U2 pedem desculpa aos fãs


21 de Outubro, 2014

Fotografia: Divulgação

Apenas 26 milhões dos 500 milhões de clientes com contas iTunes descarregaram “Songs of Innocence”, um número que ultrapassa largamente o de clientes dos U2 na loja de música online da Apple desde 2003.

A 9 de Setembro, “Songs of Innocence” apareceu em todos os aparelhos da Apple, quer o seu proprietário e um dos cerca de 500 milhões de utilizadores do iTunes quisesse ou não o novo álbum dos U2. Agora, o vocalista Bono Vox pede desculpa e admite que houve “uma gota de megalomania” na “ideia bonita” de dar o seu trabalho ao mundo.
A intromissão do álbum nas playlists dos aparelhos de todos os que tenham uma conta no iTunes gerou reacções adversas que forçaram a Apple a criar uma forma mais expedita do que a inicialmente disponível (e associada ao lançamento de um novo serviço da marca) para que os U2 desaparecessem dos iPads, iPods, iPhones e outros suportes espalhados por 119 países. Era preciso descarregar o álbum ou as músicas, mas não era possível eliminá-lo. E foi com esse descontentamento que o grupo foi confrontado numa sessão de perguntas e respostas através de vídeo no Facebook.
“Podem nunca mais lançar um álbum no iTunes que automaticamente descarrega nas playlists de toda a gente? É muito mal-educado”, pediu um dos “milhares” que nos últimos dias enviaram perguntas à banda irlandesa, disponível para lhes responder a propósito do lançamento de “Songs of Innocence”, desta feita em CD e vinil. A câmara volta-se para Bono, que se desculpa: “Desculpem isso. Tinha uma ideia bonita e deixámo-nos levar por nós mesmos. Os artistas são dados a este tipo de coisa. Uma gota de megalomania, um toque de generosidade, uma pitada de autopromoção e de medo profundo de que estas canções nas quais vertemos a nossa vida nos últimos anos pudessem não ser ouvidas. Há muito barulho por aí. Acho que nos tornámos um bocadinho barulhentos para o atravessar.”
“Songs of Innocence” foi lançado de surpresa durante a apresentação do iPhone 6, chegando gratuitamente a mais de 500 milhões de contas. Na terça-feira, Bono Vox deu uma entrevista à rádio pública norte-americana NPR na qual descreveu o sucedido como uma “confusão” e onde admitiu que, devido à vaga de críticas, os membros do grupo ficaram “aterrorizados com a possibilidade de as canções não serem ouvidas”. Porém, considera-se satisfeito, porque cerca de “50 milhões de pessoas ouviram pelo menos metade do álbum”. Este é o primeiro trabalho da banda desde 2009, ano em que editaram “No Line On The Horizon”, e Bono continua, na NPR, a descrevê-lo como “uma ideia muito generosa da Apple e dos U2”. “Quisemos entregar uma garrafa de leite à porta das pessoas, mas em alguns casos não foi parar ao seu frigorífico nem aos seus cereais.” Voltou a desculpar-se mas, ao mesmo tempo, não deixou de referir como a ideia e a utilização da Internet para distribuir música desta forma continua a agradar-lhe.
Como lembra o jornal de música britânico NME, na semana passada foram revelados os números reais daquele que pretendia ser o maior lançamento de sempre de um álbum - não chegou aos 500 milhões mas foi, ainda assim, uma operação de sucesso.

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