Cultura

Trienal junta em palco referências da música

Mário Cohen |

Contribuir para o desenvolvimento da música popular urbana angolana nos musseques de Luanda e incutir nos músicos da nova geração o gosto pelos ritmos nacionais é um dos propósitos da II edição do Festival Zwá | Pura Música Mangop, que decorre até segunda-feira no Palácio de Ferro, sede da III Trienal de Luanda.

Grupo Kamba dya Muenho durante a sua exibição no primeiro dia do festival da Trienal
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

Organizado desde quinta-feira à noite pela Fundação Sindika Dokolo, da II edição do Festival Zwá proporciona aos amantes da música angolana oito concertos diários, a partir das 16h00, nos palcos Ngola, Kwanza, Axiluanda e Bengo, do Palácio de Ferro.
Hoje, terceiro dia do festival, actuam MM Yetu, Katiliana & Quarteto, Jay Lourenzo, Jovens do Prenda, Ângelo Boss, Totó St, Estrelas do Inter-Palanca e Jorge Rosa.
O primeiro dia do festival foi aberto pelo grupo Kamba dya Muenho, que encerrou o projecto em homenagem à música ancestral angolana nos últimos três meses. O grupo apresentou-se no palco Kwanza, um dos quatro que vai acolher os 40 concertos de músicos nacionais, sendo oito por dia.
No primeiro dia do festival, apresentaram-se igualmente o Duo Canhoto, que interpretou temas do disco “Lado esquerdo” e os músicos Zé Bernardo, Katiliana, Lípsia, João Oliveira e a Banda Next, que estiveram em residência artística na Trienal de Luanda para o Zwá.
Filipe Mukenga, a Banda Movimento, o grupo San Salvador, ex-Estética Palanca, e o jovem artista Amosi J, antes conhecido como Jack Nkanga, preencheram o programa do primeiro dia do festival.
Maya Cool, que teve a responsabilidade de encerrar o primeiro dia, fez uma incursão ao seu vasto repertório, composto pelos discos “Lágrimas” (1997), “Igual a ti” (1998), “Anjo” (2001) e “Amores”. Canções como “Ti Paciência”, vencedora do Top dos Mais Queridos 2008, e “Te juro”, entre outros temas, foram ouvidas na voz de Maya Cool, que fez a sua primeira passagem pela Trienal a 23 de Outubro de 2016.
Este ano, o Festival Zwá homenageia os artistas André Mingas, Wyza Kendy, Zé Keno e Mário Silva, pelo contributo prestado à música popular angolana, ao passo que, na I edição, o músico e compositor Xabanu foi o homenageado.
Ontem, o festival abriu o palco Kwanza com o grupo Semba Muxima, constituído por Francisco Franco (ngoma solo), Manuel Gomes (ngola baixo), Noel Alferes (dikanza e puíta), Miguel Paulo (hungu e voz) e Julião Francisco (mukindo), marcando a quarta actuação.
Actuaram igualmente ontem, o músico e pesquisador Vladmiro Gonga, do Duo Canhoto, que interpretou pela terceira vez canções dos  conjuntos Nzaji e  Os Kiezos, do grupo Kituxi, a que se juntaram o pianista João Oliveira e o baixista Kappa D, o músico e compositor Derito, o artista Adão Minjy e o baterista Lito Graça, com o projecto “Roda do Semba”, que faz uma incursão à música angolana feita no passado.

Balanço das actividades

Relativamente ao balanço da III Trienal de Luanda, recentemente apresentado pela directora-geral da Fundação Sindika Dokolo, Marita Silva, disse que em 562 dias, 83 semanas, foram realizados 2.568 eventos, na qual articiparam 3.359 artistas e contou com 254.664 visitantes.
Esses números, afirmou Marita Silva, foram resultado de várias actividades, nomeadamente 163 concertos e 1.105 artistas, 30 concertos gospel e 679 artistas, 61 peças de teatro e 391 artistas, entre outras. Filipe Mukenga, Totó St, Dionísio Rocha, Carlos Lamartine e Carlos Burity, foram alguns dos músicos que pisaram o palco da III Trienal de Luanda.
As homenagens inserem-se no quadro da valorização dos artistas que a III Trienal de Luanda tem vindo a desenvolver há já algum tempo, que consiste em prestar tributo às figuras que contribuíram e continuam a contribuir com o seu saber para a expansão da cultura angolana.

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