bastante sucesso em Ponta Negra.

Os grandes sucessos
A forma alegre de actuar e a facilidade de manusear os instrumentos musicais, explica a vedeta do Super Coba, tornava a banda numa das melhores na época. O grupo seguia muito o estilo do congolês Tabu Ley Rochereau. As canções “Cólera”, “Mona”, “Tchimbelembele”, “Massanga”, “Fimpatina” e “Comuná” são os temas de maior referência da banda.
O cantor explicou que pretende apenas ter uma oportunidade de poder dar continuidade da carreira musical dentro de um agrupamento de referência, por forma a dar maior visibilidade a sua carreira no mercado nacional e recuperar o seu espaço conquistado ao longo de quatro décadas.
Com alguma nostalgia, recorda os tempos em que actuavam semanalmente, em vários palcos no país e no estrangeiro. “Os empresários tinham condições próprias para manter os músicos sempre no activo durante todo mês, porque eram os detentores das próprias aparelhagens e espaços recreativos.”
Foi através da música, confirma o cantor, que conseguiu construir a sua casa e constituir família. “ Tínhamos um salário mensal no agrupamento proveniente da música, o que me permitiu dar alguns passo importantes na minha vida pessoal”, lembra Muana Teka.
O músico participou recentemente, no Complexo Turístico Weza Paradise, nas imediações do campo 11 de Novembro, na homenagem ao cantor Sam Manguana, acompanhado pela banda Movimento.

 

  Redescoberta do artista e a homenagem realizada em Cabinda

 

Super Renovação, Bela Negra e Cabinda Ritmo foram outros agrupamentos musicais, que também fizeram muito sucesso na província mais ao norte do país. Foi numa actividade na cidade do Lobito, em 1972, onde teve contacto pela última vez com os integrantes do Cabinda Ritmo, que praticamente já se encontrava no inactivo.
Teddy Muana Teka foi redescoberto pelo jornalista, Sebastião Lino, numa das edições do programa cultural “Caldo do Poeira”, em sua homenagem realizado em Cabinda, pela Rádio Nacional de Angola (RNA), em 2002.
Desde esse data nunca mais parou de actuar. A residir actualmente em Luanda, no Golfe II, disse que tem sido convidado a participar em alguns programas radiofónicos, o que ajudar a promover a sua imagem.
Depois do Super Coba em 2001, formou o seu agrupamento musical denominado “Coba Som”, que infelizmente teve vida efémera por causa dos encargos financeiros e a falta de um espaço próprio, onde pudessem regularmente realizar os seus eventos. “Procuro deixar um legado e transmitir às novas gerações tudo o que aprendi ao longo da minha trajectória artística.”
O vocalista do Super Coba disse que pretende ver os seus maiores sucessos, que gravou enquanto integrante do agrupamento num disco de originas, por forma a garantir a sua preservação e divulgação, fundamentalmente entre os mais novos. Como sonhar não é proibido, Teddy Muana Teka continua a acreditar no futuro. Poder ter um disco no mercado artístico nacional, com temas inéditos e antigos, é um dos objectivos do cantor.
Teddy Muana Teka nasceu na localidade da Damba, província do Uíge, aos 13 de Fevereiro de 1949. É membro da União Nacional dos Artistas e Compositores - Sociedade de Autores (UNAC-SA) há mais de 30 anos.

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