Cultura

Vivalda Dula interpreta trilha sonora em ópera

A cantora Vivalda Dula foi convidada pelo director e dramaturgo Gerald Thomas para interpretar as trilhas sonoras de Rolling Stones na sua recente obra “Dilúvio”, que tem estreia agendada para 11 de Novembro no Teatro Anchieta do Sesc Consolação, em São Paulo, Brasil.

Vivalda Dula convidada a cantar na ópera do director e dramaturgo Gerald Thomas
Fotografia: Marcelo Robert |

Com um elenco totalmente feminino, a montagem vai ser focada na criação de um ambiente de fantasia, abrindo espaço para a reflexão sobre períodos conturbados e actuais da história da humanidade. Uma das protagonistas da peça, nas palavras do encenador, representa “uma espécie de anti-santo ou o capitão de uma arca que não é (para rimar com a Arca de Noé).”
No palco, vão estar seis actrizes - a portuguesa Maria de Lima, a paraguaia Ana Ivanova  e as brasileiras Lena Roque, Isabella Lemos, Beatrice Sayd e Ana Gabi -, além de um grupo de bailarinas, coreografado por Lisa Giobbi. Através do português de Maria e do espanhol de Ana, Thomas pretende fazer uma espécie de embate entre os colonizadores que dividiram o mundo. A temporada em São Paulo vai ser de quinta a sábado às 21h00, e domingo às 18h00, até 17 de Dezembro.
O reconhecidíssimo dramaturgo já se encontra em São Paulo, Brasil, para os ensaios com o seu elenco de artistas internacional e apresentação da sua obra que estreia em 11 de Novembro.
O fundador da companhia London Dry Opera agradeceu publicamente à cantora angolana na sua página de facebook, dizendo: “Vivalda Dula, minha querida: ontem à noite, todos nos sentamos ao redor de uma mesa e ouvimos a sua voz. Não havia um olho seco no grupo. Especialmente quando você cantou ‘Out of Control’. Há algo sobre você e a sua voz que é além do nosso controlo, felicitações Vivalda.”
Gerald Thomas dirigiu óperas como “The Flying Dutchman” de Wagner, “Dr. Faust” de Busoni e a inacabada ópera de Mozart, “Zaide”. Entre muitas obras, escreveu e dirigiu seu próprio “Sturmspiel” para o Cuvilliés, com a Companhia Estatal de Munique, e estreou “Perseu e Andrômeda”, de Salvatore Sciarrino, na Ópera Estatal de Stuttgart.
Gerald Thomas recebeu três prémios Molière e outros 18 e foi tema de documentários de televisão para as redes alemã NDR 3, brasileira TV Cultura, pública PBS dos EUA e a TV austríaca ORF. Existem três livros sobre o trabalho de Thomas. Dois deles em português e um em inglês: “O Encenador de Si Mesmo” (editora Perspectiva) “Memória e Invenção: Gerald Thomas em Cena”, de Silvia Fernandes (editora Perspectiva) e “Flash and Crash Days”, de David George (Garand Publishing Inc).

Conquistas e ambições


A cantora é natural de Luanda e pretende ser uma das maiores vozes do “world music” mundial.
A residir nos Estados Unidos, há sete anos, Vivalda Dula abandonou a dança afro-contemporânea, em 2006, e iniciou-se no mundo da música com o seu primeiro musical afro-contemporâneo “Muji Tu”.
O musical foi apresentado na Liga Africana, em Luanda, em 2011, e na cidade de Houston, em 2013, enquanto preparava em simultâneo o seu primeiro disco “Insanidade Mental”. Ao longo da sua carreira, a cantora fez a abertura de festivais de ‘world music’ de figuras internacionais da música como Salif Keita, Allen Toussaint, Ruthie Foster e Cassandra Wilson.
Realizou, em 2014, a digressão “Vivalda Dula USA Tour 2014 - Henda mwa Ngola” pelas cidades norte-americanas de Washington, Chicago, Houston, Nova Iorque e Austin, para promover os temas do seu primeiro trabalho discográfico  intitulado “Insanidade Mental”.

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