Waldemar Bastos apresenta sucessos em Luanda

Manuel Albano |
6 de Setembro, 2014

Fotografia: Mota Ambrósio

Os temas do mais recente disco “Classics of My Soul”, de Waldemar Bastos, são apresentados durante um espectáculo neste domingo, a partir das 13h00, no Complexo Turístico “Canto do Catete”, em Luanda.

Edilson Pitra, director de comunicação e imagem do espaço, afirmou ao Jornal de Angola que o músico vai apresentar-se em palco com a sua banda Internacional, de maneira a tornar o concerto mais original possível.
Waldemar Bastos, no espectáculo, vai integrar na sua banda Dizy Mandjecolengo, o antigo guitarrista do lendário Francó, e Derek Nakamoto, produtor e antigo pianista de Michael Jackson. “O convidado do dia vai também rebuscar do passado os seus principais êxitos, para tornar o espectáculo mais atractivo”, disse.
Enquadrado no Festival Nacional da Cultura (FENACULT), disse que o concerto vai ter ainda a participação do músico Kyaku Kyadaff, que pelas suas “fascinantes actuações” tem conquistado o público com o tema “Entre Sete, Sete Rosas”.
Juntar as duas gerações de artistas, justificou, é também uma forma de dar oportunidade aos mais jovens de evidenciarem os seus talentos, promovendo a troca de experiências em palco com músicos consagrados.
“Waldemar Bastos tem uma carreira invejável e sólida internacionalmente, enquanto Kyaku Kyadaff é uma das maiores revelações no mercado este ano”, disse o responsável. Oriundo da província do Zaire e formado em Psicologia, Kyaku Kyadaff, por causa das suas composições, converteu-se nos últimos meses na nova estrela do music hall nacional.
Um verdadeiro sucesso nas noites dançantes, particularmente em Luanda, o tema “Entre Sete, Sete Rosas” é considerado uma das músicas mais tocadas. Kyaku Kyadaff começou a cantar em 2006, mas só em 2007 se apresentou no mercado nacional com as músicas “Me Chamam de Pacheco” e “Bibi”.

O novo álbum

“Classics of My Soul” é um disco no qual Waldemar Bastos procurou explorar os ritmos angolanos. Além de temas cantados em português, o álbum, editado pela Enja, inclui canções em umbundo e quimbundo. O novo álbum inclui ainda 11 temas, entre os quais “Teresa Ana”, “Calção roto no rabo”, “Humbi Humbi Yangue”, “Muxima” e “Mbiri Mbiri”. Trabalhado ao pormenor, o disco transporta ancestralidade musical angolana e os arranjos dão uma maior dimensão à própria realidade da música angolana.
Waldemar Bastos (violão e voz) tem feito actuações com Derek Nakamoto (piano), Mitchell Long (violão acústico), Mafwala Komba (percussão e bateria) e Jonas Dowouna-Hammond (contrabaixo).
Nascido há 59 anos em Mbanza Congo, o músico foi influenciado pelo seu pai, que compunha música sacra. Hoje, as novas gerações de músicos apontam-no como uma referência.
Com o disco “Classics of my soul”, Waldemar Bastos tem feito actuações em França, Áustria, Coreia do Sul, Portugal e Brasil. Começou a tocar acordeão aos sete anos, seguindo-se as aulas de viola e de formação musical. Constituiu uma banda, a Jovial, com a qual actuou em várias regiões de Angola. Waldemar Bastos formou outros grupos de baile com êxito, como o realizado em Luanda, em 1990, ao qual assistiram 200 mil pessoas, segundo dados do músico.
Na década de 1980 viveu no Brasil e com o apoio do músico Chico Buarque, com o qual colaborou anos antes no projecto Kalunga, gravou o seu primeiro disco, “Estamos Juntos” (1983).
O artista viajou para Paris e depois para Lisboa, onde gravou os álbuns “Angola Minha Namorada” (1990) e “Pitanga Madura” (1992). Em 1997, na cidade de Nova Iorque, gravou “Pretaluz” (1997), ao qual se seguiu, em 2002, o disco “20 Anos de Carreira”.
Do álbum “Pretaluz”, os temas “Muxima”, “Sofrimento” e “Querida Angola” integraram a banda sonora do filme “Sweepers”, de Dolph Lundgren. “Renascence” foi lançado em 2005, pela World Connection. A convite de David Byrne, participou ainda na recompilação “Afropea 3: Telling Stories to the Sea”, na qual também participou Cesária Évora.

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